A teimosia do Carille

TÉCNICO INSISTE NA DUPLA DE ZAGA FORMADA POR HENRIQUE E MANOEL

Por Frank Toogood, SP

A convicção é uma virtude, que, em excesso, transforma-se no oitavo pecado capital: a teimosia. Fábio Carille, técnico do Corinthians, já deu amostras mais do que suficientes que puxou essa característica de seu mentor Adenor, o Tite.

A polêmica da vez foi instaurada na dupla de zaga. Henrique e Manoel estão longe de ser unanimidade entre torcida e imprensa. Com esses nomes protegendo Cássio, o time tomou 9 gols em 7 jogos (contando Campeonato Paulista, Copa do Brasil e dois jogos pela Sulamericana).

É verdade que Marllon foi titular na derrota do Timão para o Novo Horizontino e nos empates por 1 a 1 contra São Caetano e São Bento, mas, por outro lado, ele e Léo Santos formaram a dupla que passou ilesa na vitória contra a Ponte Preta – outro jogo de cleen sheet foi derby contra o Palmeiras – lá, a bola só não entrou por milagre. Coincidência (ou não), Marllon e Pedro Henrique estavam em campo na suada vitória contra o Botafogo de Ribeirão Preto, por 1 a 0.

Torcida pede Marllon no lugar de Henrique, contestado (Foto: Rodrigo Coca)

Carille defende suas escolhas. Em coletiva após o jogo contra o Avenida/RS, pela Copa do Brasil, o técnico relativizou os gols tomados. “Faz parte, é uma dupla nova. Acabei de ver o lance ali por vídeo, o atacante erra a bola e acaba enganando o Henrique. Faltou cobertura dos lados e acabamos tomando o segundo gol”, afirmou o técnico. No jogo da Ida, contra o Racing/ARG, pela Copa Sulamericana, o discurso foi parecido. “Henrique fez o movimento de corpo da cobertura certinho, aí no passe a bola ficou nos pés dele. Não considero falha, considero uma infelicidade”, cravou.

A favor da zaga escolhida, conta o fato de serem responsáveis por três dos gols marcados pelo time, sendo dois de Henrique e um de Manoel, numa época da temporada que o ataque passava em branco, a exceção de Gustavo. Os avançados só foram deslanchar após a agonizante classificação na Copa do Brasil, com Love, Boselli e Clayson indo às redes nos jogos subsequentes.

Carille já manifestou a confiança em seus zagueiros por mais um tempo. Resta saber se toda essa convicção (ou teimosia), custará caro para o Corinthians nesse início de 2019.

Até agora, aos trancos e barrancos, deu certo…

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