Retrospectiva – Série A 2016: Times rebaixados

(Foto: Reprodução/ Radar da Bola)
Por: Jean Costa, RS | Victor Portto, CE | Pedro Pereira, MA|  Diego Giandomenico, PR

Queda de divisão. Se você não torce para alguma franquia da MLS ou tem algum time do Campeonato Australiano de Futebol como seu favorito, esse é um assunto que passará pela sua vida. Todo o ano é igual. Equipes sobem, equipes caem. E nessa gangorra, o maior afetado é o torcedor, que volta e meia vê o fantasma do rebaixamento ceifar o seu time do coração. A não ser também que você torça para os times “incaíveis”: São Paulo, Flamengo, Cruzeiro e Santos. Porém, como você já deve ter percebido, um dos membros honorários desse controverso grupo deu adeus aos seus amigos e abandonou a honra de ser um dos times grandes que não caiam. O Internacional sentiu o gosto amargo do rebaixamento pela primeira vez. Junto com ele, caíram Figueirense, Santa Cruz e América-MG. Uns mais surpreendentes, outros nem tanto. Vamos falar um a um sobre o desempenho no Brasileirão. A começar pela equipe que segurou bravamente a lanterna por quase todo campeonato, o América-MG.

A lanterna que nunca se apagou guiou o América ao seu lugar de origem

Ser torcedor do América-MG não deve ser tarefa muito simples. Divide a mesma cidade com dois gigantes e parece que seu time não se esforça muito para ser carismático o suficiente para atrair um bom número de espectadores para seus jogos. Imagine que seu clube voltou à elite após 5 anos e logo no primeiro jogo o público fica perto da casa das 2 mil pessoas. É verdade, o América-MG não empolgou nem um pouco desde a primeira rodada. Mas parece que talvez sua torcida não se empolgue lá com muita coisa, pois o Coelho havia sido campeão mineiro pela primeira vez em 15 anos, além de retornar para a Série A e mesmo assim não conseguiu atrair muita gente pro estádio. Quem sabe com um título mundial, a torcida dê mais moral. O fato é que a média de público do América-MG acompanhou a modorrenta saga da equipe e também ficou como a pior do campeonato. O ápice foi no jogo contra o Atlético-PR, que inclusive acabou com vitória para o Coelho, quando 518 pagantes viram o jogo.

Ano do América-MG foi como o sábio mineiro diz: tava bom, tava ruim, agora parece que piorou. (foto: Trivela)
Ano do América-MG foi como o sábio mineiro diz: tava bom, tava ruim, agora parece que piorou (Foto: Trivela)

O Brasileirão começou com o comando do homão do Givanildo Oliveira. Tendo levado o time à Série A e conquistado o título do Campeonato Mineiro, Givanildo parecia o homem certo para levar o Coelho a uma campanha tranquila. Mas não foi bem o que aconteceu. Givanildo foi demitido sem conquistar uma simples vitória Em seu lugar, veio o técnico que até o momento estava em alta, o português Sérgio Vieira, que havia feito uma boa campanha com a Ferroviária-SP. Porém, não chegou nem perto de fazer sucesso. E depois de apenas 43 dias, o português dava adeus ao clube, o deixando com apenas 8 pontos em 15 rodadas. O América-MG parecia fadado a repetir a terrível campanha de seu xará, o América-RN. Porém a contratação do Enderson Moreira e de alguns jogadores, ajudou um pouco a equipe mineira e por um momento parecia que eles conseguiriam uma reação. Na rodada 32, inclusive, chegou a deixar a lanterna nas mãos do Santa Cruz, mas acabou ficando com ela mesmo no final.

Para um time que sofreu tanto, alguns jogadores conseguiram certo destaque no elenco. Como é o caso do goleiro João Ricardo, o meia Osman e o ídolo da torcida Leandro Guerreiro. Mas para uma equipe que queria se manter na Série A, perder TODOS OS JOGOS fora de casa não poderia ser uma opção. No geral foram 7 vitórias, 7 empates e 24 derrotas, conseguindo ser melhor que o xará do nordeste, que em 2007 foi rebaixado com 4 vitórias, 5 empates e 29 derrotas. Mesmo assim, o América Mineiro de 2016 conseguiu se estabelecer como um dos piores times da era dos pontos corridos do Brasileirão. Parabéns, Coelho.

