Zagallo: 85 anos da lenda viva do futebol mundial

Com problemas de saúde, Zagallo completa 85 anos de histórias

"Vocês vão ter que me engolir": CL parabeniza e torce pela recuperação de Zagallo (Foto: Arquivo Folha/Reprodução BOL)
"Vocês vão ter que me engolir": CL parabeniza e torce pela recuperação de Zagallo (Foto: Arquivo Folha/Reprodução BOL)

O que se passa na cabeça de um homem quando se percebe numa idade avançada? Muitas coisas. Talvez crises de idade e problemas que serão enfrentados. Algumas perguntas também podem surgir: quem se é, como foi sua vida e se você viveu ou só existiu. Com certeza, Zagallo viveu muito bem cada minuto de sua carreira futebolística.
Também por isto, a imagem dele na cadeira de rodas, com a tocha olímpica, tocou e emocionou a todos. O mestre passa por maus momentos. Mas, mesmo com tantas dificuldades e problemas, teve coragem e vontade de representar o país mais uma vez, caminhando com a tocha.  No trajeto, o “camisa 13” estava acompanhado do seu fiel amigo Carlos Alberto Parreira. Em entrevista ao canal SporTV, Zagallo se mostrou feliz pelo momento: “Essa tocha para mim é um símbolo”.

No último dia 4, Zagallo emocionou ao levar a Tocha Olímpica (Reprodução / Twitter @ChamaOlimpica)
No último dia 4, Zagallo emocionou ao levar a Tocha Olímpica (Reprodução / Twitter @ChamaOlimpica)

Mário Jorge Lobo Zagallo é alagoano de Atalaia e nasceu em 9 de agosto de 1931. Nesta terça, ele completa 85 anos. Na segunda (8), foi internado em um hospital do Rio, em estado grave. O Velho Lobo, como é conhecido carinhosamente no Brasil, passa por complicações mas a família não permitiu que informações sobre a causa da internação fossem publicadas.

Nosso eterno Zagallo é, nada mais, nada menos, um dos homens mais importantes da história do futebol brasileiro, tanto como jogador como treinador. Foi bicampeão mundial da seleção brasileira como jogador, conquistou o tricampeonato como técnico e o tetracampeonato como coordenador técnico.

Como jogador, era um legítimo ponta-esquerda, que hoje é posição rara no futebol devido à falta de comprometimento, e muitas vezes qualidade, dos jogadores. Zagallo não era um jogador comum. Marcava, corria, ajudava, se esforçava até o último minuto, doava o seu melhor em campo e “suava sangue” para jogar um futebol de alto nível. Vistoso e conhecido também como o “Formiguinha” da seleção campeã do mundo, era o “faz-tudo” brasileiro. Começou no América-RJ e logo depois se transferiu para o Flamengo, onde foi tricampeão carioca. Após passagem marcante no rubro-negro, Zagallo se transferiu para o rival Botafogo e levou, de quebra, o bicampeonato carioca, a Taça Brasil, e mais títulos pelo Glorioso. Foi ídolo por onde passou.

Zagallo como jogador da Seleção Brasileira. (Imagem/Tatenu.com)
Zagallo como jogador da Seleção Brasileira (Reprodução/Tatenu.com)

Além de ser bicampeão mundial, na Copa do Mundo de 1962, Zagallo colocou no banco o ídolo do Santos, Pepe. O Velho Lobo tinha muita qualidade e não caberia no banco da Seleção. Em 1966, Zagallo encerrou sua carreira como jogador, com incríveis 41 títulos no currículo, incluindo clubes e a seleção brasileira. Um dos maiores vencedores do futebol mundial.

Como treinador, o sucesso continuou. Treinou o Botafogo em quatro oportunidades e ganhou 17 títulos. O Flamengo foi comandado por ele três vezes, e levou 21 títulos na soma dos períodos. Também foi técnico do Vasco da Gama (duas vezes), Fluminense, Bangu e Portuguesa. Zagallo foi técnico no tricampeonato da seleção brasileira, em 1970, e coordenador técnico no tetracampeonato, em 1994.  Também ganhou duas Copa das Confederações e comandou a Canarinho em 1998, quando foi vice. Zagallo se consagrou como técnico e jogador. Um marco na história do futebol mundial. O último trabalho foi como coordenador da seleção de Parreira, em 2015.

Zagallo como treinador da Seleção. (Imagem/FolhaUol.com)
Zagallo como treinador da seleção (Reprodução/BOL)

Zagallo honrava a camisa da seleção brasileira como poucos. Hoje em dia, poucos atletas vestem a camisa por amor a um clube ou ao esporte. Hoje em dia, o dinheiro é um dos poucos interesses. Futebol não é só dinheiro, nunca foi. Dinheiro é a consequência de um bom trabalho. Antes de vestirem a camisa de um clube ou seleção, os jogadores deveriam pensar que em casa, no estádio ou em qualquer lugar, existem muitos “loucos” apaixonados pelo esporte e pelo time. Devotos de futebol que, com certeza, dariam a vida para estar no seu lugar. A honra, a raça, e o amor à camisa nunca podem morrer. Não deixem isso acabar, jamais.

Neste aniversário, O Cenas Lamentáveis parabeniza um dos maiores expoentes do futebol como saudamos e gostamos. Desejamos ao Zagallo uma recuperação rápida, tranquila e digna de um homem com a sua importância.

 

Texto: Daniel Ribeiro

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