Viradas inesquecíveis em finais

Jogos marcantes na memória dos torcedores

Como dói uma virada tão épica do adversário (Foto: Reprodução/Imortaisdofutebol.com)
Por: Victor Portto, CE

Jogos decisivos já são inesquecíveis pela importância e por toda a tensão que carregam na disputa para os jogadores, torcedores e admiradores do futebol em geral. Agora, finais em que acontecem grandes viradas ficam mais marcadas na nossa memória do que outros duelos derradeiros. Nesta temporada, Barcelona e Paris Saint Germain nos fizera, relembrar semana a emoção de partidas assim, em que tudo pode acontecer. Pensando nisso, a CL decidiu recordar algumas das maiores voltas por cima em decisões pelo mundo afora. Separamos para vocês a lembrança de três jogos épicos e fizemos menções honrosas a alguns que também mereciam ao menos serem citados.

1º jogo: Palmeiras 3 x 4 Vasco – final da Copa Mercosul de 2000

Quando se fala de viradas no Brasil, obrigatoriamente esse é um jogo a ser lembrado por todos os fãs do futebol brasileiro. As duas equipes eram verdadeiros timaços e protagonizaram, para muitos, um dos maiores jogos da história do futebol mundial naquele ano. A partida foi realizada no antigo Palestra Itália (casa do Palmeiras), em uma noite que relembramos o porque Romário era o rei da grande área e o quanto Juninho Paulista jogava demais. Há alguns detalhes pouco lembrados: este era o terceiro jogo da decisão, o Vasco virou a partida com um jogador a menos (o folclórico Júnior Baiano tinha sido expulso), era a estréia de Joel Santana no comando do Vasco e até fogos já se ouviam por São Paulo ao final do primeiro tempo comemorando o título da equipe Alviverde.

3 a 0 no placar ao final do primeiro tempo para o Palmeiras. Confronto fora de casa, equipe totalmente desnorteada…o que você faria para tentar mudar esse panorama? “Papai” Joel pegou a sua prancheta, pensou e resolveu ir pro tudo ou nada no segundo tempo. Tirou o volante Nasa e pôs o atacante Viola, o Vasco ficava com um trio de ataque (Romário, Euller e Viola) e dois meias ofensivos (Juninho Paulista e Juninho Pernambucano). Aos 14 minutos, Juninho Paulista recebeu a bola na entrada da área e arrancou com a pelota até ser tocado (havendo controvérsias se foi força suficiente ou não para a queda), pênalti e Romário na bola…o resultado não precisa ser dito. Era o sopro de esperança que os vascaínos precisavam para acreditar que era possível uma virada.

Aos 23 minutos, Juninho Paulista (mais uma vez ele) pegou a bola no meio de campo e saiu driblando os defensores palmeirenses, tentou o passe para Viola e o zagueiro antecipou. A pelota sobrou para o pequeno meia do Vasco e ele arrancou para a grande área, mas ao dar um toque muito forte para passar da marcação viu que não alcançaria a redonda e se aproveitou de um carrinho imprudente da zaga do Palmeiras para simular outro pênalti. Bola na cal de novo, Romário na bola e…o baixinho nem comemorou, somente foi ao gol buscá-la e a levou correndo ao meio de campo. 3 a 2 e o jogo pegava fogo, mas Júnior Baiano tratou de deixar a partida ainda mais sofrida aos vascaínos por fazer uma falta dura aos 32 minutos e ser expulso.

Aos 41 minutos, cruzamento de Euller na área para o Vasco, Romário (surpreendentemente) fura e a bola sobra limpinha para Juninho Paulista bater forte de primeira e empatar o jogo. A loucura acontecia e os vascaínos igualavam um jogo que parecia perdido. Aos 48, o impensável acontecia. Depois de uma jogada ao mesmo tempo trabalhada e aos trancos e barrancos, a bola vai parar nos pés de Romário em frente ao gol (como quem se oferece ao seu dono) e a glória acontece. Vasco 4 x 3 Palmeiras e um jogo imortalizado na história do futebol mundial.

2º jogo: Liverpool 3 x 3 Milan – final da Champions League de 2005

Liverpool e Milan protagonizaram a melhor final de Liga dos Campeões da história, podemos afirmar isso categoricamente por toda a carga de emoção que aquele jogo conteve e pela zebra ter acontecido com a vitória do time inglês nos pênaltis. Istambul, na Turquia, foi o cenário dessa batalha, que ficou conhecida como o “Milagre de Istambul”. A partida também ficou marcada pela forma como a torcida dos Reds se comportou no intervalo do jogo ao ver o seu time perdendo, massacrado pelos italianos. Os torcedores ingleses começaram a cantar como nunca a canção que é tratada como hino do clube “You’ll never walk alone”. Essa postura pareceu ser fundamental para a forma como o panorama mudou no segundo tempo.