Da liderança no Brasileiro ao rebaixamento, o ano colorado

O Internacional começou o Campeonato Brasileiro confiante após o hexa campeonato estadual, mas acabou caindo para segunda divisão. Geralmente o colorado é apontado como forte candidato a disputa do título, mas em 2016 o Inter sequer era considerado como um dos favoritos, o que no início pareceu ser bom, pois parecia ter tirado um pouco da pressão que os jogadores costumam a sofrer para conquistar o tetra. Diminuição de gastos era um dos objetivos da direção colorada para a temporada e com isso, o elenco foi enxugado. Nomes como Alisson e Aránguiz foram vendidos para equipes europeias, mas o maior destaque também se foi, D’Alessandro. O meia foi embora e o medo da famigerada “Daledependência” voltou à tona no colorado, mas a conquista do Campeonato Gaúcho e o início na Série A logo fizeram parecer que tudo estava bem.

Sem a pressão de temporadas anteriores, o Inter foi logo pontuando bem. Os resultados eram simples, mas suficientes para garantir os três pontos. E na quarta rodada, o colorado chegou a dividir a liderança com o maior rival. Grêmio e Internacional tinham 10 pontos, mas na quinta rodada a liderança isolada veio. O Adversário era o Atlético-PR e o colorado, com gol de Vitinho, mais uma vez fazia o simples para alcançar o topo. Mesmo com a liderança em mãos alguns problemas eram evidentes. O time tinha um baixo rendimento dentro de campo, às atuações não eram de encher os olhos, mas o ataque fez o básico e o maior destaque do clube na temporada, Danilo Fernandes, fazia o possível lá atrás para garantir os resultados. Apesar dos problemas de rendimento, sem contar os defensivos, que foram evidentes já no início, o momento era bom para o lado vermelho do RS.

Veio então a melhor atuação do clube do povo na competição. O Atlético-MG seria a vítima da rodada. A melhor partida do Internacional na competição foi de encher os olhos da torcida. O bom futebol apresentado pela equipe e atuações individuais destacadas diante do galo convenceram os torcedores de que poderiam sim sonhar com o Tetra. Mas nem o colorado mais pessimista pensaria que o jogo seria um fato isolado e que a partir dali, os problemas do Sport Club Internacional começariam.

Foi logo após a atuação de gala contra o Atlético que se deu a derrocada do Internacional. Veio então uma sequência de 14 jogos sem vitória. Cinco empates e nove derrotas durante o período que parecia interminável. Detalhe, o colorado perdeu cinco partidas seguidas entre a 11ª e a 15ª rodada. Nesse período a defesa que já era contestada, se tornou motivo de ira da torcida. 23 gols sofridos durante o período e apenas 13 gols marcados. Parecia que havia sido rogada uma praga, mas o rendimento estava muito abaixo. Ali também começava a dança das cadeiras. Saiu Argel e entrou Falcão. O ídolo do clube sequer conseguiu vencer e após cinco jogos deixou o comando. Veio então Celso Roth e a Swat colorada. O técnico conseguiu alguns triunfos entre Brasileiro e Copa do Brasil, mas nas 22 partidas em que comandou o clube o aproveitamento foi baixíssimo. O Inter estava na 13ª quando o treinador assumiu a missão de dar um “sai pra lá” no rebaixamento, mas acabou deixando o colorado em 17º e assim saindo da equipe. A última esperança então foi depositada em Lisca, mas o técnico carismático pouco conseguiu fazer para livrar o colorado da queda. Talvez se a direção tivesse demitido Roth duas rodadas antes, ele poderia ter feito algo pelo clube.

