Ronaldo: Um homem que representa a Fiel há mais de uma década

ÍDOLO DO TIMÃO

Por Lucas Oliveira, MG

Como nasce um ídolo? Essa é a pergunta que ninguém é capaz de responder, mas podemos ao menos deduzir. Como o futebol é feito de resultados, atuações memoráveis sem dúvida são necessárias para alcançar tal status, títulos e glórias também são fundamentais para fazer com que um nome não seja esquecido. Porém, a passionalidade do brasileiro —mais especificamente do corintiano — pelo futebol, exige algo mais para elevar um nome à condição de ídolo, e é aqui que entra a identificação entre atleta e torcida, e para Ronaldo Soares Giovanelli tudo aconteceu quase que naturalmente.

No ano de 1979, em uma peneira realizada pelo Corinthians na capital São Paulo, Ronaldo, então com apenas 12 anos de idade atraiu os olheiros do clube que o levaram para integrar a equipe juvenil do Timão, começava ali uma jornada que duraria quase 20 anos. Foram 9 anos jogando nas categorias de base, nesse período o Corinthians contava com os goleiros da Copa de 1982 e 1986, Valdir Peres e Carlos Roberto Gallo respectivamente, que Ronaldo destaca serem fundamentais para sua formação como goleiro profissional.

“Eu estava em uma grande escola, eles eram dois ídolos do futebol brasileiro e tive a felicidade de trabalhar com eles” – Ronaldo a respeito de Valdir Peres e Carlos Gallo em entrevista à Tv Tribuna em 2005.

A chegada ao profissional  

Em 1988, após 9 anos nas categorias de base do Corinthians, Ronaldo foi efetivado na equipe profissional e neste mesmo período a diretoria dispensou o então segundo goleiro da equipe Valdir Peres, e devido a uma lesão no tornozelo do titular Carlos Gallo, Ronaldo teve a tão almejada chance na equipe profissional. Logo na estreia do Campeonato Paulista de 1988, a equipe do Parque São Jorge enfrentaria o São Paulo no estádio do Morumbi, e após estar atrás no placar por 2 a 1, o Tricolor teve chance do empate em cobrança de pênalti com o uruguaio Darío Pereyra. Na cobrança, Ronaldo acerta o canto e defende com os pés, consolidando de vez uma de suas muitas atuações memoráveis.

Assista ao lances da estreia de Ronaldo, com direito a defesa de pênalti para garantir a vitoria para o Corinthians sobre o São Paulo.

 O Corinthians terminou a primeira fase do Campeonato Paulista com 11 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Na final enfrentaria a equipe do Guarani. A final foi disputada em dois jogos, o primeiro jogo no Morumbi terminou empatado em 1 a 1, jogo esse que é lembrado até hoje pelo gol antológico de bicicleta do futuro capitão do Corinthians, Neto, que até então defendia a equipe de Campinas. O segundo jogo foi disputado no Brinco de Ouro. Os alvinegros venceram pelo placar mínimo de 1 a 0 com gol de Viola na primeira etapa da prorrogação. O Corinthians voltava a ser campeão paulista após cinco anos, e Ronaldo começava a marcar seu nome na história do clube.

 “Ali eu estava pronto, focadíssimo.  Aquele lugar era meu”. – Ronaldo em entrevista à Corinthians TV sobre sua chegada na equipe principal.

 Conquistando o Brasil

No ano de 1990 Ronaldo eternizaria seu nome na história do Corinthians. Foi neste ano que a equipe paulista conquistou o Campeonato Brasileiro e sagrou-se campeã nacional pela primeira vez.

Após passar por Atlético Mineiro nas quartas de final, e Bahia nas semifinais, a equipe do Parque São Jorge estava bastante próxima do primeiro título nacional. Na final o Corinthians enfrentaria o São Paulo de Telê Santana, e que contava com nomes como Zetti, Cafu, Raí e Elivélton em seu plantel. Outro fator que pesava para aquela final era o fato do Tricolor ter perdido a final um ano antes para o Vasco da Gama. A final foi disputada em dois jogos, e ambos foram no Morumbi. No primeiro jogo, o meia Wilson Mano abriu o placar para o Alvinegro. Mais uma vez o que se viu foi atuação bastante lúcida e confiante de Ronaldo embaixo das traves, garantindo o 1 a 0 no primeiro jogo da final.

