Pela 418ª vez na história, é semana de Gre-Nal!

QUEM VENCERÁ O PRIMEIRO CLÁSSICO DO ANO?

Maicon e D'Alessandro discutem no cara e coroa. Foto: Reprodução/RBSTV

Por: Marcella Lorandi | RS

A Arena do Grêmio irá receber o primeiro Gre-Nal do ano nesse domingo. O clássico marca o reencontro do capitão Maicon e do volante Rodrigo Dourado, personagens que alimentam a resenha com declarações para quem quiser ver e ouvir. Gremistas ainda se perguntam, quem é Dourado? E colorados rebatem defendendo o jovem criado no clube, e perguntam, quem era Maicon na idade do Dourado?

O Gre-Nal de número 418 já se desenha para ser um capítulo à parte nessa décima rodada do Gaúchão. Os clubes já se enfrentaram 417 vezes, dão pano para manga em discussão de boteco, de debate esportivo, rede social e até de pesquisa gringa. E pelos pampas do Rio Grande do Sul eles juram que é o maior confronto do país, quiçá do planeta. Isso porque não faltam boas histórias. Este, especialmente, promete fortes emoções dentro e fora de campo, já que as figuras principais não poupam palavras para se reportar carinhosamente ao rival. Luan é um grande apreciador de clássicos, D’Alessandro também gosta muito de comparecer no duelo, e Renato Portaluppi é sempre um personagem destas partidas.

Gre-Nal é Gre-Nal e vice-versa. Sendo assim história boa não falta, senta aí, puxa teu chimarrão a aprecia o dia que Grêmio e Internacional se enfrentaram em uma tarde chuvosa de domingo em Porto Alegre. O duelo foi no Beira-Rio, em 22 de setembro de 1996, quando fases distintas se encontraram para jogar pela 331ª vez na história do clássico. A semana conturbada não era novidade, o Internacional exigiu que o árbitro fosse de fora do Rio Grande do Sul. E naquele domingo aconteceu a partida que lembramos até hoje como o “Gre-Nal do Gol de Bicicleta do Paulo Nunes”. As torcidas estavam inflamadas e a velha bancada de cimento do Beira-Rio pôde prestigiar um dos mais belos gols do Campeonato Brasileiro daquele ano. A mesma velha bancada, de fatos ingratos e feitos relevantes viu a festa tricolor dentro do estádio colorado.

O Grêmio era o campeão da Libertadores do ano anterior e o Internacional tinha nomes como Gamarra, o goleiro André e Leandro em seu elenco. A partida, como um típico Gre-Nal num domingo porto-alegrense, aflorava os ânimos por toda a cidade e pelo Estado. Não havia um torcedor que não demonstrasse sinais claros de nervosismo, e os mais céticos dizem que não existe torcedor em sã consciência que goste do clássico. Os bares lotados anunciavam promoção de cerveja, os menos imparciais declaravam torcida e rodada dupla de chopp em caso de resultado positivo. Gremistas provocavam o rival que ainda não havia conquistado a América, e colorados retribuíam falando do tal time do Rolo Compressor. Foi uma época boa para torcer, época em que as discussões começavam como futebol e terminavam como futebol, sem agressão e sem depredação. Época em que cenas lamentáveis ocorriam somente dentro do campo. Tempos em que Gre-Nal era quase meio a meio dentro do estádio, uma massa vermelha criava um clima infernal, e a outra metade formava um mar azul para experientes marinheiros.

Paulo Nunes marca um dos mais belos gols da história dos clássicos. (Foto: José Doval/Agência RBS)

Dentro das quatro linhas – e no tempo que você lia esse texto – Paulo Nunes já havia eternizado seu nome na história do duelo. Ele precisou somente de cinco minutos para receber o escanteio de Arce da ponta esquerda, erguer-se de costas para a meta colorada e com a perna direita estufar as redes dos Beira Rio e enlouquecer o setor visitante. Setor o qual não foi o destino da comemoração. O Diabo Loiro – num ímpeto de originalidade e insanidade – dirigiu-se a torcida colorada imitando o mascote Saci e provocando a ira da torcida, jogadores e dirigentes. No segundo tempo, Murilo empatou aos sete minutos para o Inter e Dinho garantiu a vitória gremista numa cobrança de falta aos 21 minutos.

Paulo Nunes imitando o mascote Saci na frente da torcida colorada. (Foto: reprodução)

O clássico equilibrado e carregado de boas situações teve Danrlei como destaque, que garantiu que o Grêmio não sofresse uma derrota retumbante e ainda saísse com a vitória. A partida também emulou para a história a falta de Dinho. Os dois pés do volante tricolor atingiram o pé direito do jogador colorado, o que gerou reclamações do lado vermelho durante toda a semana pós Gre-Nal. Até hoje a falta é a ilustração do futebol de volância e explica o apelido “Cangaceiro” de Dinho, que no início da partida havia levado uma pedrada em uma cobrança de escanteio.

Emblemático carrinho de Dinho. (Foto: reprodução)

Ao fim do campeonato o Grêmio sagrou-se campeão brasileiro sobre a Portuguesa e o Inter finalizou o ano de 1996 em nono lugar. O Gre-Nal deste domingo não vale título, os técnicos se abstém do favoritismo, a semana foi favorável a um, e não foi para outro. Pode não ter briga no cara ou coroa, pode não ter discussão em porta de vestiário. Mas é Gre-Nal e qualquer lance, gol ou situação pode colocar um jogador para sempre na história de um clássico de autoridade. Ou pelo menos como personagem principal na imprensa na semana pós Gre-Nal, afinal mais importante que a partida em si, é tudo que ela representa nos bastidores do clube vencedor e do clube perdedor ao longo da semana.

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