Retrospectiva – Campeonato Brasileiro de 2016: Série A

O maior campeão nacional com a tão sonhada taça Foto: (Friedmann Vogel/Getty Images)
Por: Lucas Bastos Gabriel, SC  e Pedro Portugal, MG

A sexagésima edição do Campeonato Brasileiro foi histórica, principalmente para palmeirenses e colorados. O Palestra se tornou eneacampeão nacional, titulo não vinha desde 1994. Foram vinte e dois anos de espera. Com a conquista, o alviverde se tornou o maior campeão nacional. Já para o lado vermelho do Rio Grande do Sul, é possível afirmar que esse foi o pior ano da história do clube. O Internacional, enfim, conheceu o descenso. A principal causa da queda é creditada aos consecutivos erros da direção do clube. Além desses fatos, aconteceram outras inúmeras histórias que, ao decorrer desta matéria, estarão presentes.

O primeiro causo do Campeonato Brasileiro sequer envolve equipes, jogadores, técnicos e direções. A emissora Bandeirantes, duas semanas antes de começar o campeonato, anunciou que não transmitiria a competição por nota: ”Em que pese o enorme esforço de ambas as empresas para viabilizarem a continuidade da exposição conjunta dessa competição,  o agravamento da crise econômica impediu a Band de prosseguir com esse licenciamento, a partir da temporada 2016″, dizia o comunicado. Desta forma, a transmissão do Brasileirão ficou só no poder dos canais da Rede Globo.

No inicio da disputa, os futuros rebaixados, Internacional e Santa Cruz, começaram de excelente forma. O colorado, depois do Palmeiras, incrivelmente foi o time que mais teve rodadas na liderança. O até então técnico do clube gaúcho, Argel Fucks, nunca assumiu o favoritismo do Inter no campeonato. Também é justo relembrar que esse ano o Internacional não entrou como um dos favoritos à conquista do campeonato. A frase ilustre dele era: “Vamos manter o pezinho no chão”. O Santinha liderou o campeonato por duas rodadas entre os quatro primeiros jogos, ganhou dois no “Mundão do Arruda” e empatou com Fluminense e a nossa querida Chapecoense fora de casa. Porém, a decadência veio muito rapidamente. Coincidiu com a seca de gols do atacante Grafite.

A queda do gigante da Beira-Rio Foto (Bruno Alencastro/Agencia RBS)
A queda do gigante da Beira-Rio Foto (Bruno Alencastro/Agencia RBS)

Os times do Rio de Janeiro não tiveram um bom inicio de competição. O Botafogo era tido na empresa como um dos times que seriam rebaixados, pois não tinha um elenco à altura da disputa, tanto que transitou entre Z-4 e 16ª posição até o segundo turno. O até então técnico do alvinegro, Ricardo Gomes, saiu para treinar o São Paulo. No seu  lugar entrou Jair ventura, que era auxiliar técnico fixo do clube. Com a mudança de treinador o Glorioso arrancou para uma incrível quinta colocação, assim terminando na zona de classificação da libertadores.

O tricolor das Laranjeiras teve um inicio mediano no campeonato, ainda perdeu seu ídolo-mor no elenco. Fred saiu do Fluminense rumo ao Atlético Mineiro. O protagonismo no tricolor foi assumido pelo jovem meia Gustavo Scarpa. O clube chegou a aspirar o finado G-4, o qual conseguiu chegar, entretanto, quando virou G-6 o Fluzão não conseguiu se manter e ficou uma série de jogos sem ganhar terminando assim na 13ª colocação.

O rubro negro perdeu Muricy Ramalho logo no inicio da competição. O técnico teve que se afastar do clube por motivos de saúde, então, o Mengão recorreu a Zé Ricardo, que saiu melhor que o esperado. Colocou o time no rumo e fez o Flamengo se manter sempre perto do G-4, que foi alcançado próximo do final do turno. Chegou a sentir o “cheirinho” do hepta, mas o time na reta final caiu de rendimento empatando uma serie de 3 jogos no seu retorno ao Maracanã, o Flamengo acabou na honrosa 3ª colocação.

Os clubes do Paraná, Atlético e Coritiba, tiveram campanhas muito diferentes. Apesar dos dois não terem o inicio desejado, o Furacão tinha desempenho excepcional em casa e muito fraco fora da Baixada. Esse comportamento na Arena foi o responsável pela classificação a Copa Libertadores da América, enquanto o Coxa não conseguia manter uma regularidade no campeonato e suspirou contra o temido Z-4, se salvando matematicamente com um empate heroico contra o Flamengo no Maracanã.

Mais uma vez o Atlético-MG fez um 1º turno fantástico. Com um ataque entrosado e um meio de campo criativo, o Galo foi um forte aspirante ao título que persegue desde 1971. Porém, no 2º turno, o time perdeu o fôlego, revelando uma defesa frágil, característica negativa que vêem marcando os recentes trabalhos do técnico Marcelo Oliveira. Os problemas defensivos foram determinantes para a queda de rendimento do time, que fez uma belíssima temporada e teve como destaques Robinho e Fred, jogando em elevado nível. O time se classificou para a Libertadores pela 5ª vez consecutiva, uma marca invejável e merecedora de todos os elogios.

