“Taí o que você queria”: Januário de Oliveira

Um dos maiores nomes da locução esportiva no Brasil, Januário passou à História por conta dos bordões, até hoje usados

Januário hoje, aos 76 anos: "uma máquina de acompanhar futebol" (Foto: Fabiano de Oliveira/globoesporte.com)
Por: Marcelo David, RJ

“Eu vi, eu vi”: Januário de Oliveira “pintou em cores vivas” a história da narração esportiva no Brasil. Gaúcho de Alegrete, nascido em 1940, começou a carreira fazendo rádio-novela na Rádio Cultura de Bagé, no Rio Grande do Sul. Meses depois, migrou para o esporte, onde atuou até meados dos anos 80 em vários veículos, como as rádios Farroupilha, Mauá e Nacional. Mas foi a partir do trabalho na TV Bandeirantes, sobretudo, narrando jogos do futebol carioca, que Januário passaria a ser nacionalmente reconhecido.

Januário é conhecido por ser dono de um vasto repertório de bordões, como os que ilustram várias aspas espalhadas por esta matéria. O narrador sempre foi “cruel, muito cruel” em suas narrações – aliás, em entrevista ao UOL, Januário conta como este bordão surgiu: ”Foi em um jogo do Dener no Vasco, em São Januário. Ele fez quatro gols e deu passe para outro. No quarto gol, ele pegou uma bola no campo do Vasco, deve ter driblado uns oito jogadores, teve gente que ele driblou duas vezes. Aí eu comecei a narrar ‘maravilhoso, fantástico, grandioso’, fui usando todos os adjetivos, mas acabaram os adjetivos, a língua portuguesa encolheu pra mim. Aí veio um Dener foi ‘cruel, muito cruel’. E assim nasceu”, lembrou.

Criativo e irreverente, o narrador marcou a vida de toda uma geração de torcedores – e, também, de jogadores. Graças a narrações de Januário, vários jogadores acabaram incorporando apelidos a seus nomes: por exemplo, o volante Charles, do Flamengo, viraria “Charles Guerreiro”; o atacante Valdeir, do Botafogo, passaria a ser reconhecido como “Valdeir The Flash”, graças a sua velocidade; o atacante Túlio, após ser chamado de “Túlio Maravilha” por Januário, passou à eternidade conhecido dessa forma – e tudo isso, graças ao talento e à criatividade do narrador.

Algumas histórias, porém, transcenderam as quatro linhas. Num Fluminense e Botafogo, narrado por Januário, o atacante Ézio, do tricolor, após marcar seu segundo gol no jogo, foi reverenciado pelo narrador: ”Ézio, o herói tricolor, 2 a 0, nasce o super-herói tricolor, nasce o Super Ézio”. A partir daquele momento, Ézio passaria a ser chamado assim pela torcida do Fluminense. Também nascia, ali, uma amizade entre o jogador e Januário, tricolor fanático, que durou até a morte do artilheiro, em novembro de 2011 – o locutor tem, inclusive, a camisa usada por Ézio em seu último jogo como profissional.

Após trabalhar na Copa do Mundo de 1998, na França, narrou o jogo dos donos da casa contra o Paraguai, vencida pelos franceses por 1 a 0. Depois da partida, voltou ao Brasil a fim de se reunir com a TV Bandeirantes, com o intuito de se aposentar. O diabetes já afetava sua visão, o que fazia Januário reclamar com companheiros que sua vista estava embaçada. Após essa reunião com a emissora da qual era contratado, o locutor se aposentou. Sete anos depois, com o avanço da doença, acabaria perdendo a visão do olho direito, comprometendo ainda a visão do olho esquerdo – que, hoje, está em apenas 8%.

Januário vive, hoje, em Natal (RN), com a sobrinha, o marido dela e o filho do casal. Apesar da dificuldade em enxergar, ainda acompanha atentamente o futebol brasileiro, se definindo em entrevista para o globoesporte.com como uma “máquina de acompanhar futebol”. Dessa forma, Januário tem, eternamente, o carinho da torcida brasileira, principalmente dos amantes do futebol carioca. E, como ele gosta de dizer: “Acabou o milho, acabou a pipoca, fim de papo.”

Para encerrar, o mítico Fla-Flu de 1995, do “gol de barriga” de Renato Gaúcho, narrado por Januário:

Fontes: globoesporte.com, UOL Esporte e Terceiro Tempo.

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