Profissão, goleiro: por que os arqueiros dos clubes são desvalorizados?

Goleiros, os heróis solitários do futebol

Defesa de Victor no último lance do jogo contra o Tijuana (Foto: Reprodução/Internet)

Amigo torcedor, amigo leitor e jogador de várzea. Qual a sua posição em campo na pelada de final de semana? Caso você se identifique com o nosso personagem principal, sinta-se reverenciado! O texto de hoje vem com um papel de “advogado do diabo”. Isso porque chegou a hora de defender e homenagear a posição única do Futebol. Agora, nesse texto:

Nome: Goleiro
Profissão: Fazer milagres
Na vitória: Esquecidos
Na derrota: Crucificados
Na Foto: Sempre em pé

 

Pois é, confrades. Essa é a vida dos goleiros: crucificados na derrota e, ainda que heróis na vitória, sempre os menos valorizados. Eles sempre são os primeiros culpados. Basta lembrar de um dos mais injustiçados da história do nosso futebol: Barbosa, em 1950, contra o Uruguai, carregou a culpa até o fim de sua vida, no começo dos anos 2000. A justiça talvez tenha sido tardia, já que o vexame de 2014 nos fez reconhecer que o “Maracanazo” possa não ter sido tão vergonhoso, assim como lances como o do gol uruguaio fazem parte do futebol, nos fazendo sempre encontrar um culpado para uma derrota. Pobre Barbosa. Ele nunca foi uma vergonha como quiseram passar.

Barbosa na Copa de 1950 (Foto: Reprodução/Site Abril)

Os goleiros, normalmente, são os jogadores há mais tempo em seus clubes. Pode ser aquele “tiozão” que fundou a pelada ou até mesmo o dono da bola. No caso dos grandes clubes, procure ver quanto tempo o camisa 1 do seu time do coração está por lá, ainda que, às vezes, ele seja desvalorizado pela torcida.

Confesso, com a experiência de quem joga no gol, criticar um goleiro deveria ser crime, ainda que a falha fosse horrorosa! Entenda bem: o atacante perde gols, os meias erram passes, até o “zagueirão” moralizador entrega, mas a culpa sempre será daquele que tentou, em última instância, reverter a catástrofe. Na história do futebol temos incontáveis monstros do gol, verdadeiras muralhas, mas ainda assim, quando se vai falar em “melhores de todos os tempos”, a eleição para goleiro é a parte, isso quando são lembrados.

Percebam a injustiça: assim como Barbosa, em 50, Oliver Kahn chegou a final da Copa como um monstro, sendo eleito com antecedência o melhor jogador do Mundial, mas por uma brincadeira (de muito mau gosto) dos “deuses do futebol”, acabou falhando, perdendo a final e levando um país inteiro a lamentar sua falha. Muitos são os exemplos de goleiros que, muitas vezes salvaram seu time, mas depois foram crucificados. Vide Casillas, Júlio César, entre outros.

Despedida Casillas Andrea Comas Reauters
Casillas chora em sua despedida do Real Madrid (Foto: Andrea Comas/Reauters)

Goleiros, heróis de uma posição solitária no campo, monstros que defendem até o último fio de esperança a meta de seu time, que ainda se arriscam em cobranças de faltas e pênaltis ou mesmo em um escanteio aos 48 minutos do segundo tempo. É fácil critica-lo sem nunca ter tomando uma “pancada” no meio da cara, sem nunca se jogar sem medo em uma bola que parecia indefensável. Difícil mesmo é ter coragem de colocar uma luva, ser o único do time a se vestir diferente e esperar alguém vir contra você querendo derrotá-lo.

 

Texto: Daniel Bravo @Dbravo_01  e Wagner Ponce @wagnerponce

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*