São Paulo de 2007: defesa fantástica e ataque mortal

Equipe se tornou um símbolo de futebol compacto e de resultado

Rogério Ceni e o troféu que coroou a fantástica equipe do São Paulo (Foto: Reprodução/Estadão)

Em tempos de equipes vencedoras com super ataques como o Barcelona e seu trio MSN (Messi, Neymar e Suárez) e o Real Madrid e seu trio BBC (Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo), as equipes de futebol defensivo se tornaram sinônimo de futebol feio, mal jogado. Equipes de futebol defensivo são tomadas muitas vezes por times covardes, que abdicam de jogar futebol, o time que hoje será destacado aqui, porém, era exatamente o oposto de tudo isso. Com um futebol que se sustentava em um sistema defensivo quase intransponível e com uma transição de meio-campo e ataque de muita habilidade e velocidade a equipe se tornou um símbolo de futebol compacto e de resultado. Estamos falando do fantástico São Paulo de 2007.

Para começo de análise devemos voltar um ano antes e notar que apesar de algumas semelhanças de peças com a equipe vencedora do tetracampeonato, o desmanche foi brutal para o São Paulo que perdeu 6 peças de seu time considerado base: Ilsinho, Fabão, Júnior, Josué, Mineiro e Danilo foram negociados alguns no fim de 2006 e outros no começo do campeonato brasileiro de 2007 fazendo com que a equipe tricolor tivesse que ir atrás de reforços. Com as chegadas de Jorge Wagner, Hernanes, Hugo, Borges e Dagoberto além da descoberta do até então jovem e talentoso zagueiro Breno, Muricy tinha em mãos peças que viriam a formar uma formidável equipe que conquistaria o país com um futebol de extremo domínio.

Elenco do pentacampeonato são paulino (Foto: Rubens Chiri/Perspectiva)
Elenco do pentacampeonato são paulino (Foto: Rubens Chiri/Perspectiva)

Mesclando as peças novas com outras remanescentes do time campeão do ano anterior o técnico Muricy Ramalho montou uma equipe com um estilo de jogo diferente do 4-4-2 apresentado em 2006 e começou a pensar a equipe no 3-4-3/3-5-2. A equipe base do time paulista, que foi se montando no decorrer do campeonato passaria a ser então: Rogério Ceni; André Dias, Breno e Miranda; Souza, Hernanes, Richarlyson e Jorge Wagner; Leandro, Dagoberto e Borges. Reservas de luxo que foram utilizados com frequência foram o zagueiro Alex Dias, o volante Zé Luís, o meia Hugo e o atacante Aloísio Chulapa. A equipe recém formada foi se entrosando aos poucos durante o início do brasileiro e conseguiu alcançar um nível consistência e regularidade nunca antes vista, a ponto de no fim do campeonato a defesa da equipe ter sido vazada somente 19 vezes e vencido o campeonato com quatro rodadas de antecedência!

A equipe se baseava em um sólido sistema defensivo que começava com 3 zagueiros, passava por uma linha de 4 meio-campistas que compactavam e os atacantes que voltavam para ajudar da marcação. Apesar de todo o talento da zaga, o segredo da eficiência defensiva da equipe se encontrava muito na estabilidade que o meio-campo dava para todo o restante do time: Jogando pela ala direita o meio campista Souza era o que menos tinha cacoete para a marcação, mesmo assim se esforçava e mostrou toda a sua polivalência; Fechando mais pelo meio Hernanes e Richarlyson se esforçavam bastante na marcação apesar de ambos serem segundo-volantes; Pela ala esquerda Jorge Wagner era provavelmente o jogador mais importante taticamente da equipe, apoiava muito, mas marcava tanto quanto.

Breno e Miranda: Pilares defensivos do time do São Paulo que sofreu apenas 19 gols em 38 jogos (Foto de Gaspar Nóbrega/GazetaPress)
Breno e Miranda: Pilares defensivos do time do São Paulo que sofreu apenas 19 gols em 38 jogos (Foto de Gaspar Nóbrega/GazetaPress)

Ofensivamente, a equipe se caracterizava pela transição muito veloz entre defesa e ataque e intensa movimentação de todos os jogadores. Com a alocação de Souza para a ala direita a equipe ganhou com lançamentos precisos e cruzamentos de qualidade para a área, assim como ocorreu também pela ala esquerda com Jorge Wagner. Pelo meio, Richarlyson se colocava um pouco mais atrás e dava liberdade para que Hernanes subisse bastante para o ataque minuciasse o ataque diversas vezes com seus primorosos lançamentos e seu bel toque de bola. Leandro era um híbrido nesta equipe, fazia tanto a vez de atacante pelas  beiradas quanto voltava para buscar o jogo e ajudar na criação. Já Dagoberto jogava pelas pontas e invertia o tempo todo de lado de campo enquanto o outro atacante Borges era o que ficava mais fixo na área, mesmo tendo por característica também bastante movimentação.

Os chutes de fora da área da equipe também eram fatores preponderantes para o sucesso do time, tendo em Hernanes e Jorge Wagner excelentes finalizadores de longa distância. O diferencial do time, era a intensidade com que o time jogava, com todos do meio e do ataque sabendo jogar com a bola nos pés e entrosados, o que tornava o time compacto e quase imbatível. Outro fator que não pode ser esquecido é a importância que alguns reservas como Alex Dias, Hugo e Aloísio tiveram neste campeonato: Alex Dias era o zagueiro reserva que sempre que precisava entrar no jogo correspondia muito bem; Hugo era um meio campista que aliava força e técnica e entrava principalmente quando a equipe precisava de uma referência para criação no meio-campo; Aloísio era o típico atacante trombador do elenco, necessário principalmente para jogos contra defesas mais físicas.

Foi com esse futebol que o tricolor paulista fez história. Um futebol em sua premissa defensivo, mas que era mortal nos contra-ataques e de uma eficiência assustadora, além de ser vistoso por tanta organização tática e qualidade técnica que se tinha em campo.

Texto: Filipe Marques

5 Comentários em São Paulo de 2007: defesa fantástica e ataque mortal

  1. Só uma correção. O zagueiro reserva era Alex Silva, o Pirulito, menino e tão promissor quanto Breno. Destaque também para a dupla Hernanes e Richarlyson, que assim como Mineiro e Josué, foram considerados a melhor dupla de volantes do país.
    Excelente texto, parabéns!

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