Zinédine Zidane: A elegância de um carrasco

Elegância: palavra que define a carreira de jogador do craque francês (Foto/Reprodução: 123hdwallpapers.com)
Por: Bruno Gabriel, PR

Quando se fala de categoria, elegância e classe no futebol poucos jogadores vêm tanto na memória dos fanáticos e conhecedores do esporte como o nome de Zinédine Zidane. E é certo que tal nome soe como amargo em uma primeira impressão em nossa cultura devido ao fato do craque ter sido carrasco da seleção brasileira em duas Copas do Mundo, com duas atuações dignas de um gênio.

Nascido em Marselha no ano de 1972, Zidane tem apenas 44 anos. Isto significa que muitos torcedores da nova geração conseguiram ver O Maestro em campo no seu final de carreira como jogador de futebol. Hoje, é o atual Campeão da Champions League como técnico pelo Real Madrid, deixando assim um de seus primeiros legados em sua nova função. Mas é certo que o francês sempre será lembrado pelo o que fez dentro das quatro linhas.

Fazer um gol em uma final de Champions League é para poucos, certo? E então o que seria fazer um gol que se tornaria referência de um verdadeiro “sem pulo” em uma final da mesma? E assim Zidane o fez! Tal gol mostrava o equilibrio e técnica do qual o francês buscava tratar a bola. Como poucos em toda a história do esporte, Zizou à tratava com carinho e intimidade. Era uma ligação que ampliava os laços do que o esporte oferecia. Ver o carrasco brasileiro jogar era como estar em um espetáculo cheio de requinte, impressionismo e arte.

Eleito três vezes melhor jogador do mundo pela FIFA (1998, 2000 e 2003), Zizou tem em seu histórico dentro das quatro linhas títulos imensos, como:

  • Campeonato Italiano (1997 e 1998);
  • Campeonato Espanhol (2003);
  • Champions League (2002);
  • Eurocopa (2000);
  • Copa do Mundo (1998).

O gênio da bola francês defendeu duas das camisas mais tradicionais e pesadas do velho continente (Real Madrid e Juventus). E além de ter vencido tais títulos citados acima, teve a capacidade de criar em sua imagem uma referência para as crianças que queriam ser jogadores e cresceram vendo seu futebol. Muitos queriam jogar como Zidane.

Zizou se mostrava tão único com a bola que imortalizou até um drible. Um 360 com a bola nos pés que limpava o adversário, abria espaços e clareava chances de gols ou “apenas” deixavam os adversários sem reação, desestabilizando assim grandes defesas.

Porém, Zidane não era perfeito. O craque da camisa 10 tinha um único defeito que nós da CL precisamos, infelizmente, lembrar. Ele não era brasileiro! E pior, se tornou um dos principais carrascos que a amarelinha já enfrentou em toda a sua história.

Tudo começou em 98, quando Zizou teve grande atuação na Final da Copa do Mundo. O placar, todos já sabem, um 3 a 0 amargo para os anfitriões, que teve início após uma cabeçada letal do Maestro francês em cobrança de escanteio.

A história iria se repetir aos 46 da primeira etapa. Após outra cobrança de escanteio e outra cabeçada precisa de Zizou, fazendo assim 2 a 0 para a França e praticamente aniquilando a final. No fim, a França levantou o seu primeiro e único caneco de Campeã do Mundo.

Chegamos, então, ao ano de 2006. O Brasil vinha com o rótulo de atual Campeão do Mundo, com grandes jogadores, e com um alto favoritismo na competição, porém, o carrasco elegante apareceu de novo, dessa vez pelas quartas de final da competição.

A partida que Zidane fez naquele 01 de julho de 2006 é algo para encher os olhos de um bom amante de futebol. Como brasileiro, é claro que tal atuação foi sentida demais durante um bom tempo e é certo que muitos a sentem até hoje. Mas separando a razão da emoção, precisamos falar sobre o que o gênio da bola francês fez neste dia tão enfático.

Além da assistência na cobrança de falta para o gol de Henry, Zizou driblou Kaká, Ronaldinho, deu chapéu no Ronaldo Fenômeno, controlou a partida do início ao fim e é fácil achar em acervos como o Youtube vídeos de até 8 minutos da sua atuação contra a seleção brasileira.

Como todo gênio da bola, Zizou tinha o seu lado temperamental bem apurado. Jamais poderíamos deixar de falar em seu nome sem lembrar do ocorrido na final da Copa de 2006, contra a Itália.

Na mesma noite que o craque havia feito um gol de pênalti estilho cavadinha contra ninguém menos que Buffon, o francês foi provocado por Materazzi e não pensou duas vezes antes de dar uma cabeçada no peito do italiano. Assim, com o vice campeonato mundial, Zidane se despedia da Copa do Mundo, e deixava uma das imagens mais marcantes de toda a história da competição.

Zizou e o seu lado "CL" (Foto/Reprodução: globoesporte.com)
Zizou e o seu lado “CL” (Foto/Reprodução: globoesporte.com)

Pois bem, falar sobre Zidane é falar sobre bom futebol. É falar sobre uma figura que amava o que fazia dentro das quatro linhas e que ama o que faz agora perto delas. É falar sobre classe, elegância, postura e um poder para desequilibrar jogos gigantes que poucos jogadores tiveram na história do futebol mundial, principalmente recente.

Para nós brasileiros, é falar sobre um dos maiores carrascos da nossa história futebolística sim, porém, como apreciador do esporte que mais cativa e apaixona no mundo, também podemos lamentar outra coisa muito importante… o fato dele não ter nascido brasileiro.

 

Fontes : Ogol.com; Terceiro Tempo e Futebol O Grande

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