Zamora e a família Chávez: uma história que vem dando certo

Zamora FC: do início batalhador ao apogeu no futebol venezuelano nas mãos de poderosos

Zamora enfrenta o Grêmio na fase de grupos da Libertadores (Foto: Reprodução/Prensa Zamora FC)
Por: Jean Costa, RS

Caros amigos e leitores do Cenas. O Zamora, adversário derrotado pelo Grêmio na estreia da Copa Libertadores, carrega consigo uma história pra lá de curiosa quando o assunto envolve política e futebol – como se os dois já não andassem entrelaçados. O capítulo de hoje mostra que, com o devido apoio, um clube considerado pequeno ou no máximo médio em seu país pode figurar entre os grandes e até mesmo superá-los.

O ano era 1975. Barinas, capital do estado venezuelano de mesmo nome, não possuía equipes famosas. Eis que um homem chamado Lindolfo Villafañe deu o pontapé inicial ao criar o Pantera Hípica que, de certa forma, tornou-se o começo do que o time viraria hoje. O clube inclusive conseguiu feitos que outros da cidade não conseguiram na época.

O início foi complicado. O próprio Villafañe almejava ingressar no torneio nacional e para isso contratou dois jovens atletas recém-saídos da universidade. O engenheiro Jesús Humberto Mazzei e o dentista Julio Figueroa aceitaram o convite de Lindolfo (que era o Secretário Geral de Governo, na época) e logo começaram a trabalhar recrutando jogadores para a equipe. Com poderes econômicos e políticos suficientes, os “pré-dirigentes” tiveram o suporte necessário para que surgisse a equipe.

Em fevereiro de 1977 nascia oficialmente o Atlético Zamora, que mantinha como dirigentes Lindolfo, Humberto e Julio, além das entradas de Rafael Rosales Peña como presidente e a dupla Carlos Ferro e Antonio Marinelli formando o conselho da equipe. Naquela mesma temporada, a cidade de Barinas lutava para incluir o clube na Federação de Futebol da Venezuela (FVF). Mas de nada adiantou e a vaga em aberto acabou parando nas mãos da Universidad de Los Andes FC. Apesar de não conseguir se filiar para disputar a elite, o Zamora ingressou na segunda divisão venezuelana.

A primeira equipe da história do time Barinense (Foto: Reprodução/Zamoraconfuriallanera)
A primeira equipe da história do time Barinense (Foto: Reprodução/Zamoraconfuriallanera)

Em 1998, o Atlético Zamora entrou em uma crise econômica que levou ao seu desaparecimento no ano seguinte. Barinas perdia o seu maior representante em nível nacional e com ele, os torcedores. Porém, em 2002, graças a uma contribuição feita pelo prefeito Julio Cesar Reyes, os direitos federativos de um time da segunda divisão foram adquiridos e o Zamora FC foi refundado. Era o ressurgimento daquela que se tornaria uma das equipes mais populares da Venezuela.

Os Chávez 

Divergências atrás de outras fizeram com que as pessoas que comandavam o clube entrassem em rota de colisão com os poderosos, especificamente o prefeito. Reyes acabou pagando o preço após brigar com o irmão mais novo de Chávez, que fazia parte da oposição da equipe. Foi quando o governo nacional resolveu usar a figura de Pedro Carreño, assistente pessoal de Hugo, para chegar à liderança do time. O clube havia conseguido certa estabilidade, mas ficava no ar a pergunta: o que acontecerá com a tomada de poder?

Investimentos na cidade aconteciam mesmo antes da entrada de Adelis Chávez no comando. O estádio da cidade, Agustin Tovar – mais conhecido como La Carolina -, que tinha capacidade para 12 mil pessoas, passou para 28 mil em 2007 após um investimento de US$ 60 milhões. Gasto esse em razão de receber um só jogo da Copa América de 2007, sediada na própria Venezuela.

Agustín Tovar, ou La Carolina, casa do Zamora (Foto: Reprodução/OGol.com)
Agustín Tovar, ou La Carolina, casa do Zamora (Foto: Reprodução/OGol.com)

O que parecia ser arriscado acabou por dar certo. Adelis assumiu o clube em 2009. Com Chávez, o Zamora FC começou a receber grandes patrocinadores que ajudaram na economia do clube. Sob seu comando também veio o primeiro grande título: o torneio Clausura Venezuela 2011. “O sucesso foi rentabilizado pelo partido no poder que usou a imagem dos jogadores em sua propaganda eleitoral”, diz Carles Vinyas, historiador catalão que dedicou vários artigos para a relação entre futebol e os Chávez.

Presidente Adelis Chávez, após a conquista do Nacional de 2016 (Foto: Reprodução/Prensa Zamora FC)
Presidente Adelis Chávez, após a conquista do Nacional de 2016 (Foto: Reprodução/Prensa Zamora FC)

Com o título, o Zamora se classificou para seu primeiro torneio internacional: a Copa Libertadores da América de 2012, onde enfrentou o Boca Juniors, arrancando um empate dentro de casa. No mesmo grupo, o Fluminense enfrentou os venezuelanos e venceu as duas partidas por 1 a 0.

Nos últimos cinco anos, o Zamora conquistou três títulos venezuelanos (2012-2013, 2013-2014 e 2016). Por tudo isso, é considerada a principal equipe do futebol do país atualmente. As conquistas marcaram a guinada que o clube deu no país, fazendo com que se tornasse mais conhecido no futebol sul-americano.

Pode ser coincidência ou não, mas foi após a chegada da família Chávez à presidência que a equipe conseguiu o feito de entrar na Liberta. Patrocínios essenciais vieram para elevar a equipe financeiramente e com isso o time cresceu. A cereja do bolo ainda estava por vir. Os títulos vieram e com eles a saída da equipe do grupo dos pequenos.

O Zamora entra na Libertadores de 2017 em busca de sua primeira classificação para o mata-mata (Foto: Reprodução/Prensa Zamora FC)
O Zamora entra na Libertadores de 2017 em busca de sua primeira classificação para o mata-mata (Foto: Reprodução/Prensa Zamora FC)

O Zamora talvez seja hoje o melhor da Venezuela, mas precisa provar isso na Libertadores. O clube ainda não conseguiu passar da fase de grupos na competição. Em 2014 a classificação bateu na trave. O clube atingiu sete pontos, ficando atrás apenas do Galo, 12 pontos, e Nacional do Paraguai com 8.

Além de não passar de fase, os venezuelanos têm um grande desafio pela frente. O tabu de não vencer brasileiros segue. Contra Fluminense e Atlético- MG sucumbiu anteriormente. Este ano já perdeu para o Grêmio, por 2 a 0, em casa.  Já que na competição desse temporada foi eliminado precocemente, o Zamora vem à Porto Alegre para, quem sabe, quebrar por fim nessa marca contra equipes brasileiras, o que já seria um feito e tanto.

Fontes: O Globo, Zamora Futbol Club, Wiki Zamora e La Nacion

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