“Uh, tá na moda, nosso atacante Mota”: Onde está o craque?

O atacante que foi da arquibancada para o campo do seu time do coração

Mota com a camisa alvinegra (Foto: Reprodução/Jornal "O POVO" online)

Sabe aquele sonho de todo apaixonado por futebol de jogar no seu time do coração? De ir a arquibancada no final de semana torcer com seu pai e ficar imaginando como seria poder atuar com aquela camisa que você tanto ama? Quase todos nós já sonhamos com isso. Mota um dia viveu essa mesma fantasia quando ia aos jogos do Ceará no PV e no Castelão, talvez sem imaginar que viraria um dos maiores ídolos recentes da história do clube.

João Soares da Mota Neto, ou simplesmente Mota, nasceu em Fortaleza no ano de 1980 e queria ser atacante. Começou nas categorias de base do Ferroviário-CE e logo foi para a base do Ceará em 1998, antes de subir ao profissional foi emprestado ao Mallorca “B” (da Espanha) e somente em 2001 realizou o seu sonho de jogar com a camisa alvinegra no PV lotado. O jogo em questão foi contra o América-RN pela Série B do Campeonato Brasileiro e o resultado da partida foi um 0 a 0 sem grandes emoções, mas ali nascia o amor entre uma torcida e o seu representante dentro de campo.

Na primeira passagem pelo clube (entre 2000 e 2003) foram 40 subidas na cerca para gritar gol e extravasar junto ao torcedor. Tinha como estilo de jogo marcante a sua técnica apurada para sair da área e trabalhar as jogadas, o bom poder de finalização e a categoria/frieza na frente do goleiro… um atacante completo. Com Sérgio Alves e Iarley formou o melhor ataque da história recente do Ceará, levando o time as quartas de final da Série B de 2001. Entretanto, aquela campanha não foi o importante, era lindo demais ver aquele time jogar e Mota foi parte fundamental nisso. Era sua marca registrada sair correndo na comemoração do gol para subir no alambrado do PV e comemorar junto aos torcedores do Ceará. Com o sucesso no clube, veio a música da torcida: ‘Uh, tá na moda, nosso atacante Mota’.

A clássica comemoração no alambrado de Mota (Foto: Divulgação/vozao.com)
A clássica comemoração no alambrado de Mota (Foto: Divulgação/vozao.com)

Em 2003, o Cruzeiro percebeu o talento de Mota e o contratou para o inesquecível time cruzeirense que viria a conquistar ao final do ano a “Tríplice Coroa”. O atacante foi parte fundamental da equipe, sendo uma espécie de xodó da torcida e entrando em muitos jogos para decidir a partida. Fez o gol do título brasileiro na vitória por 2 a 1 sobre o Paysandu, por exemplo. Chegou como uma aposta e saiu e como um dos destaques daquele grande esquadrão.

Com o sucesso que obteve na equipe do Cruzeiro, Mota foi contratado pelo Seongnam Ilhwa da Coréia do Sul. Antes de jogar pelo time sul coreano, foi emprestado pela equipe ao Sporting de Portugal. Em terras portuguesas o atacante não obteve sucesso e saiu sem fazer nenhum gol. Retornou a Coréia e ficou até o ano de 2009, conquistando um campeonato coreano nesse período e sendo o grande artilheiro de sua equipe.

Eis que em 2009, resolve voltar ao Ceará. O clube passava por um momento de grande reestruturação e não tinha dinheiro para contratar o jogador, arcar com os custos da transferência e dos salários era grana demais para uma equipe do porte do alvinegro. Com uma campanha de marketing junto a torcida, o Vovô conseguiu a contratação de Mota. Os torcedores depositaram o dinheiro numa conta específica somente para a contratação do jogador (que tinha propostas mais vantajosas financeiramente de Flamengo, Santos e Palmeiras, mas as recusou).

Mota chega e ajuda o Ceará a conseguir o acesso a Série A em 2009, depois de uma campanha histórica, fez gols importantes e ajudou também como um dos líderes do elenco. Outra vez, em 2010, retorna a Coréia para jogar no Pohang Steelers (onde ficou até o final de 2011). Retorna pela terceira vez ao time cearense em 2012 para ajudá-lo a tentar retornar a Série A, mas não consegue. O atacante sai brigado com a diretoria e decide encerrar a carreira depois do último jogo da Série B de 2013. Encerra sua história no Ceará com 90 gols marcados e 181 partidas, sendo ídolo até hoje.

Em 2014, Mota muda de ideia e a equipe do Bragantino o contrata para a Série B. Mas sua passagem pelo clube paulista ocorre sem muito brilho e ele decide mais uma vez encerrar a carreira ao final do contrato. Em 2016, chegou a ser divulgada a sua contratação novamente pelo Pohang Steelers, no começo do ano, e agora em julho pela equipe do Uniclinic, mas Mota não saiu da sua aposentadoria na realidade. Segue somente treinando para manter a forma, indo a alguns jogos do Ceará quando pode e realizado por ter conseguido cumprir o desejo da infância.

 

Texto: Victor Portto

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