Quem é quem na repescagem Mundial

O ÚLTIMO PASSO ANTES DA COPA

Seleções a um passo de atingir seus sonhos (foto: UOL esporte)
Diego Giandomenico, PR

Sabe aquele momento em que você está arrumando as malas para uma viagem e no meio de toda a excitação por conhecer um lugar novo sente que algo está faltando? Pois é, é assim que a Copa da Rússia está se sentindo. Em meio a toda animação por receber camisas pesadas como Brasil, Argentina, Alemanha, França, Espanha e por aí vai, os russos sentem que falta algo. Mais especificamente, seleções. E faltam sim. Você sabe quem está às portas de garantir sua entrada? Então a CL fará esse mini guia para você não se perder.

Repescagem Mundial

São dois confrontos aqui: Peru x Nova Zelândia e Austrália x Honduras. América do Sul, Oceania, Ásia e CONCACAF tentam mandar mais representantes para o maior campeonato de todos. Comecemos por Peru e Nova Zelândia.

Peru

1982, 22 de junho, Estádio Riazor na Corunha. Essa foi a última vez que vimos a seleção peruana entrar em campo por uma Copa do Mundo. O adversário foi a fortíssima Polônia com seus craques Boniek, Lato, Smolarek, Ciolek, que no final chegariam em terceiro lugar. O placar foi 5 a 1, com Guillermo La Rosa, El Tanque, descontando já no final da partida. Essa época foi grandiosa para o Peru, havia disputado a Copa de 1978 na Argentina, com aquela “entregada” histórica para os hermanos e também haviam chega à semifinal da Copa América de 1979. A Copa da Espanha foi o último respiro antes da Blanquirroja entrar em uma estágio de hibernação profunda.

Guerrero fará falta ao Peru (foto: Esporte Flamengo)
Guerrero fará falta ao Peru (foto: Esporte Flamengo)


Agora, há uma nova chance de sonhar. Peru está às portas de uma classificação histórica, basta passar pela Nova Zelândia. Ricardo Gareca, convocou seus jogadores sem poder contar com Paolo Guerrero, o autor do gol que colocou o Peru na repescagem, que foi punido previamente pela FIFA por ser pego no exame antidoping. Sendo assim, as principais peças peruanas são o experiente atacante Jefferson Farfán, os “brasileiros” Cueva e Trauco, além de Edison Flores e o goleirão Pedro Gallese. A maioria dos convocados jogam no futebol peruano (11 dos 27) e apenas cinco jogam na Europa. Apesar de serem favoritos, o clima está mais tenso depois da notícia do doping de Guerrero.

Nova Zelândia

Os All Whites  estão a um passo de voltar para a Copa depois das férias que tiraram em 2014. Lá saíram de maneira invicta, num grupo que contava com Paraguai,Itália e Eslováquia. Foram 3 empates ao todo. Agora, a renovação está quase completa. De todos os antigos membros da Seleção, o único que está fazendo hora extra por lá é Shane Smeltz, atacante de origem alemã que hoje joga no grande futebol da INDONÉSIA. Mas calma lá.

 

Chris Wood, o matador neozelandês (foto: Independent UK)
Chris Wood, o matador neozelandês (foto: Independent UK)


Tem gente boa também, em campeonatos de níveis mais altos. Ao todo 10 jogadores se aventuram pela Europa, alguns divisões menores, é verdade, mas casos como Chris Wood (Burnley), Winston Reid (West Ham), Tony Smith (Ipswich), Marco Rojas (Heereven) e Ryan Thomas (PEC Zwolle), mostram neozelandês em equipes de maior porte. O restante dos convocados se distribuem entre o futebol australiano e americano.


O Confronto

O Peru atualmente está no top 10 do ranking da FIFA, o que não diz muito sobre tamanho de Seleção, mas diz um pouco sobre desempenho recente. Nas suas últimas cinco partidas os blanquirrojos empataram com Colômbia e Argentina, além de vencer Equador, Bolívia e Uruguai. Essa arrancada foi a responsável pelo crescimento. Seu momento é bom.

Já a Nova Zelândia passou facilmente pelas eliminatórias da Oceania, o que realmente não significa nada e está na posição 122 do ranking FIFA, o que também não diz lá muita coisa, já que os neozelandeses jogam pouco e o sistema de pontos prejudica quem faz amistosos. Seus últimos jogos foram as partidas da Copa das Confederações com derrotas para Rùssia, Portugal e México, além de uma derrota no amistoso contra o Japão e também vitória e empate contra as Ilhas Salomão pela decisão das eliminatórias da Oceania.

