Sociedade Esportiva Palmeiras – 103 anos de glórias, gritos e lágrimas

Os 103 anos de um gigante brasileiro

Capa comemorativa do aniversário do Palmeiras (Foto: Reprodução/SE Palmeiras/Facebook)
Por Max Galli – SP

No último sábado (26), a Sociedade Esportiva Palmeiras comemorou seus 103 anos de história. Sua fundação em 1914 se deu por grande influência dos imigrantes italianos, e por isso iniciou com o nome de Palestra Itália, tendo em vista que a palavra Palestra significa Academia. A equipe foi criada para englobar a colônia italiana como um todo, já que o país vinha de uma unificação recente e, mesmo com algumas equipes na cidade de São Paulo tendo o mesmo rito de fundação (ou seja, por imigrantes vindos do país da bota), nenhuma abrangeria a ideia de ter jogadores da Itália como um todo. O Palestra era diferente. A primeira partida só viria quase seis meses depois da fundação, contra o Savóia, em 24 de janeiro de 1915. Vitória por 2 x 0 para os palestrinos.

Em 1917 já era vice-campeão paulista. Em 1918 houve a primeira partida contra quem seria seu maior rival, o Corinthians, e de lá sairia a primeira vitória: 3 x 0. No mesmo ano, o Palestra ganhou a simpatia dos locais paulistanos ao ajudar a combater a Gripe Espanhola que chegaria na cidade. Em 1920, o primeiro título de expressão: Campeão Paulista. Naquele ano, ganhou poder de patrimônio e ali já começava as ajudas de grandes empresas locais. Com o apoio da Companhia Matarazzo comprou o campo de futebol e grande parte do terreno do que seria o Parque Antarctica.

Tribuna da Savoia onde o Palmeiras conquistou a primeira vitória na história (Foto: Reprodução/Acervo Pessoal/Gerson Júnior)
Tribuna da Savoia onde o Palmeiras conquistou a primeira vitória na história (Foto: Reprodução/Acervo Pessoal/Gerson Júnior)

Até 1942 o Palestra Itália já tinha conquistado oito Campeonatos Paulistas e três Rio-São Paulo e o que foi, para muitos, a maior conquista: a vitória por 8 a 0 sobre o Corinthians em 1932. E 1942 ficou conhecido como o ano da Arrancada Heroica. Após o início da Segunda Guerra Mundial, o então presidente Getúlio Vargas instituiu um decreto que proibia qualquer entidade com nomes relacionados aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Virou Palestra de São Paulo, porém as pressões políticas continuaram e assim no dia 19 de Setembro de 1942, um dia anterior à final do Paulista contra o São Paulo a diretoria definiu o nome da equipe como Sociedade Esportiva Palmeiras e eis a frase de Dr. Mario Minervino: “Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões”.

Em 1951 o mundo se tornou verde. A conquista da Copa-Rio fez com que os palestrinos se tornassem, segundo a FIFA, o primeiro campeão mundial de clube da história. Em 1960 o primeiro campeonato brasileiro entra na galeria de títulos palmeirense. A primeira academia, como os jornais assim chamavam a geração de 60, era a única equipe que batia de frente com o Santos de Pelé. Em 1965 a equipe inteira do Palmeiras vestiu verde e amarelo e representou a Seleção Brasileira na inauguração do Mineirão enfrentando a Seleção Uruguaia:  3 x 0. Vitória brasileira, vitória palestrina.

Palmeiras representando a Seleção Brasileira na inauguração do Mineirão (Foto: Reprodução/Acervo Palmeiras)
Palmeiras representando a Seleção Brasileira na inauguração do Mineirão (Foto: Reprodução/Acervo Palmeiras)

Na década de 70, com a chegada de novos jogadores, foi criada a chamada segunda academia, nesse tempo teve uma pessoa com grande participação tanto nas conquistas como na forma de jogar da equipe alviverde: Osvaldo Brandão. O técnico é o recordista em títulos do Palmeiras. Nos anos 80, começou o marasmo de títulos: bateu na trave contra a Internacional de Limeira no Paulista de 86 e no mesmo ano incorporou o Porco ao seu nome. Em 88 começou a construção do seu Centro de Treinamento, a Academia de Futebol que ficaria pronta três anos depois.