Já seu arquirrival Cruzeiro, apresentou mais um ano de múltiplos fracassos. A Raposa correu risco durante boa parte da competição. Mesmo com um plantel razoável, o time azul celeste jogou um futebol fraco na questão de nível técnico e tático, muitas vezes mostrando-se completamente perdido dentro de campo. Fruto de uma aposta de altíssimo risco ao escolher David como treinador no inicio da temporada, a diretoria salvou-se ao repatriar Mano Meneses que, entre trancos e barrancos, conseguiu livrar o time da degola. Com sua manutenção no cargo, a China Azul tem esperanças em um 2017 vitorioso.

O América começou a competição com esperanças, pois saiu fortificado do campeonato estadual, onde foi campeão. Mas aquela famosa frase “estadual não serve de parâmetro” se fez valer, o coelho fez um péssimo campeonato nacional, o time ainda melhorou um pouco com o técnico Enderson Moreira, mas foi em vão, o clube terminou na lanterna do campeonato com 28 pontos.

O Santos mostrou a força das suas categorias de base. Com um futebol jovial e envolvente, o alvinegro praiano deu aula de como a gestão de futebol dos times brasileiros deve ser feita: aposta nas categorias de base. Capitaneados por Ricardo Oliveira, que apesar da polêmica transferência não concluída para o futebol chinês ocorrida no meio de campo, jogou muito bem. O Peixe mostrou que confiar nos garotos da vila é mais que uma alternativa, é a solução. O Santos é, hoje, o time que mais revela jogadores, garantindo assim, um futuro promissor, tanto pela ótica futebolística como pela financeira. O resultado foi um grande campeonato brasileiro e classificação direta para a fase de grupos do maior torneio de futebol do mundo, a Libertadores.

O Corinthians talvez tenha sido o time que apresentou a maior queda dentre os 20 da elite. Começou o campeonato com um time compacto, bem postado em campo, com padrão tático definido e liderado fora de campo pelo competente Tite. Após perder o treinador para a Seleção Brasileira, o Timão começou sua sequência magistral de erros, apostas equivocadas e queda acentuada de rendimento. A diretoria, sob pressão da torcida e de escândalos extra campo, não conseguiu segurar o desempenho do primeiro semestre e como resultado amargou uma 7ª posição no campeonato e está fora da Libertadores de 2016.

O Tricolor paulista no inicio da competição estava focado na Copa Libertadores, na qual foi semifinalista, mas foi eliminado pelo atual campeão, o Atlético Nacional. O São Paulo perdeu peças importantes para a disputa do campeonato e não as repôs à altura. As saídas de Ganso, Calleri e do técnico Edgardo Bauza mostraram como o resto do elenco não era bom. O clube sofreu e chegou perto do Z-4, mas se viu livre da queda quando ganhou do Fluminense fora de casa. O time da Fé terminou o campeonato na 10ª colocação.

Festa no Palestra, o campeoníssimo Palmeiras faturou o eneacampeonato, título totalmente incontestável. O verdão tinha o elenco mais qualificado e com opções do campeonato, comandados pelo técnico Cuca, mostrou-se o time mais consistente da competição, não oscilou e garantiu o caneco. Quando assumiu a liderança do brasileiro, não largou mais. Na seleção da competição de 11 jogadores, 7 são alviverde. Foi líder também como melhor ataque com 62 gols feitos, melhor defesa com 32 gols sofridos e também contou com a melhor média da público do certame.

Cuca fez do Palmeiras o melhor em todos os quesitos (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Cuca fez do Palmeiras o melhor em todos os quesitos (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

A Ponte Preta fez um campeonato muito bom para suas projeções com o bom técnico Eduardo Baptista no comando da equipe. A macaca fez alguns jogos interessantes no decorrer da competição. Chegou a sonhar com uma vaga na Libertadores, porém, terminaram o Brasileirão em 8º, somente 4 pontos atras do último classificado para competição continental.

Os rubro negros do nordeste tiveram campanhas muito parecidas, foram muito mal, mas perto do fim da disputa, apareceram seus salvadores. Marinho e Diego Souza carregaram seus times quando mais precisou. Diego Souza foi gigante para o Sport em um jogo contra o Grêmio, e Marinho jogou muito na reta final fazendo vários gols que salvaram o seu Vitória.

O Figueirense até começou de boa forma, conseguindo bons resultados no Orlando Scarpelli, casa do Furacão do estreito, mas fora de casa não ia bem. Começou a perder pontos também dentro de casa, o que fez o seu presidente fazer o time assinar um pacto anti-rebaixamento, o que não funcionou e o time catarinense terminou o Brasileirão em 18º, concretizando sua queda.

A nossa querida Chapecoense fez uma campanha excelente no campeonato nacional. O clube liderado por Caio Jr, chegou próximo ao G-6 da competição, em paralelo a campanha histórica do Indião na Copa Sul-Americana, onde nossos heróis se sagraram campeões. O verdão fez 52 pontos e terminou somente a 5 pontos da zona de classificação da América.

Os heróis de Chapecó Foto: (Reprodução/Calila Noticias)
Os heróis de Chapecó (Foto: Reprodução/Calila Noticias)

Em um ano marcado pela tristeza, devido ao acidente que vitimou a Chapecoense, o campeonato brasileiro encerrou-se sem maiores turbulências. Isso não significa que tratou-se de um bom campeonato do ponto de vista organizacional, muito pelo contrário, temos muito a evoluir nesse aspecto.

 

Fontes: UOL e Globo Esporte

1 Comentário em Retrospectiva – Campeonato Brasileiro de 2016: Série A

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*