São Caetano e os três anos que ficaram no “quase”

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Sempre que um clube de menor expressão se destaca em algum campeonato e disputa o título ao lado dos grandes, torcedores de todos os cantos entram na torcida do time surpresa. Pequenos desafiando grandes sempre ganham a simpatia da maioria. O Leicester City, por exemplo, campeão inglês da temporada 2015/2016 é um caso recente que tomou proporções mundiais. O São Caetano do início do novo milênio foi uma dessas surpresas.

Após completar 11 anos de fundação, o clube do ABC Paulista surpreendeu o Brasil e a América ao chegar duas vezes na final do Campeonato Brasileiro, e uma na Libertadores da América, isso por três anos consecutivos. O Azulão bateu na trave três vezes, chegando muito perto de conseguir um feito quase inacreditável para um clube que até então só havia levantado canecos das séries A3 e A2 paulista.

Na década de 90, o São Caetano era apenas mais um clube do interior paulista brigando por espaço. Oscilava muito entre as divisões, e só havia conquistado dois Paulistas A3, sem muitas campanhas de destaque. Chegou o ano de 2000. O clube paulista havia conquistado uma vaga no torneio João Havelange, o Campeonato Brasileiro improvisado daquele ano. No módulo amarelo, composto por equipes das séries B e C, o São Caetano terminou em 1º lugar, chegando na fase de mata-mata.

Nesta fase do torneio, já com equipes de alto nível, o Azulão eliminou para a surpresa de todos Fluminense, Palmeiras e Grêmio, garantindo vaga na finalíssima contra o Vasco da Gama. O jogo de ida no Palestra Itália terminou empatado em 1×1. O jogo de volta foi marcado pela queda do alambrado do São Januário, ferindo cerca de 150 pessoas. Ao final da partida, que teve de ser remarcada, 3 a 1 para o Vasco, que em sua camisa estampava o símbolo do SBT (de graça) em protesto contra a Rede Globo. Com o vice-campeonato, era hora do Azulão tentar surpreender em sua estreia do autêntico Campeonato Brasileiro.

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(Foto: Reprodução/www.escrevendofutebol.com.br)

Na fase de pontos corridos, o São Caetano surpreendeu novamente o Brasil e terminou na primeira colocação, com 59 pontos em 27 jogos. Nas quartas de finais passou pelo Bahia e nas semifinais, pelo Atlético Mineiro. Em seu ano de estreia, o Azulão chegava a final do Campeonato Brasileiro 2001. O adversário seria o Atlético Paranaense. No primeiro jogo na Arena da Baixada, as duas equipes protagonizaram um jogo memorável. 4 a 2 para o Atlético, com uma atuação de gala de Alex Mineiro, que marcou 3 gols. No jogo de volta em um Anacleto Campanela lotado, o Furacão venceu novamente. 1 a 0 para o time paranaense. O São Caetano não foi campeão, mas novamente provou ser uma equipe competitiva e candidata a se tornar uma potência do futebol brasileiro.

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(Foto: Reprodução/ Atlético Paranaense)

Com a segunda colocação no Brasileiro de 2001, a equipe garantiu vaga para a Copa Libertadores do ano de 2002 ao lado dos outros brasileiros Atlético Paranaense, Flamengo e Grêmio. O São Caetano do técnico Jair Picerni foi com grande expectativa para a disputa do torneio mais cobiçado pelas equipes de toda a América do Sul e do México. O Azulão caiu no grupo 1, com Cerro Porteño, Alianza Lima e Cobreloa, e com 12 pontos conquistados o time terminou na primeira colocação do grupo, com belíssimas atuações e goleadas.

A fase de mata mata começou sendo mais tensa para o Pequeno Gigante, que agora enfrentava jogos muito pegados e decididos nos detalhes, com a cara de Libertadores. Nas oitavas de final, o adversário era a Universidad Catolica. Nos dois jogos da fase, 1 a 1 no placar, e nas penalidades, o Azulão foi novamente vitorioso. O próximo desafio seria nada menos que o grande Penãrol. No primeiro jogo da decisão, a equipe uruguaia saiu vitoriosa em sua casa, mas no jogo de volta no grande Anacleto Campanela, 2 a 1 para os brasileiros.

Novamente a decisão seria nos pênaltis, e novamente o Azulão não decepcionou. Já estavam nas semifinais. Dessa vez, o adversário era de longe. O Club America, do México, veio a São Caetano do Sul no primeiro confronto. E perdeu. 2 a 0 para o São Caetano, que já estava com um pé na final. No jogo da volta, 1 a 1 no Estádio Azteca com direito a cenas lamentáveis no gramado. O resultado garantia o São Caetano, fundado 13 anos antes, na tão desejada final de Copa Libertadores. Façanha enorme. O Brasil entrou na torcida do Azulão, que na finalíssima pegaria o Olímpia, já conhecedor de Libertadores. Era o terceiro título dos paraguaios em jogo.

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(Foto: Reprodução/Reuters)

A primeira partida da Final seria no Paraguai, na gigante panela de pressão chamada de Defensores del Chaco. O São Caetano, do goleiro Sílvio Luiz, Adãozinho, Marcos Senna, dentre outros craques, foi com todas as forças para Assunción e mais uma vez surpreendeu. 1 a 0 com gol de Aílton, que calou os paraguaios. Jogando em São Paulo já com vantagem, a tendência era que o novato da Libertadores levantasse o caneco pela primeira vez. Infelizmente, não aconteceu.

Pelo terceiro ano seguido, o São Caetano ficou no quase. No Pacaembu, 2 a 1 para o Olimpia. Na disputa de pênaltis, venceu o time paraguaio. Apesar de tudo, foi uma campanha memorável, ainda mais com a pouca expressividade que o clube tinha na época. Hoje, em 2016, o São Caetano está sumido do futebol, atualmente disputando a série A2 de São Paulo, sem jogar nenhuma competição nacional. Se o clube estaria nesta situação caso tivesse vencido algum daqueles campeonatos que ficaram no quase? Nunca saberemos. Nos resta torcer para que o clube possa se reerguer, e quem sabe, voltar a ter as oportunidades que já teve.

1 Comentário em São Caetano e os três anos que ficaram no “quase”

  1. Pequena correção: O São Caetano ficou em primeiro no seu grupo, mas terminou o módulo amarelo também como vice, pois perdeu a decisão (mata-mata) para o Paraná Clube. Os dois, mais o Remo e o MALUTROM (do módulo Verde-Branco), conquistaram direito de disputar o título com os 12 classificados da elite.

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