Nos anos de 1990, até os anos 2000, seria uma época de alegrias após parceria com a Parmalat tendo conquistado o Paulista de 93 em cima do maior rival e acabando com os 16 anos de fila sem títulos. A parceria deu o bi em 94, além dos brasileiros também nesses anos. Ela fez parte do histórico Paulista de 96, onde a equipe palmeirense foi campeã tendo marcado 102 gols no campeonato. Também foi vice da Copa do Brasil e vice do Brasileiro em 97. Em 98, voltaria a conquistar um campeonato nacional com o gol milagroso de Oséas na Copa do Brasil diante do Cruzeiro. Em 1999, o continente era Palmeiras, era Palestra Itália. A conquista da Libertadores que até então é visto como o maior de todos no hall de títulos da galeria palestrina.

Palmeiras conquista a Libertadores de 99 (Foto: Reprodução/GloboEsporte.com/Agência Estado)
Palmeiras conquista a Libertadores de 99 (Foto: Reprodução/GloboEsporte.com/Agência Estado)

Eis a homenagem de um torcedor que viveu as lágrimas das conquistas e os gritos nas tristezas:

“(Vendo meu irmão ganhar uma camisa do Palmeiras) “Tio, eu também quero uma camisa, mas quero do São Paulo” – “não, só dou se for do Palmeiras” – “ah, então tá!” (aceitando por querer uma camisa)

Esse dia me fez palmeirense! Esse dia me viver mais intensamente o que é gostar de futebol, respirar e querer viver todos os dias de futebol!

Lembro das glórias nos títulos de 98, 99 e 2000, lembro da festa nas ruas, lembro dos quases de 97 e 2000! Lembro de sofrer, cair no choro, berrar por ver o Vitória ganhar de 4 a 3 e fazer sentir o gosto da segunda divisão pelo primeira vez e sofrer ainda mais pela possibilidade de poder perder um santo, o goleiro que saiu da minha cidade, Lençóis Paulista, e que dizem que foi trocado por 11 bolas e 12 pares de chuteira e se tornou mundial!

Lembro de ver um atacante do amor nos levantar com gols e lances emblemáticos! Lembro de ver os rivais serem campeões de praticamente tudo, de terem times competitivos, de ser eternamente zuado pelos amigos por causa da cor verde! Lembro de receber todos os dias notícias com contratações de nomes inusitados e que hoje só são lembrados por pura e simplesmente brincadeira!

Lembro da magia em 2008 junto com uma cara nova que surgiria dali em diante! Lembro de um Domingo acabar com um sonho do Bi! Lembro de um chute de fora da área sob olhos da Cordilheira dos Andes em 2009 que reergueu a obsessão pelo continente! Lembro de alguém melhor que o Eto’o fazer três gols no maior rival! Lembro de um interino ser melhor que muitos efetivados! Lembro da contratação de um dos técnicos mais vencedores do Brasil! Lembro da volta do ídolo do amor! Lembro do jogo que começou a derrocada, nos Aflitos, 3 a 0! Lembro do ídolo do amor apanhar por ditos palmeirenses! Lembro do penúltimo jogo com de um chute de primeira do meio campo! Lembro da invasão da torcida no Estádio do Pan do Rio mas ver tudo ruir!

Lembro de 2010 começando com o nosso jardim suspenso ser fechado para reforma perdendo para o rival argentino! Lembro de uma dança na Vila Belmiro! Lembro de quatro penaltis perdidos no Serra Dourada! Lembro de perder os dois melhores jogadores da equipe! Lembro da volta de um gladiador e da magia no meio campo! Lembro das lágrimas por perder uma semi-final sul-americana para time verde com jogo ganho! Lembro de um Pato fechar uma cobrança de penaltis contra o maior rival! Lembro dos seis vexames em Curitiba! Lembro da lei do ex prevalecer contra o Vasco!

Lembro do aviso que a santidade iria parar de abençoar as traves! Lembro de mais uma derrota para time verde! Lembro de um time Millionário colombiano! Lembro da vinda de um pirata! Lembro de uma vaquinha para um mascarado! Lembro de ser o time derrotado pelo campeão nacional! Lembro do bigode de um mago! Lembro de uma força inenarrável da torcida palestrina! Lembro de um resultado inimaginável para a imprensa no Olímpico! Lembro de um jogo fabuloso no Jardim Berval! Lembro de uma resvalada que me tirou lágrimas novamente! Lembro do Brasil virar verde! Lembro de uma luta brasileira! Lembro de uma demissão de um penta-campeão! Lembro do dia 18 de Novembro de 2012 que me arrancou mais gritos! Lembro do ex-ídolo do amor nos recolocando no fundo do poço! Lembro que um longêvo que bate no peito errar um gol e ‘ajudar’ a nos derrubar! Lembro de um jogo icônico na despedida de uma santidade alviverde!

