Você sabia? Fluminense ajudou no combate ao nazismo

Diretoria do clube concentrou forças para colaborar com a Campanha Nacional de Aviação

O caça doado pelo Fluminense para acabar com os Nazis (foto: FFC/Arquivo)
O caça doado pelo Fluminense para acabar com os Nazis (foto: FFC/Arquivo)

O Fluminense Football Club também marcou golaços fora das quatro linhas em sua história centenária. O Tricolor das Laranjeiras já emprestou o estádio para os primeiros jogos da Seleção Brasileira, promoveu o futebol nacional em diversas situações e até mesmo ajudou no combate ao nazismo, no auge da Segunda Guerra Mundial, doando um avião para as Forças Armadas do Brasil.

O ano era 1942, e a nação, por um bom tempo, ficou em cima do muro quanto à participação na guerra promovida pelo ditador alemão Adolf Hitler. O governo de Getúlio Vargas flertava com ideais nacionalistas, e inclusive tinha um histórico de intimidação à imigrantes. Contudo, tal qual um estadunidense, o povo brasileiro tomou as dores da guerra após embarcações tupiniquins serem atacadas pelos alemães.

Com isso, o Brasil precisou tomar a posição de guerra oficialmente, mas a força militar nacional era irrisória. Faltavam munições, fardamentos, medicamentos, veículos e também aviões. Diante desta situação, o governo iniciou um processo de mendicância ao próprio povo e à iniciativa privada. Apesar de querer combater os nazistas, o país não tinha o meio de fazê-lo e passou a pedir doações de instrumentos de guerra aos brazucas endinheirados.

Aí que surgiu a participação fundamental do Fluminense. A diretoria do clube concentrou forças para colaborar com a Campanha Nacional de Aviação – nome dado ao programa de doações à Aeronáutica. O então presidente Marcos Carneiro de Mendonça, por meio de uma cotização entre os sócios, angariou Cr$ 155.000,00 e investiu na aquisição de um monomotor, modelo Fairchild PT-19.

No dia 11 de outubro de 1942, em uma solenidade com a presença de autoridades civis e militares, o Fluminense apresentou sua contribuição para a Força Aérea Brasileira. Com as hélices envoltas na bandeira tricolor e sob aplausos da torcida, o avião foi oficialmente batizado de Coelho Netto, em homenagem ao escritor, patrono e sócio do clube, que havia falecido em novembro de 1934.

O "crowdfundin" das antigas no Fluminense rendeu um caça à Força Aéra (FFC/Arquivo)
O “crowdfunding” das antigas no Fluminense rendeu um caça à Força Aéra (FFC/Arquivo)

 

O Flu foi além na contribuição com a nação. Preparou um curso de enfermagem, no mesmo ano, para auxiliar membros da Força Expedicionária Brasileira (FEB), formando 85 enfermeiras que colaboraram com a frente brasileira. Mesmo com problemas na preparação e no envio, já na Itália, treinada e equipada pelos americanos, a FEB cumpriu as principais missões que lhe foram atribuídas pelo comando aliado.

Como forma de gratidão, uma comunidade judaica carioca homenageou o tricolor em 2012. No dia 13 de dezembro, em uma cerimônia aberta ao público, o Fluminense recebeu uma placa que reconheceu o auxílio do clube no combate ao nazismo. Após a cerimônia, um chanukiá, candelabro de nove braços, foi exposto no clube por duas semanas.

 

Texto: Cristóvão Vieira

1 Comentário em Você sabia? Fluminense ajudou no combate ao nazismo

  1. Sou Fluminense e filho de Veterano da FEB, alem disso pesquisador. Portanto, a bem da verdade, o aviao doado nao era um caca e sim um treinador.

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