Paulo Baier: o Highlander do futebol brasileiro

O veterano que provou que não é só de títulos que se faz um ídolo

Paulo Baier em sua passagem pelo Ypiranga. Foto: Divulgação / Ypiranga

Quem acompanha o futebol brasileiro, já ouviu seu nome. Ídolo em diversos clubes, Paulo Baier foi um dos grandes do Campeonato Brasileiro na década passada – e também da atual. Nascido Paulo César Baier, surgiu para o futebol no São Luiz, de Ijuí, sua cidade natal. Na época, era chamado de Paulo César.

Paulo César atuava como lateral. Nesta posição, além do São Luiz, jogou por clubes como Criciúma, Atlético-MG, Botafogo e Vasco da Gama, ainda nos anos 90. Também passou pelo Santos, já em 2001. Até então sem grande destaque nos clubes em que esteve, chegou a pensar em abandonar a carreira. Disputou a Copa Sul-Minas de 2002 pelo Pelotas, ainda como Paulo César. O bom desempenho lhe projetou no cenário nacional. Então, voltou ao Criciúma.

— Quando eu cheguei ao Criciúma (aos 28 anos) já tinha um Paulo César lá. Começaram a me chamar de Paulo César Baier, que é o meu nome completo. Mas ficou muito longo. Surgiu o Paulo Baier. Gostei, pareceu mais forte. Já no Palmeiras (em 2006, aos 32 anos) fizeram um estudo, teve numerologia. E o resultado foi que o nome era melhor para mim. Então eu disse: “tá ótimo”. E Paulo Baier só tem um — disse ao portal O Globo.

Jogando no meio, e com o “novo nome”, a carreira deslanchou. Goiás, Palmeiras, Atlético-PR. Hoje é conhecido em todo o Brasil. É o segundo maior artilheiro da era dos pontos corridos do Brasileirão (a partir 2003), atrás apenas de Fred. Mesmo sem ter uma carreira marcada por títulos, Baier é ídolo em diversos clubes. Bom cobrador de faltas, carregou muito time nas costas. Recentemente virou até meme na internet, devido à idade avançada para um jogador de futebol – se aposentou aos 42 anos. Gremista, nunca jogou pelo time de infância: “O Grêmio nunca me procurou. Nunca esteve interessado, então não vejo como um marco negativo da minha carreira”, disse Baier em entrevista ao GloboEsporte.com.

Paulo Baier, o melhor jogador do mundo em 1931. Foto: Zé Roberto / Olé do Brasil.
Paulo Baier, o melhor jogador do mundo em 1931 (Foto: Reprodução/Zé Roberto/Olé do Brasil)

No primeiro semestre de 2015, Paulo Baier chegou ao Ypiranga. Sem o veterano, o time de Erechim somava um empate e uma derrota nos dois jogos iniciais do Gauchão daquele ano. Na terceira rodada, 14 mil torcedores foram ao Colosso da Lagoa prestigiar a estreia do novo craque do time – maior público desde o jogo do acesso à primeira divisão estadual, no ano anterior. O placar de 3 a 0 sobre o Aimoré, com gol do novo contratado, deu novo ânimo à torcida.

O aumento na média de público não foi a única colaboração de Baier. Com o meia, o time ganhou experiência, qualidade técnica e organização. Também ganhou confiança. O ypiranguista Alisson Giaretta, dos Estados Unidos, onde faz intercâmbio, relembrou a passagem do jogador por Erechim.

– Ele (Baier) agregou em experiência e confiança ao time. O Saldanha começou a jogar muito. O time se organizou ao redor dele, com o Pretto, o João Paulo e ele, era um meio-campo bem experiente. A cada dez minutos, era uma bola “pifada” pro Saldanha. Ele era muito inteligente. O time começou a jogar de uma forma bonita, inteligente – conta Alisson.

Com Paulo Baier, o Ypiranga foi terceiro colocado na fase de grupos do Gauchão, e só caiu nas quartas de final, diante do Juventude. O time de Caxias do Sul foi o próximo destino do Highlander do futebol brasileiro. Em junho de 2016, após o empate em 1 a 1 entre São Luiz e União Frederiquense pela segundona gaúcha,  Baier anunciou o fim de sua carreira. Agora, quer tentar a carreira de treinador. Boa sorte ao velhinho.

 

Texto: André Luiz Betto

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