Quem foi mais caro: Neymar ou Zidane?

Como a contratação mais cara da história pode não ter sido tão cara assim?

Passado, presente e futuro em apenas uma imagem (Foto: Reprodução/soccerladuma.co.za)
Por: Bruno Todaro (RJ)

No dia 9 de julho de 2001, vindo da Juventus, Zinedine Zidane se tornou o jogador mais caro da história naquela época. Para isso, o Real Madrid teve que desembolsar aproximadamente 77 milhões de euros. Hoje, mais de 15 anos depois, essa transferência é apenas a 9ª maior transação entre clubes, a única pré-2009. O primeiro da lista é Neymar, que custou quase três vezes mais que o francês: 222 milhões de euros. Mas será que, proporcionalmente falando, o brasileiro foi tão mais caro que o camisa 10?

Zinedine Zidane ficou oito anos no topo das transferências mais caras da história do futebol. (Foto: Reprodução/ globoesporte.com)

Certamente esse é um assunto muito complicado de analisar. Quando se fala em dinheiro, é preciso levar em consideração que o “dinheiro de antigamente” valia mais que o “dinheiro de hoje”. Isso é facilmente visto em qualquer supermercado ou lanchonete. O ponto da discussão é saber até onde os times estão arrecadando mais, se ela é proporcional aos gastos, ou se o futebol simplesmente ficou louco após alguns bilionários resolverem brincar de Master Liga, como os dos donos de Manchester City, Paris Saint-Germain, entre outros.

Ao pegar a lista das 50 maiores transferências da história do futebol, vemos que apenas 11 foram feitas até 2008, com destaques para Zidane (9ª) e Luís Figo (19ª), únicos presentes no top 20 até hoje. Podemos dizer que o “boom” foi iniciado em 2009, quando o Real Madrid pagou 94 milhões de euros para tirar  Cristiano Ronaldo do Manchester United. No mesmo ano, o Real ainda pagou mais 65 milhões para contratar Kaka, e o Barcelona precisou de 66 milhões de euros para tirar Ibrahimovic da Inter de Milão. Quatro anos depois o Real Madrid bateu o recorde de transferência mais uma vez. Foram necessários 100 milhões de euros para levar o galês Gareth Bale, sensação da Premier League, para a Espanha.

Cristiano Ronaldo levou 75 mil torcedores em sua apresentação no Santiago Bernabéu (Foto: Reprodução/ globoesporte.com)

O ano de 2013 também trouxe as duas maiores transferências da história dos clubes brasileiros. Lucas Moura saiu do São Paulo para o PSG por 45 milhões de euros, enquanto Neymar saiu do Santos para o Barcelona por um valor desconhecido até hoje, mas que na época foi anunciado por cerca de 60 milhões de euros. Desde a venda de Bale, o recorde de transferência foi quebrado mais duas vezes. O Manchester United teve que abrir os cofres no ano passado para trazer Pogba de volta, e depositou 105 milhões para a Juventus. Já nesse último mês o Paris Saint-Germain simplesmente fez esse recorde duplicar ao pagar 222 milhões de euros para contratar Neymar.

Aumento de receitas

Se os valores de transferência disparam, o montante arrecadado pelos clubes crescem proporcionalmente. Em 2001, ano da transferência de Zidane para o Real Madrid, a arrecadação anual do clube espanhol foi de aproximadamente 140 milhões de euros. Já em 2009, quando trouxe Cristiano Ronaldo, o clube da capital espanhola arrecadou 440 milhões. Quando trouxe Gareth Bale em 2013 por 100 milhões de euros, o Real conseguiu arrecadar 550 milhões. Esses números são disponibilizados pela empresa Deloitte, que contabiliza toda a receita gerada a partir das operações de futebol de cada time. A última atualização foi feita com a temporada 2015-2016.

No mundo do futebol, se você não tem uma grande marca como Real Madrid e Barcelona, o caminho mais rápido para gerar uma grande receita é gastando. Exemplos para isso não faltam. O Manchester City costumava ficar abaixo de times como Celtics-ESC e Newcastle-ING, pouco expressivos hoje. Após ser comprado 2008, nunca mais ficou abaixo do top 20. Os citizens, que arrecadaram 101 milhões de euros (19º) em 08-09, conseguiram aumentar para 152 milhões (11º) em 09-10, 170 milhões (12º) em 10-11, e finalmente 285 milhões (7º) em 11-12, ano do título inglês histórico. Hoje o City ocupa a 5ª colocação, com  arrecadação de 525 milhões na temporada 15-16. Outro exemplo é o PSG, comprado em 2011, que só foi aparecer no ranking em 11-12, com uma receita de 220 milhões de euros. Quatro anos depois, na temporada 15-16, o time parisiense arrecadou 520 milhões de euros.

Se a cidade de Manchester tem um dos melhores clássicos da atualidade, devemos muito disso ao Sheikh Mansour (Foto: Reprodução/ espnfc.com)

Valor de transferência X Arrecadação anual

É muito comum, e até compreensível, ouvir em rodas de discussão alguém dizendo ser inadmissível um jogador como Higuaín ter custado quase o dobro do valor pago por Ronaldo Fenômeno em 2002. Mas o que poucas pessoas se dão conta é que, proporcionalmente, foi mais caro para o Real Madrid pagar 46 milhões de euros em 2002 do que para a Juventus desembolsar 90 milhões em 2016. Com uma arrecadação de 341 milhões em 15-16, os 90 milhões do argentino representam apenas 26% do arrecadado na temporada anterior. Já em 01-02 o Real Madrid arrecadou 152 milhões. Com isso, ao gastar 46 milhões na contratação do Fenômeno, esse valor representou 30% do arrecadado anteriormente.

Um dos maiores ídolos do esporte mundial, reconhecido como um dos maiores de todos os tempos. O outro é só o Ronaldo (Foto: Reprodução/ Gazeta Online)

Outros exemplos:

Pogba: Juventus -> Manchester United – 105 milhões (2016) = 15% do arrecadado em 15-16 (689 milhões)
Verón: Lazio -> Manchester United – 46 milhões (2001) = 21% do arrecadado em 00-01 (217 milhões)

Bale: Tottenham -> Real Madrid – 100 milhões (2013) = 19% do arrecadado em 12-13 (519 milhões)
Beckham: Manchester United -> Real Madrid – 37,5 milhões (2003) = 19% do arrecadado em 02-03 (194 milhões)

Nesses exemplos acima foi possível concluir que a contratação de Pogba por 105 milhões no ano passado foi “mais barata” que a contratação de Verón por 46 milhões em 2001. Também vimos que Bale e Beckham tiveram gastos igualmente proporcionais, embora um tenha custado 100 milhões, enquanto o outro custou “apenas” 37,5 milhões.

O Real Madrid pagou 77 milhões de euros no Zidane em 2001, equivalente a 56% do arrecadado na temporada anterior (138 milhões). Para ao menos igualar essa porcentagem na transferência que levou Neymar para Paris, o PSG teria que lucrar algo em torno de 400 milhões de euros. O clube francês recebe este valor desde 2014. O montante recebido em 15-16 foi de 521 milhões, muito mais do que o necessário para fazer a compra de Neymar ser “mais acessível” do que a de Zidane em 2001.

Serenidade no olhar de quem vai trazer o hexa em 2018 (Foto: Reprodução/ goal.com)

Ainda acha que a contratação do Neymar foi a maior loucura já vista no futebol? Os números provam o contrário. E ainda mostram que o retorno costuma ser positivo.

Fontes: Wikipedia, Deloitte Football Money League (via wiki), TransferMarkt

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