Seis casos de jogadores que morreram em decorrência de mal súbito

TRISTES LEMBRANÇAS

Por Paulinho Rahs, RS

Tragédias em campo são coisas que, felizmente, não vemos com tanta frequência nos gramados profissionais. Mesmo assim, sempre que acontecem são motivo de alerta vermelho para a forma como vemos o futebol. Desde a arquibancada até os debates de imprensa, a ‘seriedade’ com a qual levamos o esporte fica em cheque em frente aos olhos da morte. A rivalidade e o ódio pelo rival se tornam absolutamente insignificantes perto de circunstâncias como a queda do avião da Chapecoense em Novembro de 2016. Afinal, a vida é muito maior do que a disputa. Outro tipo de caso que nos leva a refletir é a forma como a exigência feita sobre os atletas em campo precisa andar de braços dados com a preparação física adequada e o tratamento médico.

Nesta matéria separamos seis casos onde atletas faleceram em campo e reacenderam o debate sobre a fundamental importância de ver os homens da bola como humanos passíveis dos mesmos problemas que todos nós.

Serginho – São Caetano-SP, 2004

O caso mais famoso do tipo no Brasil. O país parou com o drama de Serginho na noite de 27 de Outubro de 2004. Era a 38º rodada do Campeonato Brasileiro e o seu clube, o São Caetano, que vivia grande fase no início dos anos 2000, enfrentava o São Paulo no Morumbi. Aos 14 do segundo tempo, o zagueiro desabou no gramado e imediatamente foi constatada uma parada cardíaca. Os jogadores de ambas as equipes entraram em desespero e em questão de minutos já faziam uma roda de oração no centro do gramado enquanto a torcida gritava o nome do atleta. Uma grande polêmica se iniciou nos meses seguintes. O médico do São Caetano, Paulo Fortes havia realizado um cateterismo em Serginho poucos dias antes da morte do zagueiro, no qual foi detectado um problema cardíaco leve, “insignificante”, segundo o doutor. No desfecho do caso, o clube do ABC foi punido pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) com a perda de 24 pontos no Campeonato Brasileiro, em decisão que até hoje os membros do corpo médico da equipe e nem os atletas engoliram. O São Caetano vinha com boas chances de disputar do título naquele fim de temporada.

 

Marc-Vivién Foé – Seleção de Camarões, 2003

Era semi-final da Copa das Confederações de 2003 na França. Foé, meio-campista do Manchester City-ING, tinha apenas 28 anos quando entrou em colapso e faleceu em campo na cidade de Lyon, na vitória por 1 a 0 dos camaroneses sobre a Colômbia.

Mais tarde, revelou-se um problema de cardiomiopatia hipertrófica – uma hereditária e raríssima condição, que acomete menos de 0,2% da população mundial.

Apenas dois meses antes de falecer na França, o africano tinha colocado seu nome para sempre no time inglês, ao marcar o último gol dos Citizens no estádio de Maine Road, antes da mudança para o Etihad Stadium.

Foe é atendido no gramado em Lyon na partida contra a Colômbia. (Foto: JEAN-PHILIPPE KSIAZEK/AFP/)

 

Dani Jarque – Espanyol-ESP, 2009

Dani Jarque não faleceu exatamente em campo, mas sim na concentração em um hotel italiano durante a pré temporada da equipe do Espanyol. O ataque cardíaco que tirou a vida do atleta chamou muito a atenção por ter sido dois anos depois da morte traumática de Antônio Puerta (a qual falaremos abaixo) e por Jarque, que na época tinha 26 anos, ser o capitão do clube catalão e um atleta muito querido no futebol espanhol. Marcou na história a homenagem que recebeu de Iniesta, um ano depois, na final da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, vencida pelos espanhóis. O meio campista vestiu abaixo de sua camisa uma outra camiseta com os dizeres: “Jarque sempre conosco”

Iniesta comemora o título mundial espanhol homenageando Dani Jarque (Foto: NDONline)

Antônio Puerta – Sevilla-ESP, 2007

A morte de Jarque chocou muito mais por o futebol espanhol ter passado por luto semelhante pouco tempo antes. Em 2007, o defensor do Sevilla Antônio Puerta, de apenas 22 anos, sofreu uma parada caríaca durante uma partida contra o Getafe, pelo Campeonato Espanhol. Atuando pela lateral, chegou a ser reanimado em campo após um atendimento rápido e foi levado prontamente a um hospital próximo. Porém, no caminho, o atleta sofreu mais cinco paradas cardio-respiratórias. Internado por três dias, Puerta não conseguiu se recuperar dos danos cerebrais sofridos com as paradas e veio a falecer.

 

Miklos Feher, Benfica-POR, 2004

O atacante húngaro Miklos Feher, de 24 anos, morreu após desmaiar durante jogo entre Benfica e Vitória de Guimarães pelo Campeonato Português. Um húngaro teve um ataque cardíaco.
Feher havia entrado na partida aos 15min do segundo tempo. Segundos antes de ir ao chão, o atacante havia recebido um cartão amarelo. Ele sorriu ironicamente ao juiz e em seguida passou mal e caiu. Os jogadores próximos a ele logo tentaram lhe reanimar e chamaram o atendimento médico desesperadamente. Alguns correram até o banco e outros ficaram de joelhos e começaram a rezar. Domingo Gomes, médico da Uefa na época, deu declarações afirmando que houve bastante dificuldade para a ambulância acessar o gramado, mas ressaltou que o atendimento foi rápido e adequado assim que iniciado. Segundo o relatório médico, a arritmia cardíaca aconteceu por conta de uma cardiomiopatia hipertrófica.

 

Piermario Morosini – Livorno-ITA, 2012

Talvez uma das cenas mais fortes de jogadores que faleceram em campo seja a de Morosini. Em 2012, em confronto do Livorno contra o Pescara pela Série B do “cálcio” italiano, o jogador sofreu um mal súbito. Como o vídeo abaixo mostra, é agoniante ver o jogador tentando se levantar após duas quedas. Na terceira, ele não conseguiu mais ficar em pé. Morosini tinha uma deformação genética cardíaca. Era um problema raro e muito difícil de detectar, que transforma gradualmente as células musculares do coração em gordura. Foi concluído no ano seguinte, por investigação da justiça italiana, que sua morte foi um “homicídio por negligência” por parte da equipe médica.

 

E você, confra. Qual morte lembra de jogadores no futebol?

Fontes: Veja, Estadão, Marca, ESPN, Exame e Youtube.

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