Todos nós temos um pouco do futebol nordestino

A realidade é bem mais parecida com as canchas nordestinas

Foto: Cultura Alternativa - Arte, Cultura, Turismo, Geral.
Por Dannilo Lins, RN 

Ao longo da nossa trajetória terrena vivenciamos situações que resguardam a essência da Lampions League – o melhor campeonato do mundo, diga-se de passagem. Tentarei, por mais difícil que seja, pontuar alguns desses momentos na esperança de traduzir a grandiosidade e a magia da cultura do futebol nordestino.

O ônibus lotado na ida para o trabalho, ou na volta da faculdade à noite, guarda uma conexão astral com os estádios nordestinos: calor humano, contato, gritaria, empurra-empurra, afasta pra lá, afasta pra cá. Energias tão intensas quanto o Clássico Rei potiguar, disputado entre ABC-RN e América-RN nas épocas do Machadão, um dos templos do futebol nordestino, gananciosamente demolido para abrigar uma Arena Fifa. 

Foto: Tribuna do Norte
Foto: Tribuna do Norte

O barzinho com mesa de plástico, tocando Aviões do Forró (Mulher Doidera), litrão gelado, cachaça com refrigerante de cola e espetinho de procedência duvidosa, sem dúvidas, tem laços de sangue com o pré-jogo nos estádios nordestinos. O torcedor do Nordeste, inclusive, se esforça para levar o boteco raiz para dentro do próprio estádio. 

Fonte: Facebook Cenas Lamentáveis
Fonte: Facebook Cenas Lamentáveis

O sufoco para fechar as contas do mês e a luta para tentar multiplicar o salário, também nos lembram o futebol do Nordeste. A maioria dos clubes nordestinos são sinônimos de resistência e força de vontade. Enfrentam a falta de estrutura, a escassez de patrocínios, o descaso das Federações e a invisibilidade para manter viva uma paixão que ultrapassa as quatro linhas.

Aquele amor que te quebra as pernas, te tira do prumo, te faz abrir sorrisos de ponta a ponta ou aquele pé na bunda que te enche de tristeza, melancolia e choro, também remetem às particularidades do futebol no Nordeste. O torcedor nordestino é perdidamente apaixonado pelo seu time. Na alegria ou na doença, na série A ou na série D, na poltrona ou na arquibancada de concreto, no tapete ou no gramado que mais parece um curral, lá está ele: vibrando, cantando, sofrendo e amando. O torcedor do Nordeste é a personificação dos altos e baixos da vida amorosa.

Alguns momentos da nossa vida podem até parecer com o Barcelona ou com um Santiago Bernabéu lotado, mas, no fundo, o cotidiano é bem mais parecido com o Baraúnas-RN, com o Treze-PB, com o Sampaio Corrêa-MA, com o Santinha ou com tantos outros clubes maravilhosos do Nordeste. O dia a dia passa longe do futebol asséptico e elitizado que tentam nos impor.

A realidade é bem mais parecida com as canchas nordestinas. Por isto, todos nós temos um pouco do futebol nordestino.

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