No geral, o Peru é favorito, até pelo amor ao futebol e o tempo fora de uma Copa. Mas não podem em hipótese nenhuma relaxar. Serão dois grandes jogos.

 

Honduras

Los Catrachos. Essa alcunha foi retirada do nome do general Florencio Xatruch, que liderou hondurenhos e salvadorenhos contra as investidas de conquista e escravidão da América Central pelas mãos de William Walker. Hoje, Catracho sustenta o orgulho de Honduras, uma seleção que consegue brilhar entre suas irmãs Nicarágua, Guatemala e El Salvador, mas que vê o crescimento de outras seleções da América Central, como Costa Rica e Panamá.

Elis, o novo ídolo dos Catrachos (foto: La Tribuna)
Elis, o novo ídolo dos Catrachos (foto: La Tribuna)

Honduras esteve na Copa de 2014, tomou surra da França e Suíça por 3 a 0 e também sucumbiu ao Equador – 2 a 1, ficando em penúltimo lugar. Em 2010 não foi tão melhor assim, mas suas derrotas foram menores – 1 a 0 para o Chile e 2 a 0 para a Espanha –  e ainda rolou um empate com a Suíça por 0 a 0.

Nas eliminatórias de 2018, parecia fadada à eliminação na última fase. Mas a refugada dos EUA e a “leve” ajuda mexicana, colocaram os hondurenhos na repescagem. Seus principais jogadores atuam nos EUA, o capitão e veterano Maynor Figueroa e os atacantes Romell Quioto e Alberth Elis, ambos do Houston Dinamo. Os dois, inclusive, fizeram um gol cada na partida final contra o México. De resto, 15 dos 25 convocados atuam no futebol local.

Austrália

Se tivessem pichadores na Austrália, os muros da FFA (Football Federation Australian) estariam estampados com “acobou a paz” e “diretoria jim carrey”. A insatisfação da torcida com o técnico Ange Postecoglu é grande. Desde a insistência dele com alguns jogadores até o plano tático que não faz nenhum sentido, tudo joga contra o comandante.

A salvação dele está exatamente nos jogadores que tanto confiou. Eles parecem estar engatando uma boa fase em seus clubes e isso pode ajudar Ange na missão de continuar a classificar a Austrália, algo que vem ocorrendo desde 2006. O principal sintoma sentido pela torcida e Ange, foi a classificação diante da Síria, que foi muito mais difícil do que deveria ser e que contou com dois gols de Cahill, o Paulo Baier australiano.

Aaron Mooy, o nome da Austrália na Premier League (foto: ABC Australia)
Aaron Mooy, o nome da Austrália na Premier League (foto: ABC Australia)

Como falei, a base de jogadores da Austrália já esteve em pior momento, mas também está bem longe da Golden Generation de 2006. Destaque para Aaron Mooy – que vem fazendo uma excelente Premier League pelo Huddersfield -, Mathew Leckie – que vem em boa fase no Hertha Berlin -, Robbie Kruse – muito contestado por nunca jogar, mas que finalmente encontrou jogo e seus gols pelo Bochum -, Tom Rogic – que é uma das estrelas do Celtic -, Tomi Juric – artilheiro do Luzern e Mathew Ryan – que finalmente se estabeleceu no gol do Brighton. Ou seja, a fase não é tão ruim. Mas não tem ninguém em time de ponta. Apenas quatro dos 25 jogadores jogam na Austrália, o restante está principalmente no Reino Unido, Alemanha e Ásia, mas você encontra gente no Oriente Médio e até no futebol israelense, que é o caso do atacante Nikita Rukavytsya, ucraniano de nascimento, mas australiano de criação.

O confronto

Honduras está na posição 69 no ranking FIFA, nos últimos cinco jogos foram três empates e duas vitórias. Venceu Trinidad e Tobago – que lhe entregaria a vaga de bandeja ao vencer os EUA na última rodada – e México, no polêmico 3 a 2. É uma equipe mediana que não se impõe tanto em casa, vencendo apenas três partidas esse ano: México pelas eliminatórias e Nicarágua duas vezes.

Já a Austrália está longe de seus áureos tempos, mas faz um top 50 na 43ª posição. Nos últimos cinco duelos a Austrália venceu três, empatou um e perdeu outro. Japão foi seu algoz e Arábia Saudita, Tailândia e Síria suas vítimas. É uma equipe tecnicamente boa, mas muito apática. Falta sangue para os australianos – não é de hoje – e isso pode complicá-los.

No geral a Austrália está um nível acima de Honduras, mas a falta de vontade apresentada principalmente contra a Síria, pode ser o maior entrave enfrentado pelos cangurus. Mas ainda assim mantenho meu palpite numa vitória australiana.  

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