Lembro da contratação de um novo futuro ídolo vindo do co-irmão carioca! Lembro da troca de um pirata por cinco! Lembro de uma goleada caipira! Lembro da volta da obsessão pelo continente! Lembro de uns copos quebrados no aeroporto e um corte na orelha! Lembro de uma frango que nos tirou da luta! Lembro de jogos memoráveis na luta para sair do poço! Lembro do nome novo da nossa ferradura! Lembro da volta glorificada para a elite! Lembro de um chute despretensioso de Itu! Lembro da perda do artilheiro para um rival! Lembro do vexame goiano! Lembro de um argentino que trouxe mais quatro argentinos! Lembro do começo da empolgação! Lembro da subida de um jesuíta! Lembro dos 10 jogos sem ganhar! Lembro das últimas seis rodadas! Lembro da tão esperada Arena! Lembro do Ananias! Lembro do gol do Thiago Ribeiro! Lembro do alívio!

Lembro de um novo diretor! Lembro de um novo patrocinador! Lembro de uma nova ideia associativa! Lembro dos 26 novos jogadores! Lembro de um começo com o longêvo nos levantando com sua voz e batimento no peito! Lembro da cobertura no Rogério Ceni! Lembro de um 4 a 0 maravilhoso! Lembro de uma batalha épica na Zona Leste! Lembro de duas defesas de penalti relembrando 99! Lembro da primeira final em casa! Lembro do penalti na trave! Lembro da expulsão do nosso pequenino-guerreiro! Lembro de mais gritos pelo vice! Lembro da não renovação da magia! Lembro da vinda do técnico campeão! Lembro dos sete jogos sem perder! Lembro da comemoração do pequenino-guerreiro contra o maior rival! Lembro de mais um vexame em Chapecó! Lembro do golaço jesuíta em Minas! Lembro do pulo para a vitória contra colorados! Lembro da defesa no contra-pé de um atacante de Copa do Mundo! Lembro da imprensa darem o título para o outro time! Lembro dos dois gols do pequenino-guerreiro! Lembro do gol do título do nosso arqueiro-ídolo!

Lembro da volta da obsessão pelo continente! Lembro de uma água santa nos beatificar horrivelmente! Lembro da primeira fase! Lembro de uma nova Cuca! Lembro de dois gols nos últimos minutos! Lembro de mais gritos pela não ida pra final! Lembro do 4×0 que começou o nacional! Lembro do mensageiro de deus! Lembro de um tchetchererê! Lembro do Mina bailarino! Lembro da lesão do nosso arqueiro-ídolo! Lembro da venda do nosso jesuíta! Lembro de mais um longêvo que nunca jogou a Série A não ser derrotado e virar ícone! Lembro do gol na Arena da Baixada! Lembro do cheirinho! Lembro do gol no Beira-Rio! Lembro da entrada do Luan contra o Flamengo! Lembro de mais uma batalha na Zona Leste sendo vencida! Lembro da defesa de barriga do nosso longêvo lateral! Lembro do aeroporco! Lembro de mais uma comemoração emblemática do nosso pequenino-guerreiro! Lembro do time que ‘deveria’ vencer por ‘jogar mais bonito’! Lembro do “não se esqueçam de mim que eu nunca vou esquecer de vocês!” Lembro de todas as cenas, principalmente da cena que me deu um dos melhores dias da minha vida, a cena que pedi a camisa pro meu tio.

Todas essas lembranças só aconteceram por causa de um pedido e hoje só agradeço porque tenho as melhores lembranças e lágrimas derramadas! eu sou Palmeiras e serei Palmeiras! Sou Alviverde Imponente! Sou do time que sabe ser brasileiro! Obrigado futebol, obrigado tio, obrigado Palmeiras!

Parabéns Socidade Esportiva Palmeiras pelos 103 anos de glórias, gritos e lágrimas.”

Fontes: Site Oficial da SE Palmeiras

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. Assim como Neymar, eu joguei pelo rival - Cenas Lamentáveis

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*