Alexandre Pato: o último filho de uma geração

Pato é um dos últimos jogadores de uma brilhante geração que não conseguiu atingir ao sucesso esperado

Que o brasileiro é um ser mal acostumado com assuntos relacionados ao futebol todo mundo sabe e ninguém sequer faz o mínimo esforço para esconder. É legal quando uma pessoa pode ostentar o título de único pentacampeão mundial e mais legal ainda poder contar pros amigos que viu tantos grandes craques brilharem nos campos do mundo. Após a geração de Pelé vivemos um hiato dolorido de conquistas até que tudo recomeçou em 1994, quando Romário comandou a seleção para o tetra e abriu espaço para uma nova geração que teve outros grandes nomes.

E por que ficamos mal acostumados? É que quando Romário entrava na descendente aparecia Ronaldo. Quando Rivaldo mirava o fim da carreira Ronaldinho brilhava e Kaká dava o respaldo. Quando Ronaldo já não era mais o milagreiro Adriano era o cara. Até a Copa de 2010 a safra de craques vivia um processo de renovação mais eficiente que energia eólica e indicava uma possível predominância do futebol brasileiro por muitos anos ainda. Robinho e Alexandre Pato pegaram carona nesse momento, dois garotos que encantavam o mundo com a qualidade de seu futebol e que um dia ajudariam Ganso e Neymar a liderar a turma seguinte.

Pato e Kaká juntos em campo pela seleção brasileira (Foto: Globoesporte.com)

Mas tudo deu errado. A maioria das estrelas entrou em parafuso e paralisou a transição de uma geração para outra. Para se ter uma ideia, esperávamos uma seleção brasileira completamente diferente daquela que esteve em campo na Copa do Mundo de 2014. Kaká e Ronaldinho ainda jogariam, mas, a não ser que alguma estrela do nível de Neymar surgisse, os líderes daquele time seriam Robinho, Adriano… e Pato. Do meio para trás qualquer técnico daria um jeito. Daquela geração sobraram hoje Robinho, sumido na Turquia, e Pato. Mais ninguém. O agora reforço do São Paulo, que fez sua estreia na seleção brasileira em 2008 contra a Suécia marcando um gol de cobertura de fora da área, se despediu da amarelinha no longínquo setembro de 2013 contra Portugal, quando era jogador do Corinthians. Robinho, com seus 34 anos, não tem muito pela frente, mas com 29 Pato ainda respira e pode pelo menos garantir seu lugar na galeria de ídolos do São Paulo.

A volta ao São Paulo Futebol Clube

Pato agora está de volta ao São Paulo, clube onde foi muito feliz entre 2014 e 2015. A primeira passagem dele pelo clube teve um início confuso, afinal o jogador era do Corinthians e foi para o Morumbi por empréstimo em um negócio que ainda envolveu o meia Jadson. Pato não se deu bem no Timão mas foi muito bem no Tricolor. Já a saída foi mais confusa ainda, afinal ele demonstrava desejo de continuar no Morumbi, mas isso não aconteceu por se tratar de uma negociação muito cara e que não seria facilitada já que envolvia dois clubes rivais.

PH Ganso, Alexandre Pato e Kaká, na equipe vice-campeã brasileira de 2014 (Foto: Getty Images)

Porém, a torcida nesses anos todos pediu pela volta do jogador, que embora seja eternamente questionado por uma eventual falta de raça, mostrou nos números que para o nível do futebol brasileiro ele pode ser muito útil. Vamos a eles:

• 101 jogos pelo São Paulo entre 2014/15;
• 38 gols;
• 15 assistências;
• 195 finalizações, sendo 100 no gol;
• 5º atacante que mais desarmou em 2015;
• 3º atacante que mais deu assistências em 2015;

Claro que Alexandre Pato, embora jogador de muito nível, não é o líder que todo grupo quer. E nem se deve cobrar esse papel dele, até porque não é disso que o São Paulo precisa. Para esta função Hernanes já foi escolhido como sendo o cara. O São Paulo precisa é de jogadores que comandem uma transição de qualidade para a nova e boa geração que vem por aí. Pato não é o Deus da raça e não corre pelos outros 10 jogadores, mas é um atacante que executa o próprio papel muito bem e tem algo que está em falta no futebol brasileiro: qualidade nos fundamentos básicos, itens infelizmente tão raros por aqui nos últimos tempos.

Alexandre Pato, em sua primeira passagem pelo Tricolor (foto: UOL esporte)

Em tempos de tantos passes errados e chutões desesperados é importante poder contar no elenco com um jogador de drible, passe e chute muito bons. Quando consegue chutar para o gol sempre leva perigo. Quando está em condições de realizar uma assistência sabe como deixar um colega na cara do gol. E muitas vezes resolve no drible. Pato é opção de jogo para Hernanes, é jogador que carrega a marcação, e bom parceiro para auxiliar Pablo no ataque. E claro, para deixar a torcida feliz em tempos onde o marketing terá de agir pesado para bancar os altos valores envolvidos em sua contratação. Mas de qualquer forma é sempre bom esquecer a postura dele fora dos campos, pois futebol ainda se faz com bons jogadores e suas qualidades devem se concentrar nas quatro linhas. E estes caras sempre merecerão espaço.

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