Roberto Rivellino, o bigode mais vitorioso do Brasil

Olhou, piscou, o Riva te driblou. (Foto: Arquivo CBF)
Por Cristóvão Vieira, SC

Ídolo de Corinthians e Fluminense, difusor de um dos dribles mais plásticos e desconcertantes do planeta e campeão do mundo com a Seleção Brasileira de Futebol. Só esses elementos já credenciariam Roberto Rivellino como um dos maiores gênios da bola, mas ele é bem mais do que isso. A simpatia, a irreverência e o carisma do Bigode conquistaram os arquirrivais e um imenso respeito mundo afora.

Tio Riva nasceu no dia 1º de janeiro de 1946 e acaba de completar 71 anos. Na sua carreira, conquistou uma Copa do Mundo, uma Copa Roca (antigo Superclássico das Américas), uma Rio-São Paulo e dois Campeonatos Cariocas, além de outras dezenas de canecos erguidos pelo mestre, eterno camisa 11 da seleção campeã de 1970.

Riva já era ídolo do Corinthians antes do imponente mustache (Foto: Acervo UH/Folhapress)
Riva já era ídolo do Corinthians antes do imponente mustache (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Período pré-bigode

Quando o robusto bigode do Rivellino não passava de meros fiapos, o futebol já corria no seu sangue. De família italiana, ele gostava das peladas e do futebol de salão, ambiente onde aprendeu a jogar em espaços curtos e, portanto, acabou tornando-se um driblador nato.

Seu primeiro teste, ironicamente, foi no Palmeiras. O time o recusou, mas a vingança viria na bola: Riva se tornou um algoz do Verdão vestindo a camisa do arquirrival Corinthians. Ainda jovem, foi campeão no Timão na categoria Aspirantes, em 1964.

A torcida corintiana já começava ali a se apaixonar pela poderosa canhotinha do atleta. Mas com o tempo, ele mostrou que tinha ainda mais recursos. O estilo de Riva em campo chamava a atenção. Ele parava na frente do adversário e esperava a tentativa do bote para desmoralizá-lo completamente. Para isso, utilizava dribles conhecidos, que com o tempo foram neutralizados. Até que apresentou ao Brasil sua obra de arte: o elástico.

A pintura consistia na máxima do ‘faço que vou pra lá, mas vou pra cá’, utilizando um pé só e muita velocidade – muitas vezes com requintes de crueldade, fazendo a bola passar entre as pernas do marcador. Riva apresentou isso para o Brasil, mas fez questão de explicar que não foi ele o criador do elástico. Um colega de origem japonesa, dos tempos de futsal, ensinou como fazer e Riva ‘apenas’ aprimorou e conquistou os principais títulos nacionais e internacionais usando o recurso.

Bigode grosso e amarelinha

Em 1965, Riva chegou aos profissionais do Timão. Levou apenas um ano como titular absoluto da equipe para conquistar o importantíssimo Rio-São Paulo, então com 20 anos. A ascensão do Tio Biga foi meteórica, e aos 22 já garfava títulos pela Seleção Brasileira de Futebol. A Copa Rio Branco e a Taça Oswaldo Cruz vieram com Rivellino entre o elenco.

Chega então, ano da consagração e da Copa do Mundo no México. O técnico Zagallo tinha em mãos não apenas algumas estrelas, e sim toda uma constelação. Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho, Félix e o eterno ‘capita’ Carlos Alberto Torres eram apenas alguns dos grandes nomes. O Velho Lobo precisou improvisar, mas encontrou um espaço importante para o camisa 11, considerado um dos melhores atletas de toda a Copa.

A força de seu chute até hoje é exaltada pelos mexicanos, que acompanharam de perto este golaço após assistência do Rei:

Chegada nas Laranjeiras

Riva era um jogador tradicional, abnegado e apaixonado pelo clube que o revelou. No entanto, brigas políticas o afastaram do Timão em meados dos anos 1970. Não tinha mais clima para o bigode mais famoso do Brasil no Parque São Jorge, e surgiu então grande oportunidade no Fluminense em 1974. Naquele mesmo ano, Rivellino levaria o Brasil ao quarto lugar na Copa do Mundo da Alemanha.

Nas Laranjeiras, ele voltou a jogar o fino da bola. Foi o principal nome na conhecida ‘Máquina Tricolor’, formada ainda por figuras como Mário Sérgio, Carlos Alberto Torres e Paulo César Caju. Este elenco foi campeão carioca em 1975 e 1976, e logicamente Riva caiu nas graças da torcida carioca.

Depois do Timão, Rivellino foi ídolo do Tricolor Carioca (Foto: Eurico Dantas/O Globo)
Depois do Timão, Rivellino foi ídolo do Tricolor Carioca (Foto: Eurico Dantas/O Globo)

Em 1978, nova convocação para a Seleção Brasileira, para a Copa do Mundo da Argentina. Riva se contundiu, mas quis participar mesmo assim, e ajudou da melhor forma possível o Brasil a ficar na terceira posição. Ao voltar para o país, saiu do Flu e foi para a Arábia Saudita, jogar no Al Hilal. Foi bicampeão árabe e encerrou a carreira em 1981, com apenas 35 anos e cheio de títulos no currículo.

Rivellino faz parte de um seleto grupo de grandes craques e eternos ídolos do futebol nacional. Teve paixão pelo que fez, foi ídolo em dois grandes clubes do cenário brasileiro e ainda jovem trouxe um dos cinco títulos da seleção em Copas do Mundo. Muito cedo, cumpriu seu dever como atleta, e nós, fãs desse esporte, só temos a agradecer por toda a alegria que o Riva, o Bigode, o Reizinho do Parque e maestro da Máquina Tricolor nos proporcionou.

Fontes: Uol Esportes; Rivellino Sport Center

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