A plena vingança: O Milan de 2006-07

Depois do "Milagre de Instambul", o Milan finalmente teve sua temporada campeã

(Foto: Reprodução/abolanabota.zip.net)
Por: Augusto Araujo, RJ

O futebol é feito de gerações. Gigantes são considerados os clubes que mesmo com o passar das décadas se mantêm fortes, com jogadores de qualidade e ganhando títulos. O Milan sempre foi um exemplo disso. No século passado e no atual teve a sorte de possuir esquadrões míticos, como seu time da década de 60, com Cesare Maldini e Gianni Rivera, ou em 90, com os holandeses. Porém, nos últimos anos o clube perdeu força devido a uma organização péssima, passando por temporadas muito abaixo do nível que estamos acostumados ver. E a última vez que o time de Milão demonstrou esse poder foi na temporada de 2006-07.

As coisas não estavam muito boas naquela época. Na final da Liga dos Campeões de 2005 aconteceu o jogo conhecido como o “Milagre de Instambul”, onde o clube italiano perdeu para o Liverpool nos pênaltis, após começar ganhando no primeiro tempo por 3 a 0. Além disso, no final da temporada anterior, um escândalo de manipulação de resultados aconteceu e fez com que o clube rossonero começasse o Campeonato Italiano com oito pontos negativos e entrasse apenas na fase preliminar da competição européia.

O "Milagre de Instambul" mostrou que aquele elenco do Milan não era imbatível (linhadefundo.net)
O “Milagre de Instambul” mostrou que aquele elenco do Milan não era imbatível (linhadefundo.net)

Desde a final na Turquia, o elenco do Milan passou por algumas mudanças, sendo as principais a saída do zagueiro Stam, do lateral brasileiro Cafu e dos atacantes Shevchenko e de Crespo. Devido à punição de perda de pontos na Série A, o clube italiano tratou as competições nacionais como menos importantes e focou na Champions, onde teria que começar lá de baixo, na fase preliminar.

O caminho na Liga dos Campeões

Independentemente dos grandes nomes que deixaram o clube, jogadores renomados ainda continuaram, como Paolo Maldini, Dida, Pirlo e outros mais. Porém, o melhor jogador rossonero naquela época era o brasileiro Kaká, que vivia uma fase tanto física quanto técnica no auge, sendo a principal peça para essa competição.

O primeiro confronto foi contra o campeão de 1990-91, o Estrela Vermelha, sendo duas vitórias do time italiano (1 a 0 e 2 a 1), levando-0 para a fase de grupos. Nessa segunda etapa ficou no Grupo H, junto com o Lille, da França, AEK Athens, da Grécia e Anderlecht, da Bélgica. Os quatro primeiro jogos foram mais tranquilos, sendo: uma vitória por 3 a 0 contra o AEK, com gols de Inzaghi, Gourcuff e Kaká; um empate sem gols contra o Lille; mais uma vitória, agora contra o time belga, por 1 a 0, gol decisivo de Kaká; e, de novo, vencendo o Anderlecht, dessa vez por 4 a 1, com hat-trick do meia brasileiro e, no final, um de Gilardino. Os dois últimos confrontos quase complicaram a vida do Milan, pois foram duas derrotas, para o AEK por 1 a 0 e para o Lille, em casa, por 2 a 0. Mas mesmo assim o time italiano conseguiu terminar essa fase em primeiro lugar.

O encontro inicial no mata-mata foi contra o time verde escocês, o tradicional Celtic, o jogo de ida, lá no Celtic-Park ficou em 0 a 0, e o mesmo placar se seguiu na segunda partida, indo para a prorrogação. Entretanto, logo aos três minutos, ele, Kaká, fez o gol que botaria o Milan nas quartas.

Novamente Kaká mostra porque é o principal jogador rossonero (Foto: Reprodução/i1.dailyrecord.co.uk)
Novamente Kaká mostra porque é o principal jogador rossonero (Foto: Reprodução/i1.dailyrecord.co.uk)

O confronto seguinte foi o primeiro pesado do time italiano, diante do Bayern de Munique. A partida de ida, em Milão, ficou em 2 a 2, com gols de Pirlo e Kaká, do lado bávaro o zagueiro Van Buyten balançou as redes duas vezes. Na Alemanha as coisas estavam pra ser mais complicadas, pois o Bayern só precisa de um empate sem gols para passar, e tinha jogadores como o goleiro Oliver Kahn, o lateral Lahm e o zagueiro Lúcio para impedir o ataque do Milan. Porém, o maduro time italiano conseguiu controlar o jogo e se sagrou vencedor com gols de Seedorf e Inzaghi, 2 a 0.

Na semifinal viria o Manchester United. O elenco red devil era formado por várias estrelas, como o, ainda novo, Cristiano Ronaldo e os veteranos Van der Sar e Giggs. O primeiro jogo, em Old Trafford, ficou em 3 a 2 para os donos da casa, com direito a duas viradas, sendo um dos jogos mais emocionantes da competição. Essa partida ficou eternizada também pelo gol de placa do Kaká, driblando dois marcadores e chutando no cantinho da meta do goleiro holandês.

O jogo de volta, no San Siro, foi, digamos, mil vezes mais fácil. Mesmo com uma forte chuva na hora da partida, o Milan fez seu papel de mandante e eliminou o United por 3 a 0, com gols de Kaká – como sempre -, Seedorf e Gilardino. Novamente o clube rossonero chegava a mais uma final européia, e, de novo, contra o Liverpool.

As vinganças

A final seria em Atenas, na Grécia, mesma cidade onde o clube italiano ganhou o título europeu em 94, contra o Barcelona, por 4 a 0. Porém, agora, a história era outra. Desta vez, a recordação mais forte era a do adversário, o mesmo que há dois anos tirou, de modo milagroso, a sétima “orelhuda” da mão deles. O jogo foi complicado do início ao fim. No primeiro tempo o Milan saiu a frente, assim como em Instambul, mas dessa vez apenas por um gol, de Inzaghi. Na volta do intervalo o jogo continuou na mesma, até o atacante italiano marcou mais uma vez para o time de Milão, deixando mais perto do título. Ainda deu tempo de Kuyt diminuir. O gol botou muito medo e pressão para cima dos italianos. Porém, de qualquer jeito, o jogo terminou em 2 a 1, fazendo com que finalmente o Milan conquistasse sua sétima Liga dos Campeões e vingasse a final de 2005.

Depois de dois anos de atraso, o Milan conseguiu seu sétimo título europeu (Foto: Reprodução/Getty Images)
Depois de dois anos de atraso, o Milan conseguiu seu sétimo título europeu (Foto: Reprodução/Getty Images)

Sendo campeão europeu, o clube se classificou para o Mundial de Clubes, tendo a frente o japonês Urawa Red Diamonds na semifinal, que, surpreendentemente, fez um jogo complicado e perdeu para o time italiano apenas por 1 a 0, com gol de Seedorf no segundo tempo.

Na final veio a segunda chance de vingança, agora contra o Boca Juniors de Palermo e Palacio. Em 2003, os mesmos fizeram a final dessa competição e o clube argentino saiu campeão. Dessa vez, o Milan estava com sangue nos olhos e não deixaria isso acontecer novamente. No começo do jogo os dois artilheiros, Inzaghi e Palacio, abriram o placar, mas no segundo tempo o time de Milão mostrou sua superioridade e marcou mais três, sendo um de Nesta, um de Kaká e outro de Inzaghi. O Boca ainda diminuiu no final, com gol contra de Ambrosini, mas não mudou em nada. As duas revanches na temporada foram vencidas pelo Milan.

Fonte: Imortais do Futebol.

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