Renato Augusto e o lance que nem o sonho pode mudar

Como um lance muda toda a história de uma nação

Poderia ser o lance da Copa... poderia (Foto: Reprodução internet)

Por: Daniel Bravo, MG

Eu ainda me lembro de como o clima era maravilhoso antes do jogo. Cheguei ao trabalho em um daqueles raros momentos onde algo era maior que as regras da empresa. Onde todas as blusas sociais haviam sido trocadas pelo manto da seleção brasileira. Em meio a toda carga recente que assombrava o real significado da camisa amarela, eu já não recordava como me caía bem aquela camisa canarinho com o nome do R10 nas costas.

O clima de confiança para passar pela “ótima geração belga” era gigante. A certeza que Neymar e Coutinho resolveriam, que o menino Jesus enfim iria decolar na Copa. Não tinha como dar errado.
Me lembro de comer rápido em um lugar onde todos já pensavam no jogo, buscar minha namorada e irmos à casa de uma amiga dela. A família e os amigos reunidos, churrasco, cerveja e o clima não poderia ser melhor. Torcedores de todos os times juntos por algo maior. As crianças brincando no quintal e todo mundo ali. Juntos pela seleção brasileira de futebol.

Um pouco menos colocado e tudo mudaria. (Foto: Reprodução internet)

O sonho começou a findar. Aquele lance do Fernandinho me doeu de uma forma inesperada. Tinha uma carga de 2014 ali, um cheiro de chacota sofrida em casa, dentro do Mineirão, o estádio que eu sempre fui para ser feliz e onde vivi os melhores momentos que alguém pode ter. Não era só um 1×0, era pior, era ver um cara marcado por uma derrota histórica, sofrer mais um golpe. Foi foda, doeu a alma e ainda dói.

Confesso que a entrada do Renato Augusto foi prontamente vaiada por todos os presentes e eu fui um deles.  Ah o futebol, sempre imprevisível.

Na hora do gol, eu comecei a pensar em como ainda dava pra virar, que o Brasil ganharia “corpo” de campeão e o gol do Renato de forma inesperada era tudo que a gente precisava pra colocar força numa história que terminaria bem.

O lamento de Renato. (Foto: Reprodução internet)

O jogo seguia, a expectativa aumentava e junto dela o desespero. Eis que pouco depois, um Renato solto, livre, arrancando como se tivesse sendo empurrado por 200 milhões de brasileiros. Por um povo que há tempos tem sofrido tanto com um país cheio de marcas e problemas.

Não entrou. O gol, apesar de todo capricho, caprichou em não entrar. E não entrará mais nunca, nem nos meus sonhos consigo rever aquele lance com um final feliz.

O fim de um sonho. (Foto: Reprodução internet)

Depois do jogo, segurei as lágrimas. Pela derrota, por mais uma dor do nosso povo. Doeu ainda ver a entrevista da Glenda sobre a mãe de Fernandinho que chorava por mais uma dor de um filho, ou sobre o relato do Geromel: “O Renato estava sentado do meu lado no vestiário. Ele estava chorando, e todo mundo ficou cabisbaixo. Mas ele não parava, e falei para não ficar assim, para levantar a cabeça. Ele me olhou incrédulo, me atravessando com o olhar, e disse: ‘O goleiro dos caras é grandão, só fui tirar um pouco dele, mas saiu um pouquinho mais. Era a bola do jogo, o lance da Copa’. Ele estava inconsolável”.

Eu te entendo, Renato. Eu também fiquei.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*