O Milan era o favorito e abriu 3 a 0 antes do intervalo com gols de Maldini (lendário ídolo e eterno capitão do time de Milão) aos 50 segundos de jogo e Crespo aos 38 e 43 minutos. O Liverpool tinha um elenco muito mais limitado, perdeu Kewell (um dos seus destaques ofensivos) ainda no início do jogo por lesão e pareceu atordoado na primeira etapa inteira depois do gol no primeiro minuto de partida. No intervalo, não só as palavras de Steven Gerrard (o eterno capitão Red) e de Rafa Benítez (treinador da equipe inglesa) pareceram chacoalhar o time, mas sim a torcida demonstrando que não abandonaria o time cantando e apoiando como se estivesse ganhando o jogo. Na volta ao campo para segunda metade do confronto, Gerrard fez a última reunião para inflamar ainda mais seus companheiros e o que se viu em seguida foi o imponderável acontecer. Importante salientar que o técnico espanhol resolveu por um volante (Hamman) para que o capitão tivesse mais liberdade de atacar, essa provou ser uma mexida certeira.

Gerrard, em algumas entrevistas, classificou a sua atuação naquele jogo como a melhor de sua carreira. Não à toa, foi ele o responsável por iniciar a reação. Aos 8 minutos do segundo tempo, Riise carregou a bola pela esquerda e cruzou na medida para o capitão subir mais alto que a imponente defesa italiana para diminuir o marcador. Steven pegou a bola e convocou ainda mais a torcida, já inflamada, a ir com o time para cima do Milan. Aos 10 minutos, Smicer (que havia entrado no lugar de Kewell) pegou a bola na entrada da área e chutou com muito efeito para o gol. Milan Baros imitou Romário na Copa de 94 e saiu da bola, encolhendo a barriga e surpreendendo o goleiro Dida que não conseguiu alcançá-la, 3 a 2 e os torcedores ingleses ficaram ensandecidos. Aos 14 minutos, pênalti em cima de Gerrard e Xabi Alonso na cobrança contra o maior pegador de pênaltis no futebol naquele período…o goleiro brasileiro até pegou o pênalti, mas no rebote o meio campista espanhol do time inglês fez o impossível acontecer, 3 a 3 e o estádio parecia vir abaixo. Os jogadores do Milan pareciam não acreditar no que estava acontecendo, tudo parecia ruir.

O jogo se arrastaria pela prorrogação também empatado e iria para os pênaltis. O zagueiro Carragher conversou com o goleiro Dudek para se balançar e assim pressionar psicologicamente os batedores do Milan. Deu certo. Serginho, Pirlo e Shevchenko perderam suas cobranças e os Reds foram campeões europeus depois de 21 anos. Sacramentando a virada heroica que conseguiram protagonizar.

3º jogo: Manchester United 2 x 1 Bayern de Munique – Final da Champions League de 1999

Esse foi um dos duelos com mais carga dramática que já assistimos. Manchester e Bayern fizeram a final daquele ano baseada na tática, sem grandes lances de demonstração de habilidade, mas de muitas chances para os dois lados. Foi depois desta partida que os torcedores ingleses apelidaram os acréscimos de uma partida de “Fergie Time”, visto que o United na era Ferguson sempre buscou resultados nos minutos finais, mas nunca como naquele jogo.

Com 6 minutos de jogo, os alemães abriram o placar numa cobrança de falta de Basler, aproveitando um erro do lendário goleiro dinamarquês Peter Schmeichel. A partir daí, o que se viu foi um festival de bolas na trave e chances desperdiçadas, com as duas equipes buscando o gol de forma aberta. O Manchester tentando desesperadamente o empate e o Bayern o segundo para garantir o resultado, era um jogo de ataque e contra-ataque com os dois times jogando sem medo. Eis que Alex Ferguson (o eterno treinador dos Red Devils) resolveu partir pro tudo ou nada aos 30 minutos do segundo tempo, vendo que o seu time começava a ficar menos perigoso no ataque e os alemães cresciam no jogo. O técnico escocês resolveu colocar dois atacantes, Sheringham e Solskjaer, para tentar fazer o United fluir mais no ataque e ser perigoso também em jogadas aéreas.

Oliver Kahn (aquele mesmo que nos deu tantas felicidades na Copa de 2002) começou a se tornar fundamental no jogo fazendo grandes defesas para os alemães, mas em um escanteio no puro desespero aos 46 do segundo tempo (o jogo iria até os 48) o United conseguiu o milagre de empatar o jogo depois de um bate-rebate estranho na área que Sheringham desviou para o gol. Os bávaros não acreditavam no que acontecia e tentaram partir para o ataque. No último minuto, um grande erro. Os Red Devils roubaram a bola, partiram para o contra-ataque e conseguiram outro escanteio, seria o último lance do jogo. Beckham cobrou, a zaga alemã falhou e ela sobrou limpa para Solskjaer virar a partida na última chance. O time do Bayern não conseguiu levantar para dar o pontapé final, os jogadores ficam desolados no chão e a histeria vermelha tomou conta do estádio.

Menções honrosas: Barcelona 6 x 1 Paris Saint Germain, Oitavas de final da Champions League de 2016, Cruzeiro 2 x 1 São Paulo pela Copa do Brasil de 2000, Alemanha 3 x 2 Hungria na final da Copa do Mundo de 1954 (“O milagre de Berna”), Nigéria 4 x 3 Brasil nos Jogos Olímpicos de 1996 e Atlético Mineiro 4 x 1 Flamengo na Semifinal da Copa do Brasil de 2014.

E você, torcedor, qual a maior virada que você presenciou?

Vídeos dos gols dos jogos relembrados na respectiva ordem:

 

 

Fonte: Imortais do Futebol; Trivela; Doentes por Futebol.

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