“Uh, terror, Clodoaldo é matador”. A volta do baixinho para o Fortaleza

O ETERNO CAPETA DO PICI

Emocionado, Clodoaldo marcou aos 49 minutos do segundo tempo [Pedro Chaves/Canal da Bola]
Honorato Vieira, CE

A boa fase do Fortaleza não se restringe a liderança isolada da Série B do Campeonato Brasileiro. Com 46 pontos, o Tricolor de Aço caminha rumo ao acesso e ao inédito título nacional.

No ano do centenário do clube, sob a batuta de Rogério Ceni, o Leão tem um bom retrospecto até o momento. Fora da Segundona, o Tricolor iniciou a caminhada na Taça Fares Lopes, competição de segundo escalão do futebol cearense. O torneio premia o campeão com uma vaga na Copa do Brasil. Mesmo com a vaga na competição garantida, o Tricolor optou por participar para colocar em campo os atletas sub-20 e jogadores que estão encostados no profissional.

ESCUTE – CLCAST #008: JOGADORES FOLCLÓRICOS 

Entretanto, um motivo especial deu uma maior importância para a competição. A diretoria do clube optou por resgatar o carinho da torcida com um de seus maiores ídolos, o atacante Clodoaldo. O baixinho, personagem folclórico do futebol brasileiro, é o segundo maior artilheiro da história leonina, além de conquistar os Estaduais de 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005. Em 2002, foi o principal nome da equipe que foi vice-campeã brasileira da Série B e voltou para a elite nacional.

Em 2006, o Ceará, maior rival do Fortaleza, anunciou a contratação de um dos maiores ídolos do seu rival. Com alguns imbróglios judiciais e muito tempo sem atuar, o baixinho foi importante peça na conquista Estadual daquele ano ao decidir a semifinal contra o Icasa. O título foi em cima do Fortaleza, que acabou com o possível inédito tetracampeonato do Tricolor. Em 2011, conquistou outro Campeonato Cearense com o Ceará.

Com a ligação com o rival e a saída conturbada do clube, a torcida tricolor passou a tratar um dos seus ídolos com indiferença e ingratidão. O atacante chegou a ser proibido de frequentar o Pici (sede do Fortaleza). Treze anos depois, os torcedores aceitaram as “desculpas” e a diretoria abraçou o atleta. Contratado para ser embaixador do clube no ano do centenário, o projeto ganhou corpo e a história entre Clodoaldo e Fortaleza ganhou mais um capítulo. Após dois anos sem jogar futebol, o Leão anunciou que o atleta iria voltar a ativa para disputar a Taça Fares Lopes e se aposentar com a camisa em que fez sucesso.

Para muitos, o jogador foi craque e um talento desperdiçado por causa da sua cabeça. Sendo guiado para o bom caminho,  o ‘capetinha’ teria sido convocado para a Seleção Brasileira e teria atuado em equipes de ponta, mas nada disso apaga a sua história.

Os torcedores que foram acompanhar a estreia diante do Floresta, que tinha o experiente Magno Alves no ataque, tiveram uma sensação de boas lembranças. O Estádio Presidente Vargas e o “matador” bcombinavam perfeitamente. Mesmo que treze anos depois do seu último jogo com a camisa tricolor, a combinação parecia ainda está intacta.

O Verdão da Vila Manoel Sátiro vencia o jogo até ao 49 minutos da etapa final quando a bola sobrou na pequena área e o grito foi ecoado pelo estádio: “Uh, terror, Clodoaldo é matador”. O ‘Capeta do Pici’ empatou o jogo para delírio e uma nostalgia por partes dos tricolores presentes. Foi o gol de número 127 com a camisa clube. Só fica atrás do atacante Croinha, que tem 138 gols. O ídolo saiu do banco, entrou no segundo tempo e fez o gol que decretou a igualdade no duelo. Na comemoração, chorou e relembrou dos momentos em que foi feliz e crucial para a história do Leão.

Fonte: Futebol Cearense, Tabelando, Dentro do Campo, Globo Esporte

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