Uma das maiores rivalidades do mundo e a final do Mineiro de 2017

Minas Gerais assistiu um bom campeonato com um nível competitivo aceitável

O campeão mineiro de 2017: Atlético Mineiro
Por: Lucas Poeiras, MG

Belo Horizonte é uma cidade conhecida pela gastronomia e por seu povo hospitaleiro e educado. A rotina da capital é bem tranquila, exceto por um dia particular no calendário. A vivência no município é muito diferente quando este evento esportivo vai acontecer. O ano de 2017 trouxe uma final que não acontecia há três anos no campeonato mineiro, colocando frente a frente a maior rivalidade de Minas Gerais e uma das maiores do mundo. Dia 07 de maio foi dia de Atlético e Cruzeiro em “Beagá”.

A bola especial da final (foto: Gazeta Press/Reprodução)
A bola especial da final (foto: Gazeta Press/Reprodução)

Torcida única ou quase única: uma escolha controversa

A história desse jogo começou com uma decisão extremamente controversa a de torcida única no clássico. A Polícia Militar de Minas Gerais havia vetado a possibilidade de um jogo com torcida mista no estádio Independência. O motivo era que devido a localização do campo, não havia possibilidade técnica de resguardar a segurança dos torcedores e da população aos arredores. A PMMG então no dia 28 de abril, voltou atrás e disse garantir a entrada dos cruzeirenses também e dois antes do jogo multiplicou o número de policiais disponibilizados para segurança pública.

Apesar que no início do ano aconteceu um jogo com esta divisão, os dois jogos da final do estadual foram com 90% de torcida do mandante e 10% dos visitantes. Os torcedores certamente lembram-se dos clássicos onde o Mineirão era dividido 50/50 para as torcidas onde celestes e alvinegros davam shows em canto e emoção. Há que se repensar como o Estado faz a segurança pública para os eventos esportivos, para garantir que o espetáculo seja acessado por todos independente da camisa.

A falta de diálogo dos dirigentes também impulsionou este cenário. Tanto atleticanos quanto cruzeirenses, preferiram fechar as portas para as torcidas rivais. Ao invés de debaterem as possibilidades reais para que financeiramente e estruturalmente se tornasse viável o clássico, ambos preferiram seus estádios de costume. O resultado é um jogo onde apenas o mandante aparece. Uma pena já que o clássico sempre foi marcado por muita paixão e torcida.

A história do jogo 

Após o empate sem gols na primeira jornada da final, a China Azul e o Galo Doido se reencontraram no bairro do Horto para decidir quem seria o campeão estadual. Uma grande expectativa foi criada neste jogo pois as agremiações não se encontravam na grande decisão desde 2014. Após um primeiro jogo morno, celestes e alvinegros queriam mostrar porque mereciam a orelhuda mineira.O Atlético por ter feito a melhor campanha na fase corrida tinha a vantagem de jogar por um empate.

O primeiro tempo apesar de dinâmico teve pouca ação. O lance mais importante foi o gol atleticano. O capitão Leonardo Silva recuperou a bola no meio de campo e fez rápido toque para o camisa 7. O homem das pedaladas fez arrancada forte em direção ao gol, tocou para Fred que devolveu para a finalização. Logo aos 13 minutos o placar estava 1 a 0 para o alvinegro.

Robinho abriu o placar (foto: Gazeta Press/Reprodução)
Robinho abriu o placar (foto: Gazeta Press/Reprodução)

O lance polêmico da partida foi aos 30 minutos quando o volante Adilson recuperou a bola, tocou para rápido passe de Elias para Robinho, que chutou forte e o goleiro Rafael não conseguiu segurar. O bandeira invalidou o gol em um lance muito rápido e muito difícil. A imagem da jogada pela televisão mostrou que o atacante atleticano estava em posição regular.  Aos 47 minutos o Cruzeiro fez sua melhor jogada na primeira etapa, onde Arrascaeta fez grande arrancada e tocou para Sóbis finalizar longe do gol de Victor.

A etapa complementar chegou e deixou as coisas ainda mais quentes. Os primeiro cinco minutos trouxeram um melhor ritmo do Cruzeiro e seu gol na partida. Rafinha fez boa jogada e cruzou com precisão para Ábila. O argentino fez um voleio sensacional e acertou um grande gol. Aos dezoito minutos Thiago Neves quase marcou a virada celeste. Vindo do meio campo e trocando passes, chegou na grande área e chutou com força, a bola subiu raspando o travessão. Precisando do resultado, a Raposa foi para cima do Galo e apertou o espaço do jogo, forçando erros na saída de bola e finalizando contra a meta de Victor.

O centroavante Ábila provoca a torcida rival após seu golaço (foto: Gazeta Press/Reprodução)
O centroavante Ábila provoca a torcida rival após seu golaço (foto: Gazeta Press/Reprodução)

O técnico Roger Machado sacou Robinho e colocou o equatoriano Cazares para tentar equilibrar o jogo. O resultado foi imediato. Após sensacional jogada, ele tocou para Elias finalizar com força contra a meta de Rafael e marcar o segundo gol alvinegro, que sacramentou a vitória. O clima tenso do jogo foi até o fim, e Rafinha e Adilson fizeram faltas duras e levaram cartão vermelho aos 40 minutos.

O resultado final confirmou a vantagem do Atlético e garantiu o primeiro título como técnico de Roger Machado. O Galo venceu seu título estadual de número 44. Ambos rivais se provocaram nas redes sociais, e após o jogo a vitória alvinegra foi muito comemorada na capital.

O balanço do campeonato Mineiro

O estado de Minas Gerais assistiu um bom campeonato com um nível competitivo aceitável, mesmo quando os times do interior enfrentavam os gigantes da capital. Apesar do pouco investimento dos clubes interioranos, boas partidas e grande atuações de Atlético e Cruzeiro garantiram bons públicos Minas Gerais afora.

As organizações e instituições envolvidas devem se estruturar para garantir que os próximos clássicos sejam ainda mais emocionantes e com torcida dividida. Um jogo com tanta história precisa ser assistido de forma igualitária. O show do futebol não é apenas o jogo, mas as torcidas também são um espetáculo a parte em Belo Horizonte.

A orelhuda mineira (foto: Gazeta Press/Reprodução)
A orelhuda mineira (foto: Gazeta Press/Reprodução)
Fontes: Globo Esporte, Globo Esporte, Globo Esporte

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