Escurinho, o eterno camisa 14 colorado

O artilheiro que entrava para mudar a história do jogo

Foto: reprodução/ Revista Placar
Por: Jean Costa, RS

Luis Carlos Machado, vulgo o Escurinho, rei das cabeçadas coloradas é nascido em Porto Alegre, mais especificamente no dia 18 de janeiro de 1950, e morava na cidade de Guaíba, no Rio Grande do Sul. Escurinho começou a carreira em 1970, no Internacional de Porto Alegre-RS, onde ficou até 1977. Teve cinco filhos, sendo que dois jogaram futebol, só que no Grêmio. Mesmo assim, dava muito apoio aos garotos. Com 11 anos, iniciou a trajetória nas categorias de base do colorado. Sendo promovido ao time principal em 1970 após marcar 59 gols no Gauchão juvenil do ano anterior.

O início foi difícil. Conseguir espaço na máquina que era o Internacional dos anos 70 era extremamente complicado e, com isso, ele acabou sendo emprestado para equipes do interior, voltando para seu clube de coração em 1972 para participar da icônica era dourada. Em 1974, foi titular absoluto do time que conquistou o hexacampeonato estadual.

Escurinho marcou 107 gols em 325 partidas pelo Inter, mais da metade deles feitos de cabeça, sua especialidade. O que acabou por torna-lo o 12º maior artilheiro da história do Internacional.

Meu pai sempre disse que quando a bola ia na cabeça do Escurinho era gol na certa. O mesmo confirmou que treinava sua impulsão e a movimentação na grande área pulando e correndo com um colete de 8 kg. Escurinho só não cabeceava mais que Pelé. Era perito no assunto. Mas o atacante também ficou conhecido como uma espécie de talismã colorado. Costumando a entrar e decidir as partidas no lendário time dos anos 70 e um Grenal em especial vem a tona.

A primeira partida da final do Gauchão de 1975 estava complicado para o Inter. O Grêmio vencia o por 1 a 0 no Olímpico e a torcida cantava eufórica com a vitória parcial. Foi quando o técnico Rubens Minelli chamou seu amuleto para entrar.Eis que aos 45 minutos do segundo tempo, o homem foi lá e empatou a partida com um gol de cabeça. O resultado levou a decisão para o Beira-Rio, onde o Inter venceu e conquistou o sétimo título estadual consecutivo. Pelo clube do povo foi hepta campeão gaúcho, no período de 1970 a 1976.

Essa foi só mais uma das partidas decididas pelo atacante nos anos 70. O jogador era um reserva de luxo da equipe bicampeã brasileira em 1975/76 e costumava marcar gols importantes em jogos decisivos.

Na campanha do bicampeonato nacional, sempre que o técnico Rubens Minelli precisava de uma alternativa mais ofensiva, recorria a Escurinho. O jogador entrava e levava perigo no jogo aéreo como sempre. Além de marcar gols, o atacante participou de um dos lances mais antológicos da história do Internacional, quando fez uma tabela de cabeça com Falcão que iniciou no meio-campo e terminou com a conclusão do camisa 5 já dentro da área do Atlético-MG, adversário naquela semifinal do Brasileiro de 1976. Um gol histórico!

Após sair do colorado, Escurinho defendeu a camisa do Palmeiras, sendo vice-campeão brasileiro em 78, Inter de Limeira, Coritiba, Bragantino e Vitória. Atuou ainda no Chile e no Equador, onde foi campeão nacional pelo Barcelona de Guayaquil, nos anos 80. Pendurou as chuteiras em 1986 e abriu uma escolinha. Também treinou times, como o Ceará, e as categorias de base do Inter, mas sem sucesso.

Apaixonado pela música, chegou a gravar um disco de samba. Tocava violão, cavaquinho e pandeiro. Em 2008, poucos meses antes do centenário do Inter o ex-jogador compôs sua versão do hino do centenário. Na letra o ex-atacante lembra as glórias do Mundial de 2006 e diz que o Colorado é campeão de tudo. A Zero Hora até gravou um vídeo dele com a música.

A composição do hino do centenário colorado não foi a primeira vez que Escurinho se arriscou na música. Em 1974, durante três madrugadas o então camisa nove do Inter gravou junto com as bandas Café, Som & Leite e Ka-Sambão o long play “O Lance”. Com músicas como Maldita Mulher, Homenagem a Chico, Dor de Amor e Quinze anos dos Imperadores do Samba, como explica Beto Xavier no livro “A música no país do futebol”. Segundo Beto, a influência de Lupicínio Rodrigues é nítida em Maldita Mulher. Eis o trecho da música abaixo:

Capa do disco do ídolo colorado foto: reprodução/ Terceiro Tempo / Que fim levou?
Capa do disco do ídolo colorado (Foto: Reprodução/Blog Terceiro Tempo)

“Se ela te falou que eu ofereci o meu amor, mentiu.
Quer que brigues comigo.
Tu sabe como eu sou.
Se ela aproveita, quer um atrito entre amigos.
Maldita mulher, quer nos fazer inimigos”

Em 2009, passou por um momento de profunda tristeza e extrema delicadeza. Em abril, justamente no mês em que o seu amado Internacional comemorava seu centenário, o ex-atacante teve de amputar parte de sua perna direita devido a complicações decorrentes a maldita e sorrateira diabetes.

Ídolo colorado após amputação / Foto: Reprodução/RBS
Ídolo colorado após amputação (Foto: Reprodução/RBS)

Em 2011, o mesmo problema voltou a perturbar a vida do rei das cabeçadas coloradas, mas só que desta vez na perna esquerda, mais uma amputação na vida do ídolo. O ex-atacante do Internacional teve que amputar seu membro inferior até a região do joelho.O ídolo colorado acabou falecendo no dia 27 de setembro de 2011, aos 61 anos, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, vítima de uma parada cardíaca.

Escurinho pode até ter partido para outro plano, mas suas cabeçadas inacreditáveis, gols memoráveis e simpatia serão sempre lembrados pela torcida. Mas que os torcedores fiquem tranquilos, o eterno camisa 14 com certeza está representando muito bem a equipe do Inter – Unidade Céu ao lado do seu parceiro de ataque e também ídolo do clube do povo, Fernandão.

Fontes: Terceiro Tempo, UOL, Globoesporte.com, Rádio Esmeralda, Imortais do Futebol

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