Teófilo Cubillas, o melhor jogador peruano de todos os tempos

O camisa 10 participou de três Copas do Mundo e conquistou a Copa América de 1975

Mesmo sendo torcedor assumido do Alianza Lima, Cubillas conquistou uma nação inteira com seu futebol (Foto: Reprodução/PQS)
Por Dudu Nobre, PR

A população peruana vive momentos de expectativa. Tudo porque a seleção nacional poderá voltar a disputar uma Copa do Mundo se passar pela Nova Zelândia na repescagem — os confrontos serão nas madrugadas de 11 (Wellington) e 16 de novembro (Lima). Pode ser o fim de uma espera que dura 35 anos, uma época em que La Blanquirroja era comandada pelo maior camisa 10 de sua história: Teófilo Cubillas, El Nene.

Nascido no distrito de Puente Piedra, localizado na região norte da Capital Federal, Cubillas começou a jogar bola no Huracán Boys-PER, mas seu coração sempre bateu mais forte pelo Alianza Lima-PER. Porém ele estudava no colégio Ricardo Bentín de Rímac, que era filiado ao Sporting Cristal-PER. Los Cerveceros estavam de olho na jovem promessa, mas Cubillas tinha a oportunidade de realizar seu sonho: o Huracán Boys iria fazer um amistoso com a equipe BlanquiAzul. Após ótima atuação, Teófilo foi contratado pelo clube do bairro de La Victoria em 1965.

Cubillas teve três passagens pelo Alianza Lima (Foto: Reprodução/Historia Blanquiazul)
Cubillas teve três passagens pelo Alianza Lima (Foto: Reprodução/Historia Blanquiazul)

No Alianza, Cubillas teve uma ascensão meteórica. Em 1966 tornou-se o mais jovem artilheiro do campeonato peruano, com apenas 17 anos marcou 19 gols na temporada. Dois anos depois já conquistava sua primeira convocação à seleção Inca e em 1970 desembarcava no México para disputar o primeiro mundial, à época com 21 anos de idade – um a menos que Neymar em 2014, por exemplo. Por conta da juventude e da ausência de barba, o meia recebeu o apelido de El Nene.

Curiosamente Cubillas passou por uma situação semelhante a atual, já que o Peru só havia disputado a Copa do Mundo de 1930, porém viveu um episódio que marcou aquele time: dois dias antes do começo da competição, a população peruana sofreu com um forte terremoto que matou cerca de 75 mil pessoas.

Com um peso grande nas costas, La Blanquirroja fez uma campanha interessante, passando da fase de grupos e sendo eliminada pela seleção brasileira nas quartas – o escrete canarinho seria o campeão do torneio. Teófilo marcou gols em todas as partidas e ficou em terceiro lugar na artilharia, integrando a seleção daquele Mundial.

A Era de Ouro e a passagem pela Europa

Esse bom desempenho aliado a conquista do prêmio de melhor jogador da América do Sul em 1972 chamou atenção do futebol europeu. Em 1973 o meia fez uma excursão pelo velho continente junto com a seleção Sul-Americana e fez dois gols em uma partida beneficente na Basileia. O empresário suíço Ruedi Reisdorf se encantou com o futebol de Nene e desembolsou US$ 300 mil para levar o camisa 10 ao Basel-SUI.

Na Suíça o Peruano teve dificuldades para se ambientar e no ano seguinte se transferiu para o Porto-POR pela bagatela de € 28 mil. Cubillas permaneceu em Portugal por três temporadas e, embora não tenha ganho títulos, encantou uma geração de portistas pela sua qualidade.

Nesse meio tempo Nene foi convocado para defender a seleção pela Copa América de 1975. Los Incas haviam “copado” o torneio em 1939 e vinham com chances de surpreender no certame. Após eliminar Bolívia e Chile na fase de grupos, os peruanos enfrentaram o Brasil nas semifinais. Naquela edição do torneio, o escrete canarinho foi montado com base em uma seleção de atletas mineiros e estava com 100% de aproveitamento em quatro jogos.

Porém La Blanquirroja venceu por 3 a 1 no Mineirão, com direito a um golaço de falta de Cubillas. O resultado fez com que os brasileiros trouxessem mais atletas de outros estados para a partida de volta, vencida por 2 a 0 em Lima. Igualados em saldo, a vaga foi decidida no sorteio e os peruanos levaram a melhor.

Sorte de campeão? O futuro provou que sim. Na decisão o Peru enfrentou a Colômbia, perdendo em Bogotá e vencendo em Lima. No jogo desempate, em Caracas, Hugo Sotil decretou o bicampeonato, e Cubillas levou o prêmio de melhor jogador daquela Copa América.

A Volta pra casa

Era o ano de 1977 quando Teófilo resolveu voltar ao bairro de La Victoria com uma missão: conquistar um campeonato nacional jogando pelo clube do coração. Para isso, contaria com o auxílio de quatro ex-companheiros de Copa América: Cueto, Rojas, Sotil e Velásquez. O resultado foi estrondoso, com apenas sete derrotas em 40 jogos e um ataque que fez 82 gols. Um título mais que merecido.

Em 1978 Cubillas repetiu a dose, dessa vez com mais sofrimento já que a diferença para o vice-líder Universitário-PER foi de apenas um ponto. Naquela  temporada o time igualou a campanha da Libertadores de dois anos antes, chegando às semifinais do torneio.

Cubillas estava em campo em um dos maiores vexames da história da seleção peruana (Foto: Reprodução/Sul 21)
Cubillas estava em campo em um dos maiores vexames da história da seleção peruana (Foto: Reprodução/Sul 21)

Ainda nesse ano Nene disputou a Copa do Mundo na Argentina. Após uma boa primeira fase, a seleção peruana fez um desempenho pífio na segunda etapa, “coroado” com o 6 a 0 aplicado pelos anfitriões. Quando a Revista Placar o colocou entre os cem craques do século em 1999, acrescentou a seguinte frase. “Cubillas jamais admitiu as pressões exercidas por militares argentinos no vestiário que outros jogadores, como Oblitas e Chumpitaz, relataram anos depois”.

Cubillas jogando no futebol estadunidense (Foto: Reprodução/NASLJerseys)
Cubillas jogando no futebol estadunidense (Foto: Reprodução/NASLJerseys)

Fim da carreira

Com o objetivo pessoal cumprido, Teófilo seguiu uma tendência da época e rumou para a terra do Tio Sam, vestindo a camisa do Fort Lauderdale Strikers-EUA até a metade da década de 1980, quando disputou o Mundial de 1982 e mais tarde anunciou a aposentadoria. Porém um fato muito forte o fez voltar aos gramados.

Em 1987 a equipe do Alianza Lima sofreu um desastre aéreo que matou 43 pessoas, o que acabou com o elenco dos BlanquiAzules. Em um gesto nobre, Cubillas dividiu as funções de técnico e jogador, disputando 13 partidas e alcançando o vice-campeonato. O ato final de um apaixonado que extrapolou as barreiras de La Victoria.

Foram 26 gols em 81 jogos com a camisa da seleção Blanquirroja, recorde quebrado apenas em 2016 pelo atacante do Flamengo Paolo Guerrero. A iminência de uma vaga na Copa do Mundo de 2018 suscita comparações entre os dois jogadores, e Paolo tem muitas chances de ser tão bom quanto Cubillas futuramente. Mas não se pode apagar o passado, escrito em letras garrafais pelo menino de de Puente Piedra.

Fontes: El Comercio, FIFA, Imortais do Futebol, Marca, RTP, Terra, Trivela e Vavel.

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