Willy Gonser: a voz de 11 Copas do Mundo

As 11 edições que tiveram o privilégio de ter a sua voz (de 1962 a 2006) o colocam como o recordista da categoria

Gonser, o "alemão" antes de uma partida em Nova Lima (foto: superesportes/Reprodução)
Por Lucas Poeiras, MG

O paranaense Willy Fritz Gonser teve seu nome conhecido nacionalmente por causa do rádio. Certamente ele tem um espaço no coração dos mineiros que ouviam a rádio Itatiaia. Detentor de voz inconfundível e uma capacidade respiratória invejável, o “alemão” deixou sua marca por onde passou. Este texto homenageia a história e o legado de um dos mais importantes jornalistas esportivos do planeta.

Gonser: 11 copas do mundo e mais de 50 anos de radialismo esportivo (foto: O tempo/reprodução)
Gonser faleceu na noite do dia 22 de agosto de 2017 (foto: O tempo/reprodução)

O começo da carreira: um jovem radialista

Willy começou sua carreira na rádio paranaense Marumby, mas diferente de muitos não foi direto para a área esportiva. Fez comerciais, musicais e programas típicos das rádios em 1953. Apenas em 1955 fez as suas primeiras transmissões de futebol, ainda no Paraná. A curiosidade é a forma com que assumiu o posto: o narrador da época sentiu-se mal e ele teve sua chance. Não desperdiçou e nunca mais voltou aos musicais. A partir deste dia ele começou a sua trajetória em direção a história do radialismo esportivo brasileiro.

Na década de 1960 o narrador aportou na rádio Gaúcha de Porto Alegre para dar seus primeiros passos a nível internacional. Transmitiu lá sua primeira Copa em 1962 quando a seleção canarinho foi bicampeã. Na mesma rádio além dos embates locais transmitiu as copas de 62, 66 e o tri-campeonato de 70. Cenas inesquecíveis que foram embaladas pela voz deste ícone. Pode também transmitir o histórico momento da Argentina em 1978, desta vez pela rádio Nacional. Ao terminar este ciclo na rádio Gaúcha e a curta passagem pela Nacional, ele arrumou suas malas em direção a Minas Gerais.

Os anos de ouro: Willy Gonzer, a voz da Itatiaia 

O Alemão já era bastante respeitado no meio esportivo e jornalístico. Sua voz inconfundível e seu estilo de narração já eram marcas do radialismo e seu espaço estava conquistado. A partir de 1979 passou a narrar os jogos do Atlético-MG onde sagrou-se como a voz que embalou a massa por trinta anos. Enganam-se aqueles que pensam que Willy era prestigiado apenas por alvinegros. Todo o estado de Minas Gerais admirava suas narrações da seleção brasileira também.

Os mundiais transmitidos por ele de 1982 a 2006 foram reverenciados pela qualidade na narração, com o destaque para a Copa 2002. O pentacampeonato foi marcante para o narrador que se emocionou não apenas pela vitória, mas pela grande superação do craque Ronaldo Fenômeno. Narrou todas as partidas da seleção pela rádio Itatiaia. Durante sua estada em Minas Gerais foi colunista também do jornal O Tempo, onde comentava o futebol mineiro e seus acontecimentos. Junto com Alberto Rodrigues comandou os microfones do radialismo esportivo estadual por vários anos e também da seleção brasileira.

O passar do tempo veio para Willy, e em 2009 acordou sua saída da rádio Itatiaia. Já com 73 anos cedeu espaço para o também brilhante Mário Henrique Caixa narrar as disputas do Atlético-MG. Narrou campanhas históricas como o vice invicto alvinegro em 1977 e os vices 1980 e 1999. Narrou também o ano de 2006 e a amarga disputa da Série B. Em entrevista para o documentário “Contra o Vento” se dizia “pé frio” pelo acaso do Galo vencer a Libertadores após sua aposentadoria, mas que desejava toda sorte do mundo para a agremiação. Tranquilo que sua marca foi registrada, não foi mais aos microfones até 2015 onde fez curta passagem pela rádio Inconfidência, desta vez como comentarista.

Recebendo a honraria máxima dos atleticanos: o Galo de Prata (foto: superesportes/reprodução)
Recebendo a honraria máxima dos atleticanos: o Galo de Prata (foto: superesportes/reprodução)

O fim de uma lenda e seu recorde pessoal 

Willer Fritz Gonser é radialista que mais cobriu Copas do Mundo em toda a história do jornalismo mundial. As 11 edições que tiveram o privilégio de ter a sua voz (de 1962 a 2006) o colocam como o recordista da categoria. O fato inclusive foi imortalizado não apenas pelas transmissões, mas também pelo Guiness Book com um recorde que dificilmente será quebrado.

O Brasil inteiro reverenciou sua inesquecível voz e certamente os atleticanos nunca o esquecerão. Deixamos aqui a nossa homenagem e a esta lenda que viveu as emoções deste esporte intensamente em campo e transmitindo sua leitura aos seus ouvintes. Acostumamos não a ver sua imagem, mas sentir sua voz pelas ondas dos rádios e imaginar a emoção do futebol.

É GOOOOOOOOOL!

Fontes: O TempoSuperesportes, Terceiro Tempo

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