Um dos raros destaques na temporada do clube, a torcida jamais deixou de apoiar (Ricardo Duarte / Internacional)
Um dos raros destaques na temporada do clube, a torcida jamais deixou de apoiar (Foto: Ricardo Duarte / Internacional)

A direção do Internacional errou muito durante a temporada, assim fazendo parte do lado negativo no ano colorado. Já a torcida jamais abandonou o clube. Além de Danilo Fernandes e o lateral William, os torcedores colorados fizeram parte dos destaques positivos do clube no campeonato. O colorado irá começar 2017 sob nova direção, Marcelo Medeiros e os novos membros terão a missão de tirar o colorado da B. Muito trabalho virá pela frente, mas para o longo caminho, a equipe terá D’Alessandro novamente.

https://www.youtube.com/watch?v=3zUyAS3HadM

D'Alessandro volta ao Inter após se despedir do River Plate com título da Copa da Argentina (Foto: HO / TELAM / AFP)
D’Alessandro volta ao Inter após se despedir do River Plate com título da Copa da Argentina (Foto: HO / TELAM / AFP)

 

2016: o ano para ser esquecido pelo Figueirense

2016 foi um ano para ser esquecido no Figueirense. O time que já havia se livrado do rebaixamento no Campeonato Brasileiro do ano passado, terminando na 16ª posição na tabela, não resistiu a uma nova temporada ruim e retornou a Série B. Em uma campanha marcada pela briga contra a degola, a equipe terminou o campeonato em 18º lugar. Podemos dizer que a temporada do Figueira foi marcada pela bagunça em seu futebol, pois já em fevereiro o clube partia para a primeira troca no comando técnico na temporada (saía Hudson Coutinho, retornando ao papel de auxiliar que deixara no ano anterior, e assumia Vinícius Eutrópio). A direção já dava neste momento inicial da temporada os primeiros sinais de que o ano viria a ser muito conturbado em termos de administração do departamento de futebol do clube.

No Campeonato Catarinense, onde costuma ser favorito ao título, o Figueirense teve campanha bastante irregular. Especialmente no 1º turno o time foi mal, tendo uma melhora de rendimento no 2º turno da competição, mas não sendo suficiente para levar a equipe a final. Vinícius Eutrópio resistiria no comando do clube mesmo com o revés na competição e iniciaria o Campeonato Brasileiro como técnico do Figueira. Havia a esperança na melhora de rendimento de alguns jogadores do elenco que não brilharam no estadual para se manter na Série A, mas a equipe tinha como grandes destaques o goleiro Gatito Fernandez e o atacante Rafael Moura. É válido dizer que a torcida já estava descontente com a diretoria do clube desde a montagem do elenco por considerar que ela apostou em jogadores problemáticos para resolver a situação do time, vide a renovação de contrato com Carlos Alberto e outros atletas.

A campanha do Campeonato Brasileiro do Figueira não começou ruim, mas também não era brilhante. Nos 5 primeiros jogos da equipe foram uma vitória, três empates e uma derrota, que a deixavam naquele momento no 11º lugar. Posto que voltaria a ocupar ao final da 9ª rodada, entretanto a partir deste momento o futebol do time que já era instável desde o Campeonato Catarinense caiu de vez de produção e chegou ao final do turno com somente mais uma vitória nesse período. Em meio a esta crise, nova troca no comando técnico, sai Vinícius Eutrópio na 14ª rodada e chega Argel Fucks para tentar mudar o panorama da equipe na competição. Argel ficaria mais 7 rodadas somente comandando a equipe do banco. Ao final do ano foram 5 técnicos que passaram pela área técnica do Figueirense e não conseguiram evitar o temido rebaixamento.

Ainda passaram pelo comando do clube, depois de Argel, Tuca Guimarães e Marquinhos Santos (este vindo de um excelente ano no Fortaleza, saindo de forma polêmica e surpreendente na reta final da Série C).  Em meados de outubro aconteceria um dos episódios mais estranhos e bizarros da fraca campanha do Figueira na Série A deste ano: a famosa assinatura do termo de compromisso por parte dos jogadores que a equipe não cairia. Fato que demonstrou o total descrédito do elenco perante a diretoria, dos cartolas em relação a torcida e que não serviria para nada, visto que os problemas da equipe eram muito maiores do que uma suposta falta de comprometimento dos atletas.

