São Paulo, Ceni e a realidade

Apesar da dedicação, Rogério Ceni não conseguiu fazer o São Paulo jogar um bom futebol e acabou demitido do clube

Cenário não favorece treinador do São Paulo
Cenário não favorece treinador do São Paulo
Por Léo Leal, RJ

Seis meses, apenas. Não sabemos se Ceni é um novo Cristóvão, da mesma forma que não seria um Tite se tudo desse certo. É cedo para um diagnóstico completo sobre sua competência e futuro na carreira. Fato é que não funcionou e agora só há o Brasileiro pela frente, no qual o Tricolor se encontra na zona da degola. Constrangedor ao clube, ao ídolo e a qualquer movimento em prol da paciência.

Rogério tem ideias novas, estudo e se preparou. Ponto. Daí a tornar a equipe competitiva e apta a buscar algo grande é um caminho longo e traiçoeiro. A bola não entrou, o que bastaria para rotular o comando técnico fosse qualquer outro cidadão ali, mas a relação Ceni-São Paulo dá ao ídolo uma condição muito além de um mero treinador de futebol. Ele, em especial, seria perdoado, pelo menos nesses seis meses, fosse o trabalho bem feito e a redonda não entrasse por acaso.

Mas não é o acaso. Seu time estava longe de exibir uma organização convincente em campo. Inoperante, perdido, frágil. Quando, por exemplo, o Defensa Y Justicia, saiu pela primeira vez de seu país e foi ao Morumbi, criou mais chances que o Tricolor e o eliminou. Sim, o Defensa Y Justicia. Time organizadinho, até. Tem um técnico promissor. Porém, peremos lá!

Não sabemos a idade de você que está lendo isso agora, mas seja lá há quanto tempo tu acompanhas futebol, deves saber que o São Paulo Futebol Clube, em hipótese alguma, pode se dar ao luxo de deixar um minúsculo vir em sua casa e mostrar superioridade, principalmente numa importante competição continental. Isso com muito menos posse de bola, o que escancara a dificuldade da equipe de Rogério quando tinha a bola no pé.

Com todo respeito, apesar de ser argentino: não era o Boca, o River, nem o Vélez. Era um time com nome de ONG, que atravessou a fronteira pela primeira vez em sua história. E o treinador, em sua entrevista, negou que tenha sido um vexame. Veja lá, Mito! Você conhece a história desse clube mais do que qualquer um. Para o tamanho dele, isso aí é uma vergonha tão grande quanto mandar nude bêbado no grupo da firma.

Em um semestre, o São Paulo colecionou atuações apáticas e vexames. E essa eliminação precoce na Sulamericana pode ser levada como o resumo de seu trabalho.

Ao mesmo tempo que assumia para si a culpa, Rogério Ceni buscava em números disfarçar o mau desempenho. E esse tesão em mostrar personalidade e inteligência o fez se perder a cada jogo e entrevista.

Convenhamos, citar vitórias, empates e derrotas, contando jogos da primeira fase do Paulistão e o início da Copa do Brasil, não cola. Vire a página, lá estão 3 merecidas eliminações em 22 dias e uma campanha pífia no início do Brasileiro. São estes os números que marcam sua passagem.

O pensamento do treinador permaneceu passível à aceitação de atuações medíocres mascaradas com estatísticas.  O São Paulo, com ele, passou por problemas dentro de campo durante seu comando. E dessa vez, a encrenca era mais pesada.

Porque conhecemos esta relação de longa data. Sabemos que, em grande parte dela, o submisso é o clube. O que talvez tenha sido o principal fator para que o ex-goleiro tivesse uma sobrevida até duradoura, tendo em vista desempenho e resultados horrorosos.

Do início precipitado até a demissão tardia, Rogério sai sem acrescentar. Deixa um time sem padrão,  sem resultados, sem acrescentar qualquer ponte à continuidade.

O trabalho que começou do zero se encerra no negativo. E até hoje, 03 de julho de 2017, o Tricolor Paulista não via rumo.

Estivesse o Ceni jogador em atividade, duraria o Ceni treinador até maio?

4 Comentários em São Paulo, Ceni e a realidade

  1. Vc não ressaltou o ponto de uma diretoria prometer mundos e fundos ao técnico e não cumprir nem metade. Como a promessa de grandes reforços. Como exigir que o técnico subisse garotos sa base. E quando foi feito, foram vendidos. Não deixaram o técnico inexperiente,que ja sabiam, ter um time base para poder evoluir e tabalhar. No unico momento em que teve 1 mes para treinar. Iniciou a temporada bem no ataque e muito mal na defesa. Técnico novato com idéias diferentes e precisou de muita coragem para coloca-las num time grande como é o são paulo. Mas ele ainda terá muito para mostrar, nesta nova função que é muito ingrata neste país!

    • Depois da eliminação no paulista e copa do Brasil ele teve 17 dias para treinar, e o resultado foi uma eliminação em casa para o grande time argentino.

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  1. Assim como Neymar, eu joguei pelo rival - Cenas Lamentáveis

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