Sandro Sotilli e a construção de um mito

Por: Paulinho Rahs, RS

Todos os dias acessamos as redes sociais e nos deparamos com algum novo viral. Compartilhado milhares de vezes, retweetado por nossos amigos, encaminhado em vários grupos. Eles estão sendo criados de repente, em um clique, em uma entrevista engraçada ou por uma gafe gigante. “Mito” é uma palavra muito cotidiana pra quem vive em rede social. Subestimada demais, eu diria. Qualquer um é chamado de mito por qualquer coisa que faça um pouquinho de barulho.

Tem personas e personagens que fazem por merecer o título de mito. E se tem um homem que viu a justiça ser feita com a sua grandeza após virar fenômeno na internet e ter seu nome na boca do povo, esse homem é Sandro Sotilli. Um simples cidadão do interior que teve uma carreira ímpar no futebol gaúcho e foi muito reconhecido, só que apenas pelos amantes desse certame. Porém, era muito pouco, eu insisto. Sotilli merecia ser reconhecido por todo amante de futebol ou mesmo quem não o seja. E eis que a Quimera surgiu.

Sandro Sotilli e o responsável pelo seu perfil fake na internet, o estudante Bruno Pires (Foto: Reprodução/Facebook)
Sandro Sotilli e o responsável pelo seu perfil fake na internet, o estudante Bruno Pires (Foto: Reprodução/Facebook)

Em maio de 2013, Sandro Carlos Sotilli já era uma lenda do futebol sulista. Prestes a completar 40 anos, se aposentaria no ano seguinte com o garboso título de maior artilheiro da história do Gauchão. Naquele mês, o “Alemão Matador” acumulava funções atuando pelo Sport Club Gaúcho da cidade de Passo Fundo (RS) na segundona gaúcha como jogador e treinador interino. No mesmo período, atrás de um computador, um jovem de 17 anos dava o pontapé inicial na criação de Sandro como mito das redes sociais.

Bruno Pires Schroder criou no Twitter e no Facebook, sem nem conhecer o craque, os perfis de “Sandro Sotigol”, um personagem com uma foto simpática de Sotilli no profile, com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul no fundo e postagens que rapidamente caíram no gosto dos internautas não só do RS, mas de outros estados. O humor simples, puro e interiorano, além de tipicamente regional, é baseado em tirar sarro de situações que vão além do futebol. De um tempo pra cá, tornou-se uma brincadeira séria. As postagens foram organicamente se reproduzindo nas redes a ponto de transformarem um jogador de futebol de interior em fenômeno após pendurar as chuteiras. Hoje, quase quatro anos depois, é uma fonte de renda de Bruno e de Sandro. Tudo graças ao amor do povo pelo irreverente Sotigol.

Foto: Reprodução/Facebook
Brincadeiras do “fake” Sotilli são regionais e extremamente populares (Foto: Reprodução/Twitter)

Com base em tanto sucesso nas redes sociais foi criada a “SotilliFest”, um evento que tem girado por inúmeras cidades do estado com presença VIP do homem que deu origem ao personagem. As cifras giram em torno de R$ 3 mil para ele dar nome e participar da festa. Apenas com patrocínios nas redes sociais, a dupla consegue tirar aproximadamente R$ 4 mil pra cada um. É uma renda que vai além até de salário que Sotilli recebia quando jogava bola. Durante muito tempo ele atuou apenas em clubes da “Divisão de Acesso”, que é a segundona do futebol gaúcho.

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Sandro dançando “bailão” com um latão da tradicional cerveja “Polar” em uma das “SotilliFest” (Foto: Anderson Fetter/Agencia RBS)

Sandro teve uma carreira de 22 anos, passou por 26 clubes e 16 deles foram no Rio Grande do Sul. Segundo o Jornal Zero Hora, foram 111 gols só na primeira divisão gaúcha. Se tornou goleador do torneio em 2002, atuando pelo 15 de Novembro de Campo Bom (RS) e em 2004, atuando pelo Glória de Vacaria (RS), desbancando atletas renomados da dupla GreNal. Foi fundamental na conquista do histórico título do Juventude, em 1998, contra o Internacional, acabando com décadas de hegemonia Porto Alegrense. Mais 376 mil seguidores no Twitter e de 670 mil no Facebook tornaram o atacante histórico dos campos do futebol gaúcho em mito da internet. Por linhas tortas, a fama chegou do tamanho que o jogador sempre mereceu. O mito foi construído, assim, meio que sem querer. Mas a lenda começou muito antes, com o homem que nasceu pra ser o maior jogador da história do Campeonato Gaúcho.

Fontes: Blog Sport Clube Gaúcho, ClicRBSGloboesporte.com

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