Super-Ézio: um herói em tempos difíceis

Super-Ézio comemora mais um gol em Fla-Flu (foto: Arquivo/FFC)
Por: Cristóvão Vieira, SC

Na década mais triste da história do Fluminense, somente um super-herói para arrancar aplausos, sorrisos e esperança da torcida tricolor. Essa responsabilidade caiu sobre os ombros de Ézio Leal Moraes Filho, o Super-Ézio, que atuou pelo clube entre os anos de 1991 e 1995. Autor de impressionantes 119 gols em 237 partidas e oitavo maior artilheiro da história do tricolor carioca em jogos oficiais, o capixaba não primava pelo talento em campo – era na verdade, o famoso ‘canelinha de ouro’ – mas bola no Ézio era gol na certa.

No maior estilo centroavante classudo, o atleta foi essencial nas conquistas da Taça Guanabara de 1991, 1993 e no Campeonato Carioca de 1995 (aquele do gol de barriga de Renato Gaúcho). Foi o principal jogador no início de uma era nefasta do Flu, um período de dívidas, seca de títulos e má administração que culminou em quedas sequenciais até a fatídica Série C de 1999, embora Ézio já não atuasse mais pelo clube.

Depois do Fluminense, Super-Ézio atuou por Atlético-Mineiro, CFZ-RJ, Rio Branco e encerrou a carreira em 1998, no Inter de Limeira, quando ainda tinha 32 anos. O fio de esperança tricolor faleceu precoce, aos 45 anos, vítima de câncer.

Antes de virar super-herói, Ézio atuou pela Lusa (foto: Acervo/Gazeta Press)
Antes de virar super-herói, Ézio atuou pela Lusa (foto: Acervo/Gazeta Press)

O surgimento de um ídolo

Os primeiros petelecos na bola de maneira profissional desse capixaba de Mimosa foram dados no Bangu, clube que defendeu entre 1986 e 1988. Justamente pela aparente falta de intimidade com a bola, Ézio demorou a chamar a atenção de um clube de maior expressão. Foi atleta de outros dois clubes tradicionais do Rio de Janeiro, Olaria e Americano, e em seguida pegou a rodovia rumo a São Paulo, onde jogou na Portuguesa. Na Lusa, não teve boa passagem.

Chega o ano de 1991, temporada de quebradeira total no Fluminense. A diretoria procurava formar um elenco bom e barato. Vieram atletas baratos sim, já bons, questiona-se. No meio dessa penca, surgiu Ézio. Logo em suas primeiras partidas, caiu nas graças do torcedor porque sabia fazer o que poucos estavam conseguindo: gols.

E como fez gols o tal de Ézio, principalmente em Fla-Flus. Ao todo, foram 12 tentos anotados contra o principal rival tricolor, tornando-se, à época, o terceiro maior artilheiro do clássico, atrás somente de Zico (19) e Hércules (15). Um verdadeiro carrasco em tempos de vacas magras.

A ligação entre Fluminense e Ézio era muito grande. A torcida parecia esquecer a seca de títulos quando o atleta chegava e balançava as redes em dia de jogo. Já Ézio era tão apaixonado pelo clube que chegava a assinar contratos em branco de renovação, para só futuramente discutir os valores. Ézio foi autor de um gol na última conquista do Flu dentro das Laranjeiras, a Taça Guanabara de 1993.

Locutor Januário de Oliveira criou o Super-Ézio (foto: Tribuna do Norte)
Locutor Januário de Oliveira criou o Super-Ézio (foto: Tribuna do Norte)

O apelido

A transformação de atleta para super-herói se deu por meio do mais mágico meio de comunicação para o futebol: o rádio. O narrador Januário de Oliveira criou de supetão o apelido de Super-Ézio para o artilheiro, justamente porque ele se destacava em meio a um elenco considerado fraco.

Segundo Oliveira, foi durante um papo com um amigo que surgiu a alcunha. “Ele disse pra mim: poxa, para esse seu time fazer gol é preciso ser herói. Herói não, super-herói. E aquilo ficou na minha cabeça”. Na próxima locução de Januário, um 2 a 2 contra o Botafogo em que Ézio marcou duas vezes, ele emplacou: gol de Super-Ézio, o super-herói tricolor.

Fred usou camisa do Super Ézio em homenagem ao atleta após seu falecimento (foto: Arquivo/FFC)
Fred usou camisa do Super Ézio em homenagem ao atleta após seu falecimento (foto: Arquivo/FFC)

Morte

Super-Ézio faleceu cedo. Aos 45 anos, em 2011, foi acometido pelo fatal câncer no pâncreas. No tricolor, deixou história e recebeu muitas homenagens. Foi velado com a bandeira do Fluminense. Deixou marcas históricas, como o gol do último título conquistado no estádio das Laranjeiras, a casa do Flu. Vestindo as cores branco, verde e grená, era a alegria de uma torcida que não tinha tantos motivos para sorrir. Nos anos 1990, Super-Ézio, bem como um herói de quadrinhos, salvou o Fluminense.

Fontes: GloboEsporte; EsportesR7; Terceiro Tempo

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