Souza, ídolo eterno do America-RN

José Ivanaldo de Souza se tornou um dos maiores nomes da história do Mecão e do futebol potiguar

Maior ídolo do América-RN, Souza brilhou para o Brasil inteiro (Foto: Reprodução/GloboEsporte.com)

A data era 05 de março de 1993, a cidade era Natal, e o palco era o gramado do estádio Machadão. Em uma partida válida pela primeira fase da Copa do Brasil onde o América-RN enfrentava o Flamengo-RJ, surgia para o país do futebol, a pessoa de José Ivanaldo de Souza, ou simplesmente Souza. Baltazar Germano, então treinador do America, não pensou muito e tratou de escalar o jovem de 17 anos até então desconhecido, e aquela foi a primeira aparição em nível nacional do craque. O resultado daquele jogo foi um 2 a 2 bem disputado, com Souza dando as duas assistências para os gols alvirrubros.

A passagem de Souza no Mecão duraria mais alguns meses até o final do Campeonato Potiguar, quando o meia foi negociado com o Rio Branco-SP ainda em 1993. No clube de Americana, Souza despertou o interesse dos grandes times paulistas, e em 1994 se transferiu para o Corinthians, que havia vencido uma corrida nos bastidores com o São Paulo para contar com a talentosa canhota de Souza.

Foi no Corinthians que Souza viveu o ápice de sua carreira, conquistando com o alvinegro paulista a Copa do Brasil de 1995, e os campeonatos paulista de 1995 e 1997. Souza jogou pelo Timão de 1994 a 1998, onde atuou 209 vezes e marcou 31 gols. Uma das conquistas pessoais mais importantes na carreira de Souza aconteceu nos tempos de Corinthians, quando o meia foi convocado por Zagalo para defender a Seleção Brasileira.

Souza atuando pelo Corinthians, onde esteve em seu maior nível Foto: (Reprodução: 100xCorinthians)
Souza atuando pelo Corinthians, onde esteve em seu maior nível
Foto: (Reprodução/100xCorinthians)

Depois desse período no Corinthians, Souza foi comprado pelo São Paulo. Ele chegou no tricolor do Morumbi como craque, e apesar de não repetir as mesmas boas atuações que tinha quando jogava pelo rival, ainda permaneceu lá por um bom tempo e ainda assim ajudou ao clube nas conquistas do Campeonato Paulista de 2000, e do Torneio Rio-São Paulo de 2001. E foi em 2001 que o craque voltou a conquistar um campeonato de nível nacional.

Souza em ação pelo São Paulo Foto: (Reprodução: mgesportes)
Souza em ação pelo São Paulo Foto: (Reprodução/mgesportes)

Depois da conquista do Rio-São Paulo o meia foi emprestado ao Atlético Paranaense para a disputa do Campeonato Brasileiro, e lá vinha comandando o meio de campo do Furacão com sua maestria digna de um grande camisa 10. Porém, no decorrer da competição, Souza sofreu uma lesão e após sua recuperação, Adriano (o mesmo Adriano Gabiru) havia tomado conta de sua posição e a titularidade de Souza já não existia mais. Mesmo assim, Souza continuou no clube, revezando com Adriano até a consagração final com o título do Campeonato Brasileiro sobre o São Caetano.

Atlético-PR campeão Brasileiro em 2001, Souza é o primeiro agachado Foto: (Reprodução:imortaisdofutebol.com)
Atlético-PR campeão Brasileiro em 2001, Souza é o primeiro agachado Foto: (Reprodução/imortaisdofutebol.com)

Após a conquista com o Furacão, Souza foi contratado pelo outro grande Atlético do futebol nacional. Dessa vez, o craque desembarcava na Cidade do Galo, onde disputou temporada de 2002, com atuações discretas. Em 2003, foi a vez dos gramados europeus verem o talento potiguar desfilar. Souza jogou de 2003 a 2005 no futebol Russo.

Em meados de 2005, o meia voltava a ser destaque nos noticiários nacional, quando foi contratado pelo Flamengo, carregando a responsabilidade de vestir a 10 que um dia foi de Zico, e também a dolorosa missão de livrar o rubro negro do rebaixamento. Ao fim do ano, Souza sentiu-se aliviado por conseguir cumprir com as missões que lhe foram dadas no clube carioca, porém ele não continuaria mais lá.

Foi então que o coração bateu mais forte e Souza tomou uma decisão um pouco inesperada. Em 2006 ele voltaria para o clube que o revelou e acabara de voltar para a série B, depois de ser vice-campeão da terceira divisão do Campeonato Brasileiro.

O craque Souzinha (como é carinhosamente apelidado pelos torcedores do América-RN), estava depois de 13 anos, voltando ao Mecão. Sua temporada de retorno não poderia ser melhor. Souza foi o principal nome da equipe recém promovida à série B, e ajudou o clube no acesso para a primeira divisão do futebol brasileiro, sem precisar mais que uma temporada. Sem escalas, o Mecão foi da C para a A.

Souza, permaneceu na equipe para a disputa da série A em 2007, e mesmo com o fraco rendimento da equipe, que foi rebaixada com a pior campanha da história do Campeonato Brasileiro disputado por Pontos Corridos (17 pontos), o craque ainda se destacou e no ano seguinte foi contratado novamente pelo Atlético-MG para ser o camisa 10 do Galo no ano de seu centenário. A idade vinha chegando e o corpo já não obedecia mais aos comandos com a mesma destreza,. E foi com essa realidade que Souza passou pelo rapidamente pelo Galo em 2008.

Souza chegou para ser o 10 do centenário do Galo em 2008 Foto: (Reprodução/mgsuperesportes)
Souza chegou para ser o 10 do centenário do Galo em 2008 Foto: (Reprodução/mgsuperesportes)

Ainda no mesmo ano, ele retornou para o América e ajudou o clube na luta contra o rebaixamento para a série C. Continuou no clube em 2009, mas não terminou a temporada. Depois de uma lesão, Souza anunciava a sua aposentadoria recheada de conquistas. Souza tratou de sua lesão e ficou fora dos gramados até 2011, quando recebeu um convite do para retornar ao Dragão Potiguar e defender a camisa do Mecão mais uma vez. Essa sim foi sua última temporada como jogador profissional.

Depois de sua carreira de muitas conquistas e talento, Souza atuou no mundo imobiliário e hoje é empresário de vários jogadores no mundo a fora. Mas uma atuação sua em chamou mais destaque. O Craque criou uma clínica médica para tratar a própria filha e outras crianças no RN. A filha do craque possui AME – Atrofia Muscular Espinhal, uma doença degenerativa que atinge principalmente o desenvolvimentos dos membros superiores e inferiores. Que golaço de placa, do craque!

 

Texto: Jaqueilton Gomes

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