Assista aos lances do primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro de 1990 disputado entre Corinthians e São Paulo. 

Chegado o dia da decisão, o mesmo Morumbi pulsava com os mais de 100 mil expectadores (aproximadamente 100.850). O que se viu mais uma vez foi a equipe alvinegra sendo pressionada pelos tricolores, e assim foi durante toda a primeira etapa, onde o São Paulo dominou todas as ações ofensivas da partida. Veio o segundo tempo, e logo aos nove minutos Tupãzinho marca para o Timão e garante o título. Ronaldo colocava de vez seu nome na história do Corinthians sendo um dos grandes nomes do primeiro título nacional do clube.

 

Ronaldo e Neto foram os grandes destaques do primeiro título brasileiro do Corinthians.
Ronaldo e Neto foram os grandes destaques do primeiro título brasileiro do Corinthians.

Seleção Brasileira

Quando o assunto é jogadores injustiçados na Seleção, o nome de Ronaldo constantemente aparece na discussão, ao lado de craques como Neto, Djalminha, Alex e muitos outros, a não convocação do ex-goleiro corintiano para a Copa de 94 é bastante comentada até hoje.

Após a grande campanha no Brasileirão de 1990, Ronaldo era constantemente convocado para a Seleção pelo técnico Paulo Roberto Falcão, que assumira o cargo após o Mundial de 1990, porém, apesar das constantes convocações ele jamais atuara sobre o comando de Falcão. Estava no grupo que foi vice campeão da Copa América de 1991. Fato é que, com a derrota para a Argentina na final, Falcão foi demitido do comando técnico da Seleção e as convocações de Ronaldo acabaram.

Parreira assumiu o comando da Seleção, e deixava de forma bastante clara em suas convocações sua preferência por Taffarel, Zetti e Gilmar. Em 1993, Parreira optou por convocar Ronaldo para ser o goleiro titular em um amistoso contra a então campeã da Copa de 1990, Alemanha. O Brasil acabou perdendo aquele jogo por 2 a 1, e esse foi único jogo de Ronaldo pela Seleção, que jamais tivera outra oportunidade depois dali.

 

Ronaldo em seu único jogo disputado pela seleção. Um amistoso contra a Alemanha em 1993.
Ronaldo em seu único jogo disputado pela seleção. Um amistoso contra a Alemanha em 1993.

Apesar das constantes convocações no início da década de 1990, a forte personalidade, as expulsões – 16 em toda carreira -, e o temperamento genioso dentre de campo são apontados por grande parte dos boleiros e jornalistas, e até pelo próprio Ronaldo como fatores fundamentais que pesaram para o goleiro jamais ter ido a uma Copa do Mundo.

 “Talvez se eu tivesse um outro temperamento. Talvez se eu tivesse um outro gênio”. Em entrevista à Corinthians TV, Ronaldo cita a influência que seu temperamento teve em sua carreira na Seleção Brasileira

A Saída

Após dez anos de titularidade no gol do Corinthians, no início da temporada de 1998 Ronaldo deixou o clube, não por sua vontade, que fique claro. Vanderlei Luxemburgo foi contratado para ser o treinador da equipe, e teve um início de trabalho bastante conturbado. Com a chegada da comissão técnica de Luxemburgo, a diretoria demitiu o treinador de goleiros Aguinaldo Moreira, que trabalhava com Ronaldo desde sua chegada no profissional, juntando isso ao fato de estar treinando no clube a mais de 40 dias sem nenhum tipo de vínculo contratual, Ronaldo percebeu que era o momento de deixar o Corinthians.

“Eu senti que não me queriam mais ali”. Ronaldo em entrevista ao programa Papo de Boleiro.

Ronaldo não foi o primeiro, e nem o último grande atleta a ter uma saída pouco saudável do clube onde é ídolo, fato é que tudo isso poderia ter sido evitado. Sem dúvidas, a paixão é um sentimento que torna o jogo ainda mais mágico, e poder vê-la sendo representada tão fielmente por um homem dentro de campo, ao longo de uma década, por mais de 600 jogos, faz com que o nome de Ronaldo Soares Giovanelli esteja na mente e nos corações não só daqueles que o viram atuar nos anos 1990, mas de todos que amam o Corinthians, e de todos que amam o esporte.

FontesUol

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