Retrospectiva – Copa do Brasil: Grêmio campeão

A Copa do Brasil 2016 trouxe muitas surpresas agradáveis e dentro delas, o fim do jejum de 15 anos do Grêmio

Com o título, Grêmio se tornou o primeiro pentacampeão da Copa do Brasil (foto: reprodução/Getty Images)
Por: Jean Costa, RS

160 jogos e 364 gols, média de 2,28 gols por partida. Show a parte do público e dentro de campo também, ingredientes para a competição mais democrática do nosso brasilzão não faltaram. A 28ª contou com uma final inédita, mas até a finalíssima, um longo caminho foi percorrido. A primeira fase começou sem grandes surpresas para os grandes do futebol brasileiro. Esses passaram para a segunda fase, mas tiveram trabalho, como o Flamengo, que levou um susto no primeiro jogo e reverteu, sem maiores problemas, o placar contra o Confiança-SE. O rubro negro seria eliminado na segunda fase pelo Fortaleza depois das derrotas nas duas partidas. Duelos complicados também marcaram a primeira fase do semifinalista Cruzeiro que, após um 0 a 0 contra o Campinense no primeiro jogo, bateu a equipe Paraibana, por 3 a 2. Surpresas ocorreram em duelos de campeões da Copa do Brasil. Criciúma e Sport eliminados já de cara. A equipe catarinense eliminada pelo Operário-PR e o Leão da Ilha, cortado pelo Aparecidense pelo placar agregado de 4 a 1.

A segunda fase ficou marcada por confrontos complicados para o Vasco, que suou para bater o CRB e pela eliminação do Flamengo diante de um valente Fortaleza. Destaque para as classificações do também campeão da Copa do Brasil, Juventude e para a Chapecoense. O alviverde gaúcho bateu o Coritiba, por 1 a 0, no Alfredo Jaconi, e segurou o empate em 2 a 2 no Couto Pereira após um jogo eletrizante. Já o Verdão do Oeste precisou correr muito para reverter o placar contra o Paraná. Após derrota fora de casa, a equipe catarinense conseguiu a classificação ao bater o adversário por 2 a 0 e, assim, decretando a sua classificação.

Surpresa na Copa do Brasil, Fortaleza bateu o Flamengo nos dois jogos da segunda fase (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
Surpresa na Copa do Brasil, Fortaleza bateu o Flamengo nos dois jogos da segunda fase (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Se por um lado os grandes do Rio tinham passado por dificuldades na competição até aqui, o glorioso alvinegro praiano não vinha tendo problemas. O Santos só sofreu um gol nas primeiras três fases da competição contra o Santos do Amapá. Galvez-AC e Gama não trouxe dificuldade para a equipe. Os clubes paulistas estavam bem no páreo. A Ponte Preta que o diga. A macaca atropelou o Figueirense do técnico que viria a ser “bi-rebaixado”, Argel Fucks. Um 0 a 0 no primeiro jogo e um avassalador 5 a 0 no segundo. Com a exceção do Bragantino, que viria a ser eliminado pelo Botafogo após dois jogos equilibrados, os paulistas seguiram em frente. Em compensação, os cariocas tiveram árduas missões. Vasco e Fluminense empataram em casa contra Santa Cruz e Ypiranga-RS, ocasionando um sabor de derrota para as equipes pernambucana e gaúcha. Nos jogos de volta, o gigante da colina e o tricolor reagiram e bateram os adversários fora de casa. O Vasco venceu o Santa, por 3 a 2, e o Flu bateu o Ypiranga por 2 a 0, assim, garantindo vaga nas oitavas. Surpresas como Botafogo-PB e Fortaleza seguiram em frente, o primeiro ao bater o Ceará e o segundo por eliminar o América-MG. Juventude, Atlético-PR e Cruzeiro também se classificaram, o último ao vencer o Vitória, do artilheiro da competição com 6 gols, Marinho.

