Vampeta: o mau do malandro é achar que todo mundo é bobo

Quando um malandro é enganado.

Vampeta lança livro com suas histórias no "Memórias do Velho Vamp" (Foto: Divulgação)

Amigo torcedor, amigo leitor. Vamos agora a uma das melhores histórias que esse confrade já viu. Tudo isso por ser uma das poucas vezes em que o malandro Marcos André Batista Santos, mais conhecido como Vampeta, o “Homem de Nazaré”, o holandês 100% brasileiro, foi passado para trás. Que homem! Eis que um dia o Velho Vamp estava em sua casa, quando recebe uma ligação de nada mais, nada menos que Freddy Rincón, jogador com quem atuou no Corinthians no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000.

Segue o diálogo:

– Vamp, como estás? Tudo bien?
– Tudo bem Freddy, e você?
– Vamp, eu estou indo trabalhar com o Vanderley, vou ser o auxiliar técnico dele lá no Atlético-MG.

Rincón que na época treinava o Sub-20 do Corinthians e resolve indicar para seu lugar, Vampeta.

– E então Vamp, você topa?
– Pô Freddy, já que é pra dar treino pros moleques, eu vou.

Foto Marcos Ribolli Globoesporte
Vampeta substitui Rincón no comando do Sub-20 Corintiano (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)

O que Vamp foi saber depois é que o Corinthians estava com uma parceria com o Nacional, time da terceira divisão do Paulista, que estava com dificuldades em ter atletas, enquanto na equipe paulista sobravam jogadores. Assim, Vampeta chegava para comandar o Sub-20 do Timão e nos dias dos jogos do Nacional, ele comandava a equipe.

Após ser apresentado por Andrés Sanches, o “Homem de Nazaré” iniciou os trabalhos, onde todo dia chegavam vários novos atletas, jogadores indicados a procurar o Vamp direto na Comendador, Barra Funda. O Pentacampeão do mundo, que nunca foi fã de treinos e gostava de dar aos seus comandados coletivo, colocava os atletas em duelo. Eis que surge um negão, sem falar nada com o professor Vampeta, que parou as atividades e chamou o rapaz:

– Mestre, bom dia, meu nome é Vampeta.
– Eu sei.
– E você, não se apresenta não?
– É… Desculpa, Senhor Carlinhos quem mandou eu vir treinar, me apresentei lá e ele mandou eu vir aqui.
– E você joga de que, nasceu aonde?
– Sou cabeça de área, nasci na Bahia.
– Jogou aonde?
– Joguei no Vitória, passei pela Lusa.

Foto Uol esporte
Tá vendo esse cara Edílson? (Foto: Reprodução/UolEsporte)

Após o rápido bate-papo, surpreendido pela força física do garoto e do histórico de times, Vampeta coloca o moleque pra jogar e segue apitando o treino. Mal começa a segunda etapa e o Negão jogando como ponta direita, mais aberto que Jairzinho Furacão.

– O velho, cabeça de área joga aí?
– E joga onde, mesmo?
– É aqui no meio de campo, seu infeliz…

A bola chega no menino, ele não consegue nem dominar. Velho Vamp reclama, manda ele ir descansar e dar dez voltas no campo, que ele está mal fisicamente. O jovem baiano logo concorda e cumpre as ordens do professor Vampeta. Terminado o treino, jogadores dando risada da situação, Vamp chama o moleque e recomeça o diálogo:

– Você jogou bola mesmo, fera?
– Joguei!
– Então, faz cinco embaixadinhas aí.
– Não vou fazer. O Lúcio foi campeão do mundo, jogou no Bayern de Munique e não sabe fazer. Não vou fazer.
– Como é que é, seu infeliz? O Lúcio foi campeão comigo, jogou em um monte de time, como não faz? Você joga bola é merda nenhuma.
– Verdade é a seguinte: eu moro num albergue, não tenho pai e nem mãe, tô passando fome, me arruma uma vaga pra trabalhar, vai?

Passado o golpe dado pelo rapaz em Vampeta, o Velho Vamp arrumou um emprego pra ele e, hoje, Jonathan segue trabalhando na Mackenzie e prometeu, após juntar sete mil reais, que pagaria um “picadinho” pro ex-jogador do Corinthians.

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Vampeta observando os comandados (Foto: Divulgação/Internet)

Além dessa, Vampeta ainda foi dar as recomendações ao lateral esquerdo do time, Bruno, pedindo para ele fazer o simples. Outro dialogo aqui apresentado:

– Bruno, pelo amor de Deus, velho! Cruza, chega na linha de fundo, não precisa nem cruzar bem, só joga a bola na área, porque essa divisão que a gente joga tem zagueiro que se assusta, às vezes faz até gol contra. Eu não estou, olha só, infeliz, eu não estou lhe pedindo pra dibrar dez caras, pra dar caneta, nada disso. Só estou te pedindo pra cruzar na área.

O jovem lateral pede a palavra.

– Eu posso falar agora?
– Fala.
– Tudo que você disse é verdade, mas você acha que se eu soubesse fazer isso tudo eu tava jogando a Série A3 do paulista?

Pois é confrades. Velho Vamp, o rei da resenha, acostumado a dar “laço” em treinador experiente, sendo enganado por moleque brincalhão e lateral ruim de bola. Respira futebol.

 

Texto: Daniel Bravo @Dbravo_01

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