Paraná Clube de 2006: O último esquadrão vencedor

Paraná foi campeão estadual e fez a melhor campanha de sua História em brasileiros

(Foto: Djalma Vassão / Gazeta Press)
Por: Dudu Nobre, PR

Cada torcedor tem um time gravado na memória. Pode ser por um craque em especial, por um jogo inesquecível ou por feitos inéditos. Este último fator foi responsável por colocar o elenco do Paraná de 2006 na história da agremiação. Um grupo marcado por esquema definido, o 3-6-1 com um arqueiro seguro como Flávio Pantera, a mescla entre a juventude de Pierre e a experiência de Beto na volância e promessas como Maicosuel e Leonardo do meio pra frente. Além disso, foi nesse ano que o Brasil conheceu o trabalho do treinador Caio Júnior.

Mas não foi o ex-atacante do clube quem começou essa jornada. Luiz Carlos Barbieri iniciou a temporada com um grande desafio em mãos, já que o Paraná amargava um jejum de oito anos sem conquistar um estadual e havia perdido duas peças fundamentais ao elenco: o meia Thiago Neves e o atacante Borges, negociados com o Vegalta Sendai do Japão.

Para manter o nível na reposição de jogadores, a imprensa apostava nos atacantes Fábio – vice-campeão carioca no ano anterior com o Volta Redonda – e Vandinho – que retornava de empréstimo do São Paulo. Bem menos badalado, com cinco jogos disputados em dois anos de Vitória, Leonardo chegou como uma aposta e se tornou o artilheiro do time na temporada. O técnico ainda contava com Maicosuel, guri vindo do Atlético Sorocaba que estava pronto para despontar.

No Campeonato Paranaense, o Tricolor da Vila fez uma primeira fase tranquila, com a defesa menos vazada (apenas 13 gols sofridos) e a melhor campanha do Grupo B com 26 pontos, o que colocou o Iraty no caminho da Gralha Azul. O confronto foi disputado nas quartas de final, com triunfo paranista por 1 a 0 no Emílio Gomes e empate por 1 a 1 em Curitiba. Nas semis, o Paranito encontrou o tradicional Rio Branco de Paranaguá, mas Ratinho e companhia não aprontaram surpresas: vitória dupla do Paraná, 2 a 1 na Estradinha e 3 a 0 na capital.

Para se livrar do jejum, o Tricolor precisaria derrotar a surpresa do torneio. Quarta colocada do grupo B, a ADAP de Campo Mourão simplesmente eliminou a dupla Atletiba nas fases eliminatórias e chegava à decisão com 33 gols marcados em 18 jogos. Mas quem esperava pressão dos mandantes no Willie Davids viu um Paraná superior, contando com a estrela de suas duas revelações.

Com um gol de Maicosuel e dois de Leonardo, o Tricolor colocou uma mão na taça, levantada no domingo seguinte, 9 de abril de 2006, após empate por 1 a 1. Pinheirão lotado, campeão estadual… Uma época que o torcedor paranista sonha reviver, já que esse foi o último título que o clube conquistou.

Mesmo com o troféu nas mãos, a Gralha chegou ao Brasileiro daquele ano com poucas expectativas da mídia nacional, apontada como uma postulante a vaga na Copa Sul-Americana – na época uma faixa entre o quinto e o décimo segundo colocado. Entre as duas competições, mudança no comando técnico: Barbieri foi substituído pelo jovem Caio Júnior, que vinha de um bom trabalho no Cianorte.

O início paranista não foi bom. Nas primeiras sete rodadas, uma vitória conquistada e pressão pra cima do elenco. Mas uma sequência de seis vitórias seguidas colocou o time na zona de classificação à Libertadores, onde permaneceu até o final do primeiro turno. Para ajudar o caminho Tricolor, o Internacional – que também estava no G4 – venceu a competição continental daquele ano, abrindo uma vaga ao quinto colocado do certame nacional.

O segundo turno pareceu uma cópia do primeiro. Início ruim, uma sequência de cinco triunfos que recolocou o clube no pelotão de frente e uma oscilação na parte final do campeonato. Por conta disso, a Gralha chegou a última rodada da Série A na quinta posição com 59 pontos, um a frente do Vasco – único clube que poderia atrapalhar os planos paranistas.

No embate derradeiro, ninguém menos que o São Paulo, campeão nacional daquele ano com duas rodadas de antecedência. O time era misto, mas nem por isso fez corpo mole. O jogo foi disputado, mas o Paraná era melhor. No início do segundo tempo, boa notícia para a torcida mandante: Rodrigo Fabri meteu a mão na bola e deixou o escrete são paulino com dez em campo.

O Tricolor da Vila pressionou, mas não furou o bloqueio adversário. O empate sem gols não garantia a vaga, mas a massa vibrou antes do apito final. Bons ventos vindos da Ilha da Magia: a caravela vascaína afundou com o 0 a 0 frente ao Figueirense. O Paraná Clube chegava à Libertadores pela primeira vez em sua jovem história com Flávio; Peter, Edmilson e João Paulo; Pierre, Batista, Beto, Eltinho, Sandro e Cristiano; Leonardo.

Com 17 anos de vida à época, o Tricolor estava nas nuvens. Os anos que se seguiram deixaram marcas profundas no torcedor paranista. Mas revirando o passado, o coração vermelho, azul e branco sonha em ver a Gralha cruzar a América novamente. Afinal, como diz o hino, o Paraná “já nasceu gigante”.

Fontes: Revista Placar, Tribuna do Paraná, UOL

5 Comentários em Paraná Clube de 2006: O último esquadrão vencedor

  1. Obrigado pela memória, obrigado pelo texto e muito obrigado por nos lembrar que somos gigantes, hoje estamos na calmaria do mar e passando em alguns momentos por turbulências, porém, jamais iremos abandonar. O Paraná é gigante, nós vamos voltar !

  2. Como torcedor paranista me emocionei com a lembrança desse dia. O Caio Júnior pulando e a torcida gritando que pela primeira vez o nosso time ia pra Libertadores. Valeu CL. Valeu Dudu

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