Santa Cruz e Vasco da Gama travaram dois jogos eletrizantes na terceira fase (Foto: reprodução: SJB Online)
Santa Cruz e Vasco da Gama travaram dois jogos eletrizantes na terceira fase (Foto: reprodução: SJB Online)

As fases finais chegam e entra o campeão

E o tricolor começou muito bem ao vencer o Atlético Paranaense fora de casa. Parecia que tudo se encaminhava para uma vaga sem problemas, mas o jogo de volta teve suas surpresas. Estreia de Renato Portaluppi no comando e o Grêmio perde no tempo normal pelo mesmo placar do jogo de ida, após uma falha do goleiro Marcelo Grohe. Vieram os pênaltis e um dos momentos mais tensos da Arena do Grêmio até aqui. Um festival de erros nas penalidades, cinco da parte do Furacão e Grohe estava lá para se redimir e defendeu três delas. 4 a 3 nos penais e Grêmio nas quartas. Show a parte foi do Cruzeiro, que atropelou o Botafogo em pleno Rio, por 5 a 2, e na partida de volta venceu, por 1 a 0. Os dois maiores campeões da Copa do Brasil estavam a caminho: Corinthians, Palmeiras e Internacional. Esses classificaram após baterem Fluminense, Botafogo-PB e Fortaleza. Santos e Atlético-MG travaram duelos contra Vasco e Ponte Preta. Foram 4 belíssimos jogos e com muitos gols. O alvinegro praiano bateu o gigante da colina pelo placar agregado de 5 a 3. Venceu na Vila Belmiro, por 3 a 1, e empatou em São Januário, por 2 a 2. Já o Galo, teve trabalho e contou com a sorte. Foram dois empates com a macaca, sendo que no segundo jogo chegou a estar tomando 2 a 0 e conseguiu buscar a classificação. Um jogo dramático, decidido no final.

E, por fim, o maior espanto: o Juventude. A equipe gaúcha derrotou o São Paulo em pleno Morumbi, por 2 a 1. A equipe comandada por Antônio Carlos Zago já vinha demonstrando bom futebol ao longo de toda a competição e sempre com um trato de bola especial que o treinador integrou a equipe. O Juventude foi superior e por pouco não saiu com um placar maior. Coube, então, aos gaúchos administrarem. A derrota por 1 a 0 dentro de casa não abalou a empolgação do time, já que poderia perder por esse resultado. Despedia-se a equipe paulista e para as quartas mais um campeão da Copa do Brasil se classificava.

Surpresa nas oitavas, Juventude bateu o São Paulo em pleno Morumbi (foto: reprodução/Goal.com)
Surpresa nas oitavas, Juventude bateu o São Paulo em pleno Morumbi (foto: reprodução/Goal.com)

Quartas de final

As quartas de final não poderiam ser melhores. Duelos marcados por campeões da Copa do Brasil. O Inter, focado em se livrar do rebaixamento, jogava com time praticamente reserva contra o Santos. A equipe da Vila vencia por 2 a 0 até o final, quando Vitinho cobrou falta e Seijas desviou de letra para descontar. No jogo de volta, uma surpresa ainda maior. Os reservas colorados bateram o Santos por 2 a 0 e colocaram a equipe na semi. Corinthians e Cruzeiro fizeram um duelo equilibrado, em São Paulo. Melhor para a equipe ,que venceu por 2 a 1. Foram para Minas Gerais com nada decidido e, lá, o Cruzeiro de Arrascaeta, Sóbis e Ábila bateu o Corinthians por 4 a 2. Atuação de luxo do trio aproximava o Cruzeiro do penta, mas o adversário que viria pela frente também buscava o mesmo.

