San Lorenzo e Boedo: a ligação entre clube e bairro

A luta do time para voltar ao seu local de origem

Gasometro antes de ser demolido
Honorato Vieira, CE

Pode parecer clichê, mas o futebol é muito mais que homens e mulheres correndo atrás de uma bola para superar o adversário. O esporte bretão transcende aspectos da sociedade e está interligado em quase tudo. Vamos falar de um dos clubes que leva para dentro do campo um dos mais fortes legados culturais. O tradicional San Lorenzo-ARG. O time carrega consigo a história de um bairro do subúrbio argentino chamado Boedo.

O CASLA (Club Atlético San Lorenzo de Almagro) foi criado no dia 1° de abril de 1908 na cidade de Buenos Aires. Desde o início de sua trajetória, o clube sempre teve ligações católicas. Foi um grupo de jovens apoiados pelo padre salesiano R.P. Lorenzo Massa que deu origem à agremiação. Após várias reuniões para definir o nome da equipe, decidiram homenagear São Lourenço e o bairro de Almagro.

Placa em Boedo
Placa em Boedo celebrando o título da Libertadores e a volta ao bairro. [Foto: Abreu Neto/Arena 303]

Se o clube foi fundado no bairro de Almagro,  por que ele tem uma forte ligação com Boedo ? Quando fundado, o local pertencia ao bairro de Almagro, mas em decisão da prefeitura partes de Almagro, San Cristóbal e Parque Patrícios foram separadas para criar Boedo.

Lá, o San Lorenzo cresceu, construiu seu estádio, ganhou títulos e formou sua torcida. Até que em 1979, o governo ditatorial argentino forçou a compra do local onde o time jogava. Anos mais tarde, o espaço se transformou em uma franquia do supermercado Carrefour.

No período sem casa própria,  de 1979 a 1993,  os Cuervos  atuaram em diversos estádios: a Bombonera (do Boca Juniors-ARG), no Jose Amalfitani (do Vélez-ARG), na Doble Visera (do Independiente-ARG) e em outros lugares. Em 1993, a inauguração do Nuevo Gasometro, localizado no bairro Parque Patrícios, deu ao time um novo lar. O certame era vizinho a casa do Húracan. A proximidade fez nascer uma das rivalidades mais tensas da Argentina, intitulada de “Clásico Del Barrio”. Mas ainda existia no peito o desejo de voltar às origens.

De volta à terra sagrada

Para começar a reconstrução do Gasometro, os torcedores antigos resolveram agir e conscientizar os mais novos sobre a importância de voltar a Boedo. Com o apoio da maior barra do clube, a La Butteler, o projeto começou a ganhar força contando com o apoio do clube neste regresso.

O movimento recebeu a alcunha de “VAMOS A VOLVER” (Vamos voltar). Tomou tamanha proporção que torcedores de outros clubes resolveram apoiar a campanha. No dia 08 de março de 2012, mais de 100 mil apaixonados saíram da Avenida La Plata, onde ficava o campo do clube em Boedo, e lotaram a Praça de Maio, local onde muitos líderes da história argentina fizeram seus nomes. O esforço não foi em vão. Em novembro do mesmo ano, a equipe recebeu o aval para voltar para casa. A construção começará em 2018. O estádio terá o nome “Papa Francisco”, torcedor ilustre do “Tierra Santa”, como é chamado .

Enquanto isso, basta caminhar por Boedo para perceber a ansiedade de voltar ao bairro que marca o lugar de um povo. As paredes pintadas, placas, outdoors. Tudo remete ao CASLA.  A conquista da Taça Libertadores de 2014 foi o voo mais alto do clube. Mas nada como estar em terra firme e ter uma casa para chamar de sua. Depois de 41 anos, 2020 será logo ali para os Cuervos…

Bandeiras, pinturas e cantos emocionados tratam a volta ao ‘Gasometro’ com muito fervor.

 

 

Fontes: San Lorenzo, Futebol Portenho e Arena 303

1 Comentário em San Lorenzo e Boedo: a ligação entre clube e bairro

  1. Bonito texto. Só uma correção: o Nuevo Gasómetro foi construído no bairro de Bajo Flores, mais na periferia ao oeste de Buenos Aires, o que deixou o Ciclón mais distante de Parque Patricios, onde fica a sede do Huracán. San Lorenzo e Huracán é considerado pelos argentinos como o maior clássico de bairro do país, é uma rivalidade que vem desde o começo do século XX, sendo certo que no período do amadorismo o Huracán teve mais conquistas que o arquirrival. Essa rivalidade – bem anterior à mudança de bairro dos cuervos – historicamente fez do Globo de Parque Patricios o “sexto grande” do futebol argentino.

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