Realmente criamos um monstro

René Simões estava certo!

Neymar na apresentação ao PSG (Foto: Lionel Bonaventure/AFP)
Por Hugo Netto, MG

No dia 30 de janeiro, na semifinal da Copa da Liga Francesa, o Rennes recebeu o PSG e perdeu por 3 a 2. Mas com a supremacia absoluta do time da capital e a enorme discrepância no nível técnico em relação às outras equipes que participam dos torneios franceses, o resultado dessa partida pouco importa. O que importa é que, mesmo sem balançar as redes ou fazer mais uma de suas atuações de gala, o maior representante do futebol brasileiro atualmente foi, mais uma vez, destaque nas manchetes dos principais jornais esportivos de todo o mundo.

A polêmica

Neymar apareceu desta vez principalmente por dois lances, já no final da partida, e ambos lembravam muito aquela jovem promessa santista e seu comportamento característico. O primeiro foi uma enorme demonstração de categoria e do seu famoso futebol “ousado e alegre”, quando dominou a bola nas costas e logo na sequência aplicou um belo chapéu no meia Bourigeaud, do Rennes, que não aceitou muito bem o drible e decidiu parar o brasileiro a todo custo, puxando-o e cometendo a falta. Houve, inclusive, um início de confusão por parte de seus companheiros, que também se ofenderam com a bela jogada.

O segundo e mais contestado foi considerado um ultraje por grande parte da imprensa. Após fazer uma falta de ataque em Traoré, driblou o zagueiro Gelin, que vinha buscar a bola, e a jogou para longe, já causando as primeiras vaias. Foi a famosa “catimba” sul-americana, já que o Rennes havia acabado de reduzir a diferença no placar para apenas um gol e a partida já estava nos acréscimos. Neymar recebeu o cartão amarelo e logo em seguida protagonizou a tal polêmica: correu para o jogador caído e lhe ofereceu ajuda para se levantar, mas recolheu a mão antes que o malês a alcançasse.

Neymar recebendo o cartão pela falta cometida e Traoré ainda no chão (Foto: Foto: Loic Venance/AFP)
Neymar recebendo o cartão pela falta cometida e Traoré ainda no chão (Foto: Foto: Loic Venance/AFP)

Monstro ou herói?

Em setembro de 2010, quando começava a despontar pelo Santos, o temperamento de Neymar foi criticado por René Simões, na época técnico do Atlético-GO. O treinador insistiu diversas vezes que o jogador era o mais mal-educado que ele já tinha visto, e que deveria ser educado urgentemente, pois estavam criando um monstro.

Mas driblar o oponente de forma cada vez mais elaborada, sempre que se tem a oportunidade, não é falta de educação. Provocar o jogador que vinha fazendo duras faltas no brasileiro, driblando-o até mesmo na hora de oferecer ajuda não é prejudicial ao esporte. É o trabalho do defensor tentar parar o atacante de qualquer jeito possível, ainda mais sendo ele um dos três melhores jogadores do mundo. Assim como é o trabalho desse atacante tornar a vida da defesa um verdadeiro inferno, por todos os meios que encontrar.

René não foi ouvido. Mesmo apesar de toda a perseguição de imprensa, “corneteiros”, dirigentes, treinadores e jogadores rivais, o “Garoto da Vila” não se desfez de sua personalidade, nem se moldou aos costumes das ligas europeias. Pelo contrário, faz com que seus adversários aceitem seus próprios costumes. Pelo bem do futebol, Neymar tem se tornado, sim, um monstro. Um monstro da superação, onde a cada marca que ultrapassa faz com que seus críticos arrumem novas acusações contra o craque. Um monstro do futebol mundial, que tem como limite agora, apenas a superação dos “extraterrestres” que totalizam 10 bolas de ouro. Um monstro das fintas, que traz o inusitado para dentro de campo, nos fazendo lembrar de ídolos passados, como Ronaldinho. E, se a época do “Bruxo” passou, apreciemos agora a do “Monstro”.

Fontes: Goal, Globo Esporte, O Gol

4 Comentários em Realmente criamos um monstro

  1. Neymar é realmente craque, isso ninguém discute. Só que o menino já tem 26 anos e tá na hora de virar adulto; quantas vezes, pela seleção, ele já levou cartões de maneira estúpida, por não saber lidar com a marcação forte ou provocações adversárias? O cara é acima da média tecnicamente, ok, fico feliz, mas quer mostrar isso toda hora, exagera nos ‘chapéus pra trás’ e firulas no meio de campo e acaba sendo muito babaca, e textos como esse só o incentivam a ser cada vez mais assim. Parem de vangloriar o cara por ser idiota, por favor, se não ele só vai piorar.

  2. A matéria ia bem até comparar com Ronaldinho Bruxo. Ele humilhava os caras na bola, mas era simpático, sorridente. No fim do jogo os caras queriam a camisa dele, tirar foto. O Neymar ao fim da partida o adversário quer dar porrada nele. Ele é mais pro estilo do Romário.

  3. Porra, o R10 é exatamente o contrário do Neymar. A comparação é esdrúxula do ponto de vista da “catimba”. R10 driblava, deixava no chão, dava chapéu…e foi mestre em arrebatar qualquer público que o assistia. Foi aplaudido pelo Real Madrid, na casa do adversário, pela torcida adversária. Neymar consegue deixar de nariz torto os próprios companheiros e a própria torcida. E sai irritado que nem menino mimado qnd isto acontece.

    Se quiser fazer catimba, que aprenda a fazer. “Malandro é malandro e mané é mané”. E o que tenho ctz: Neymar não é malandro. Tevez, Batistuta, e Messi vem do país mestre na catimba e nunca precisaram deste estrelismo todo. R9 e R10 foram muito mais gênios em suas épocas e nunca fizeram tal estrelismo. Romário, de gênio forte, mestre da provocação nunca precisou fazer o mesmo na Europa dentro de campo; e aliás, vira e mexe critica o Neymar.

    O problema do Neymar é que ele quer tentar fazr malandragem mas não as manhas e nem sabe o momento certo de executar.

  4. Não é bem assim, Ronaldinho sempre teve respeito com os adversários fora das 4 linhas, em lances com a bola parada e etc. Fora com os companheiros, ele não tentava chamar toda a atenção a qualquer custo, ele simplesmente tinha toda a atenção pelo futebol que apresentava. Neymar é um monstro dentro de campo, mas é tbm muito babaquinha, n sei porque ficar exaltando isso como qualidade. Puxa o saco dele pela bola que joga porra, não por ser otário com os outros.

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