O Grêmio enfrentou o Palmeiras, líder do brasileirão e elenco forte o suficiente para brigas pelas duas competições. Na Arena, melhor para o tricolor gaúcho, que bateu o Verdão por 2 a 1, com um gol à lá Van Basten do volante Ramiro. Na volta, o Palmeiras foi com o time praticamente reserva e propôs um jogo dificílimo para o Grêmio. Thiago Martins colocou os paulistas na frente. Eliminação parecia estar a caminho do tricolor, mas o meia Allione foi expulso após um carrinho bobo, o que facilitava a vida tricolor para buscar o empate que veio atrás de Everton, o Cebolinha, aos 30 minutos do segundo tempo. O gol deu vida ao Grêmio que, por pouco, não virou. Sem paulistas ou cariocas nas semifinais cabia a Atlético-MG e Juventude decidirem quem ficaria com a última vaga. Apesar de jogar na Série C, a equipe gaúcha travou dois duelos equilibrados com o Galo. Derrota em Minas por 1 a 0 e em Caxias com menos de 50 segundos de jogo já havia deixado tudo igual. Se no tempo normal houve igualdade, nas penalidades o goleiro Victor desequilibrou. Decisivo sempre, o arqueiro garantiu a classificação para os mineiros.

Cruzeiro reverteu a situação nas quartas ao bater o Corinthians por 4 a 2 no Mineirão (foto: ESPN)
Cruzeiro reverteu a situação nas quartas ao bater o Corinthians por 4 a 2 no Mineirão (foto: ESPN)

Semifinais

Gaúchos e Mineiros. Duelos que pararam os dois estados. Inter e Atlético foi definido no primeiro jogo. A vitória do Galo fora de casa foi crucial. A mesma que é considerada injusta já que o colorado não soube aproveitar o tanto de chances que teve durante os primeiros 90 minutos. Na volta, um 2 a 2 com sabor de “quero mais”. Os reservas do colorado tinham mais vontade que os titulares no Brasileirão e por pouco a classificação para a final não veio. Melhor para o Atlético que novamente era finalista e estava a dois passos do paraíso. No outro duelo entre churrasco e tropeiro, quem levou a melhor foi o tricolor. O Grêmio bateu o Cruzeiro em pleno Mineirão, por 2 a 0, e só administrou o resultado na Arena. Uma final inédita. O penta ou o bi estavam próximos.

Atlético Mineiro não teve vida fácil diante dos reservas do Internacional nas partidas das semifinais (Foto: Bruno Cantini / Atlético-MG)
Atlético Mineiro não teve vida fácil diante dos reservas do Internacional nas partidas das semifinais (Foto: Bruno Cantini / Atlético-MG)

Final

Ainda na briga pela Libertadores via Brasileirão, a alternativa considerada mais viável para o Grêmio seria vencer a Copa do Brasil. Além de ter recuperado aquela vontade dos anos 90, o clube precisava encerrar o jejum de 15 anos sem títulos. E foi o que o tricolor fez. O rival era o Atlético, que havia eliminado o maior rival do imortal e contava com os carrascos Lucas Pratto e Robinho.

No jogo de ida, no Mineirão, o Grêmio não tomou conhecimento do adversário e em uma grande exibição, a equipe venceu por 3 a 1, com dois gols de Pedro Rocha e um de Everton, resultado praticamente irreversível que o galo precisaria reverter na Arena. A atuação de gala do tricolor deixou o fim do jejum próximo e quando o Galo demitiu o treinador Marcelo Oliveira, a confiança aumentou. Quisera o destino que a tragédia irreparável com a Chapecoense acontecesse na véspera do segundo jogo, assim adiando a final por uma semana.

Pedro Rocha, o nome da decisão no Mineirão (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)
Pedro Rocha, o nome da decisão no Mineirão (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

No confronto decisivo, 55 mil torcedores lotaram a Arena do Grêmio que fizeram homenagens e uma festa incrível. O Tricolor gaúcho cumpria o papel perfeito durante a decisão, apesar das chegadas do Atlético. Foi assim até os 46 minutos da segunda etapa, quando Bolaños marcou o gol que, definitivamente, dava o título aos azuis. Entretanto, o também equatoriano Cazares, fez aquele que pode ser considerado o gol inútil mais lindo de todos os tempos. O gol que Pelé não fez. Candidato a Puskás, mas de nada adiantou. Grêmio campeão da Copa do Brasil 2016!

Campanha do Tricolor na Copa do Brasil 2016

8 jogos, 4 vitórias, 3 empates, 1 derrota, 10 gols marcados e 5 gols sofridos.

 

Fontes:  Clicrbs, Arenal Geral, Globo Esporte, Arena Geral

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