O Famoso termo de compromisso assinado pelos jogadores e comissão técnica do Figueira (Foto: Reprodução/Figueirensefc.com)
O Famoso termo de compromisso assinado pelos jogadores e comissão técnica do Figueira (Foto: Reprodução/Figueirensefc.com)

Por fim, Carlos Alberto foi dispensado do time no decorrer do campeonato por uma entrevista dada ao programa Resenha ESPN e por outros fatores da alçada técnica e extracampo. Somente Gatito Fernandez e Rafael Moura escaparam como destaques positivos da péssima campanha do Figueirense no Brasileirão. Nem termo de compromisso e muito menos as várias mudanças no comando técnico ajudaram a resolver a situação delicada do clube, que demonstrava desde o início do ano que o planejamento não foi bem feito. O Figueira encerrou sua participação na Série A deste ano com apenas 8 vitórias, 13 empates e 17 derrotas, campanha irretocável para o rebaixamento com direito a apenas uma vitória nos últimos dez jogos no campeonato. É hora da torcida recolher os cacos do time, a diretoria observar o que deu errado no planejamento e mirar um 2017 diferente para o Figueira. As primeiras ações foram tomadas com a manutenção do técnico Marquinhos Santos no cargo mesmo com o rebaixamento e a contratação do artilheiro da Série B deste ano para a próxima temporada (Bill, ex-Ceará).

Santa Cruz: do inicio empolgante ao declínio

(Foto/Reprodução: espn.com.br)
(Foto/Reprodução: espn.com.br)

O Santinha voltava a ser um integrante da elite brasileira após 10 longos anos, com altos e baixos e uma volta triunfal da serie D para o topo. O 2016 começou bem animador, com os títulos da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano além de uma vaga garantida para a sul-americana, tudo indicava que a cobra coral teria um ano recheado de competições, um aumento financeiro e expectativa de casa cheia. O elenco formado unia juventude e experiencia, que se traduzia no ataque formado por Keno e Grafite, sem dúvida o principal nome do elenco. Além deles, Léo Moura se juntou ao elenco, uma contratação que foi bastante contestada por boa parte da torcida.

As primeiras rodadas foram animadoras, pois em quatro jogos foram dois empates e duas vitórias, essas sendo por goleada (4a1) sobre Vitória e Cruzeiro. Grafite, se tornando o artilheiro da competição com incríveis 6 gols em 4 jogos. Não só os torcedores da cobra coral mas boa parte do Brasil se surpreendeu com o desempenho do atacante. Porém, a realidade veio a tona após a quarta rodada. A partir dali, o Santa Cruz emplacou uma série de resultados negativos. Os poucos bons resultados vinham contra times que, assim como o santinha, lutavam para não cair.

A situação piorou quando Milton Mendes pediu demissão após uma nova derrota, dessa vez contra o São Paulo. O treinador ressaltou sua insatisfação com uma série de situações, como planejamento, falta de reforços e as prioridades que os “cabeças” do clube tinham. Assim, Doriva foi o encarregado de tentar salvar a cobra coral desse fluxo de derrotas e salvar o ano do clube, o que não aconteceu e, após 10 rodadas, o técnico deixava o Arruda.

A crise refletia no desempenho do time. Com funcionários decretando greve que, juntamente com os jogadores, estavam a 5 meses sem receber salários, o infeliz destino do Santinha era inevitável. Grafite, o principal nome do elenco, afirmava algumas situações que foram cruciais para o estado em que o time se encontrava, dentre elas, a falta de planejamento para a serie A, que acabou gerando todas as outras situações inoportunas no time.

Por fim, a real missão do Santa Cruz era no mínimo se manter na elite para quem sabe então, engrenar nos anos seguintes. Os destaques positivos ficam por conta do atacante Grafite, que escolheu o clube para retornar ao Brasil e fez uma boa temporada, levando em conta não só o brasileirão, mas também o estadual e a Copa do Nordeste. Outro que merece ressalva é o também atacante Keno, que deu velocidade ao ataque e fez boas partidas.

Fontes: Globoesporte.com; Figueirense.com, Federação Catarinense de Futebol e Espnfc.

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