A saga do Atlético-PE até a vitória na estreia da Série D

De um risco de W.O para uma virada no último lance. O Atlético-PE engrandeceu o significado do futebol

Jogadores passam por epopeia e garantem vitória na raça (Foto: Reprodução/Globoesporte.com)
Por: Max Galli – SP

O Clube Atlético de Pernambuco, da cidade de Carpina, tem 11 anos de existência. Criado para ser um formador de jogadores para o futebol brasileiro, alcançou, em 2014, o seu melhor resultado ao subir para a primeira divisão do Estadual com uma equipe modesta e jovem. Em 2015, foi mais longe, ficou em primeiro no Hexagonal de Permanência do Estado e conseguiu assegurar o título do interior, sua maior conquista até aqui. Mas vale ressaltar que o último feito foi maior do que qualquer medalha ou troféu levantado: a luta para chegar no seu campo e, enfim, jogar em nível nacional. Empréstimos, vaga herdada de última hora, estádio sem laudos, quase W.O, aquecimento nenhum, um ônibus escolar, jogadores carregando tudo que viam e uma virada histórica. Tudo isso fez parte da saga que o Tatu-Bola passou no último domingo (21) para a estreia na Série D do Brasileiro contra o Campinense-PB.

Tudo começou com a rejeição do Serra Talhada-PE à disputa da última divisão nacional. O clube conquistou o direito via Pernambucano de 2016, mas por falta de condições financeiras não pôde participar. Com isso, o Atlético-PE herdou a vaga no início de maio. A falta de verba também era um dos problemas da agremiação da cidade de Carpina, mas alguns jogadores toparam baixar salários e outros aceitaram ganhar por produtividade. Tudo para levar o Atlético-PE à nível nacional.

A equipe caiu no grupo A8 que conta com Campinense-PB, o favorito do grupo pelas campanhas passadas no estadual e na Copa do Nordeste, o Fluminense de Feira-BA e o Itabaiana-SE. O pontapé inicial seria logo com a equipe de Campina Grande, em casa, no estádio Paulo Petribú. Mas tudo começou a dar errado perto da estreia. A Polícia Militar não enviou os laudos em tempo para realização da partida. Assim, o duelo seria com portões fechados, sem participação da torcida.

No dia do confronto marcado para as 16h, tudo parecia tranquilo com a espera do ônibus no CT da equipe às 14h. No entanto, o tempo foi passando e nada do veículo aparecer. Às 15h, o presidente do Tatu-Bola, Lucas Lisboa, já estava no estádio e ligou para saber o que estava acontecendo. Foi então que descobriu que o ônibus quebrou. O desespero tomou conta de atletas e comissão técnica. Era preciso pecorrer um trecho de 25 minutos e sem transporte disponível. Lisboa entrou em contato com a prefeitura de Carpina e conseguiu um ônibus escolar para levar os jogadores ao estádio. Às 15h55, a equipe de arbitragem e do Campinense já cantavam o hino nacional quando a equipe do Atlético-PE chegou correndo ao estádio com todos pegando um pouco de tudo para levar até o banco de reserva, desde garrafas d’água até macas.

As equipes do Campinense e de arbitragem alinhados para o hino nacional sem o Atlético-PE (Foto: Reprodução/Globoesporte.com)
As equipes do Campinense e de arbitragem alinhados para o hino nacional sem o Atlético-PE (Foto: Reprodução/Globoesporte.com)

Na ida para o local da partida, o preparador físico tentou promover um aquecimento dentro do ônibus escolar já que os jogadores chegariam pisando no gramado devido ao risco de W.O. O confronto começou com 28 minutos de atraso. Finalmente a bola rolava mesmo que sem torcida. O Campinense-PB logo se aproveitou de toda a situação vivida pelo Tatu-Bola e foi para cima nos primeiros minutos. Contudo, o Atlético-PE conseguiu se restabelecer física e mentalmente até que abriu o placar aos 31 minutos com Cajá após sobra de bola na área. Os poucos que estavam no estádio não acreditavam.

Mas a festa durou pouco quando a Raposa se recuperou do baque e, aos 35, empatou com Augusto. Aos 43, um grito de “ufa” para a equipe de Campina Grande que virava com o artilheiro Reinaldo Alagoano. 2 a 1. Aos 45, uma obra-prima de Maranhão que viu o goleiro Juca adiantado e mandou de longe por cobertura marcando o terceiro para o Campinense. Há quem se desse por perdido, ainda mais depois de toda a história por trás do Tatu-Bola.

O Atlético-PE comemora o primeiro gol da partida (Foto: Reprodução/Jornal da Paraíba/Globoesporte.com)
O Atlético-PE comemora o primeiro gol da partida (Foto: Reprodução/Jornal da Paraíba/Globoesporte.com)

A segunda parte veio e logo aos três minutos, Cesinha tentou colocar fogo na partida ao diminuir para o time da casa. Mas o jogo já se apresentava num ritmo lento mesmo com os técnicos tentando mudar suas equipes. A Raposa era mais ofensiva e o Atlético-PE se fechava para os contra-ataques. Até que aos 38 minutos, o famoso lema: “quem não faz, toma” aconteceu. Wellington apareceu no momento certo após falha do goleiro Glédson para empurrar a bola para o fundo das redes: 3 a 3. A partida finalmente ganhou força e ritmo intenso nos minutos finais, até que no último lance, o mesmo Wellington venceu a marcação e acertou belo chute para vencer Glédson e promover a segunda e última virada da partida. Comemorou como se estivesse no Maracanã com 100 mil pessoas, festa para o time da casa, a saga enfim chegava ao fim de forma feliz.

A resposta foi dada em campo, como disse um dos heróis do dia: “A gente era um forte candidato a saco de pancadas do grupo, mas, com muito trabalho e fé, conseguimos a vitória!”. Longe dos holofotes Sudeste e Sul, a luta para se manter em nível nacional não depende de rios de dinheiro, preparação longa ou jogadores de renome, o Tatu-Bola demonstrou que o futebol vai acima de qualquer situação financeira. Muitos nem imaginavam que a equipe estaria ali disputando uma Série Nacional, a estreia foi de forma épica e ficará marcada na história. Agora é lutar pois a saga apenas começou…

Fontes: Trivela, Globoesporte.com

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