Salve o Corinthians: há 107 anos jogando por seus fiéis

Eternamente dentro dos corações mais orgulhosos

Mosaico Arena Corinthians (Foto: Divulgação/Corinthians)

Por Dudu Nobre, PR e Wagner Ponce, SP

Sob à luz de um lampião do bairro do Bom Retiro, nascia há 107 anos o Sport Club Corinthians Paulista. De lá pra cá o torcedor viveu muita coisa. Superou uma abstinência de títulos, rebaixamento, as gozações por “não ter um brasileiro” ou “uma Libertadores”. Nos momentos difíceis, era hora de vestir a camisa e mostrar que estava ao lado do time até o fim, e viu nessas dificuldades a sua torcida crescer ainda mais. Nas glórias, nem precisava… Quase 30 milhões de brasileiros que carregam o preto e o branco no coração, o brilho no olhar e o sorriso no rosto que denunciam:  “Ah, esse é mais um do Bando de Loucos!”.

É difícil acreditar que um Campeonato Estadual possa ter tanto peso na história de um clube como o Paulistão de 77 tem para o Corinthians. Eram 23 anos sem conseguir um título expressivo, desde fevereiro de 1955, quando bateu o Palmeiras pelo mesmo Torneio. Como todo grande título merece um herói, o autor do gol salvador não poderia deixar de entrar para essa galeria. Basílio é um ídolo nato, jogou pelo Timão entre 1975 e 1981, fazendo mais de 250 jogos com a camisa alvinegra, mas o gol salvador elevou ele a um novo patamar na história do clube. Isso numa época com atletas consagrados como Zé Maria, Wladimir, Tobias e o treinador Oswaldo Brandão.

Elenco campeão paulista de 1977 (Foto: Reprodução / Site Corinthians)
Elenco campeão paulista de 1977 (Foto: Reprodução / Site Corinthians)

Outro momento histórico na memória de qualquer torcedor corinthiano, foi o inédito título brasileiro de 1990. Sob a maestria de Neto, o alvinegro do Parque São Jorge começou a trilhar pelas conquistas nacionais. Após a contratação de Nelsinho Batista, parecia que seria impossível tirar do Timão o Brasileirão daquele ano. Um título que seguia o roteiro completo para uma grande conquista, já que a final foi disputada contra um dos rivais paulistas, um time guerreiro, um camisa dez que fazia a diferença e um talismã como herói no jogo decisivo.

Campeão Brasileiro de 1990 (Foto: Revista Placar)
Corinthians conquistando sendo campeão brasileiro em 1990 (Foto: Revista Placar)

Já o Mundial de 2000, contra o Vasco, veio para honrar a história dos ídolos do passado. Comandados por Marcelinho Carioca e Edilson, entre tantos outros craques, a Fiel enchia o peito para gritar que o mundo agora era seu. Depois de uma invasão ao Maracanã, ver a bola sendo isolada no pênalti cobrado por Edmundo fez com que longos segundos separassem a tensão da glória. Mais um dia em que não houve um torcedor corinthiano que não se sentisse a pessoa mais feliz do mundo.

Em 2012 foi a vez de desbravar a América e o outro lado do mundo. Com um time extremamente tático, comandado por um treinador que sabia entender cada rival e cada jogador do seu elenco, o Corinthians conquistou a Libertadores de forma invicta, batendo rivais históricos. A cereja do bolo não poderia ser diferente, vencer o Boca Juniors na final no Pacaembu, em uma partida digna de toda catimba e tradição sul-americana, num show à parte de Emerson Sheik, autor dos dois gols que garantiram a inédita taça ao campeão dos campeões.

Ah sim, a Libertadores ainda deu um doce “bônus”: uma passagem para o mundial de Tóquio. Onde todos diziam que seria impossível bater o grande clube inglês que estaria presente na final, o Chelsea. Ora, quer forma melhor de valorizar uma conquista do que ter um adversário de peso? Missão Japão mais que cumprida, Guerrero foi lá a calou os azuis de Londres e o mundo se tornou preto e branco. Tite se tornou herói por ajudar até o mais desacreditado torcedor, se é que ele existe, a gritar mais uma vez “É Campeão”!

A festa pelo mundial de 2012 (Foto: Reprodução / Site Corinthians)
Corinthians campão Mundial de 2012 (Foto: Reprodução / Site Corinthians)

Com o passar dos anos, o corinthiano, sempre orgulhoso com a sua paixão, foi aumentando cada vez mais a sua galeria de conquistas – como os Campeonatos Brasileiros de 1998,1999, 2005, 2011 e 2015 e as Copas do Brasil de 1995, 2002 e 2009.

Além disso, foi fazendo a história de um time se tornar a sua. A identificação com as cores do clube, seu hino e, hoje, sua casa, fazem com que a sua torcida mescle sentimentos dos mais desconhecidos, faz o coração sair do peito e chegar, quem sabe, até o Japão.

Alguns dizem que é torcida, outros amor, outros religião. Entidade essa que tem seus Orixás: Luizinho, Baltazar, Rivelino, Basílio, Sócrates, Casagrande, Neto, Tupãzinho, Marcelinho Carioca, Edilson, Cássio, Tite, Emerson Sheik e tantos outros que defenderam o manto alvinegro com valentia.

Todos construíram um pedaço do que é o Corinthians hoje. Um clube vitorioso, que mantém o amor dos antigos e conquista novos torcedores a cada geração, fazendo com que cada primeiro de setembro seja o momento de renovar o que está eternamente dentro dos corações de cada alvinegro.

 

 

 

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