Adéu, Barça

CHEGA AO FIM O ESPETÁCULO DO ILUSIONISTA NA CATALUNYA

Adeus (Reprodução/Instagram)
Por Lucas Oliveira, MG

“Ilusionismo.” [Def.] Arte de produzir fenômenos que parecem contradizer as leis naturais.

Amigo leitor, nosso universo é regido por uma gama de leis naturais, contradizê-las está longe de ser uma missão simples. Na física, os parâmetros estabelecidos por Isaac Newton são a base para os estudos da cinemática e dinâmica; ninguém jamais conseguiu contrariar os escritos do físico britânico. O futebol também tem suas leis naturais, os padrões a serem seguidos para obter êxito enquanto jogador. Andrés Iniesta não somente seguiu esses padrões, ele os moldou à sua maneira. Em duas décadas com o Barcelona, Iniesta mostrou ao mundo a essência da genialidade no jogo. A arte de “esconder a bola”, e muitas vezes fazer o inimaginável para jogadores deste planeta lhe renderam a alcunha de Ilusionista.

L’il-Iusionista

Considerado o maior futebolista espanhol de todos os tempos, o craque disse adeus ao seu clube formador nesta temporada. O meia trocou o Barça pelo Vissel Kobe-JAP.

Natural do pequeno município de Fuentealbilla, Iniesta chegou às Canteras nos idos de 1996, então com 12 anos de idade. O jovem meia chamou à atenção dos olheiros do clube catalão que viram algo diferente no garoto durante um torneio juvenil. Eles estavam certos, afinal de contas, poucos atletas conquistam o respeito dos que o cercam ao ponto de ser chamado de Don; Iniesta é um deles. Aliás, Don Andrés é um dos tais.

Em 1999, participou de uma competição atuando pelas categorias de base do Barcelona. Naquela época, Pep Gaurdiola, então jogador do Barcelona, confidenciou a Xavi Hernández – que já participava dos treinos da equipe principal do Barça e era visto como o jovem espanhol mais talentoso dos últimos anos – que Andrés seria um dos grandes.

“Vê aquele garoto? Você irá me aposentar, mas aquele ali irá aposentar a nós dois”, Pep Guardiola

Em La Masia, o talento era reconhecido por todos, que viam no garoto uma espécie de espelho de outro jovem meio-campista espanhol que já era tido como realidade no clube catalão: Xavi Hernández.

Xavi é quatro anos mais velho. Na conquista da Champions League de 2006, El Mestre formava o meio-campo da equipe catalã ao lado dos brasileiros Deco e Edmílson. A partir daquela temporada, Iniesta ganhou mais minutos entre os titulares do técnico Frank Rijkaard. Dali em diante, mostraria ao mundo sua extrema inteligência com a bola nos pés além da sua incrível capacidade de potencializar o jogo de seus companheiros, tornando todos a sua volta melhores.

A semelhança entre o jogo de Xavi e Iniesta é notória, entretanto, cada um foi genial a sua maneira. Para muitos, El Mestre é o melhor passador da história do futebol, um jogador cerebral que dita o ritmo, o caminho e o modo com que seu time irá atacar o adversário. Espinha dorsal da Espanha campeã do mundo e bicampeã da Europa, além de ser peça chave de Guardiola no Barcelona. Iniesta, por sua vez, assemelha-se a Xavi por possuir a capacidade de ditar o ritmo de sua equipe como poucos na história do jogo. Além das características clássicas de um exímio meio-campista, possui o recurso do drible a seu favor; L’il-Iusionista nunca foi um velocista, porém, sua capacidade de “esconder a bola” com movimentos precisos e fluídos lhe renderam a fama de Ilusionista. Grande parceiro de Andrés na Fúria e no Barça, o Mestre, assim como nós, é fã de Iniesta. A verdade é que apesar de suas particularidades, Xavi tornou o jogo de Iniesta melhor, e a recíproca é verdadeira.

“Andrés é para mim o jogador mais talentoso da história da Espanha… ele tem um talento espetacular”, Xavi em carta aberta a Iniesta

Em 2010, Iniesta marcou o gol mais importante da história do futebol espanhol. Na Copa do Mundo disputada na África do Sul, a peleja final contra a Holanda se arrastava pela prorrogação com o placar zerado. No tempo extra, Iniesta deixou Cesc Fàbregas em ótima situação para marcar, porém o meia parou em Stekelenburg. Após 116 minutos de jogo, foi a vez de Fàbregas deixar Iniesta em posição para finalizar à meta holandesa, Don Andrés não desperdiçou a oportunidade.

O momento em que Iniesta deu à Espanha seu único título mundial (Foto: Zimbio)

Andrés Iniesta é, provavelmente, o melhor jogador que jamais ganhara a premiação de futebolista do ano da FIFA. Atletas, jornalistas e fãs do meio-campista argumentam até os dias atuais que o espanhol merecia o prêmio de melhor do mundo em 2010; aquela foi a única temporada em que os três finalistas do Ballon d’Or eram de um mesmo clube, Xavi e Lionel Messi foram os indicados ao lado de Iniesta. A premiação ficou o argentino. Andrés não ganhou a Bola de Ouro, azar da Bola Ouro.

Em seus mais de 20 anos de Barcelona, Iniesta construiu uma carreira extremamente vitoriosa, entre os principais títulos estão: La Liga (9), Copa del Rey (6), Supercopa da Espanha (7), Liga dos Campeões (4), Mundial de Clubes (3), Eurocopa (2) e ainda uma Copa do Mundo.

Nessa vida tudo chega ao fim. Tudo tem seu prazo de validade. Não foi diferente na relação entre Andrés Iniesta e o Futbol Club Barcelona. Porém, seu vínculo de mais de duas décadas com aquele que afirma ser Més Que Un Club o credencia a status de um ser atemporal, imortalizado na memória de quem teve o prazer de vê-lo em campo.

Após sua despedida, Iniesta voltou ao gramado do Camp Nou uma última vez (Reprodução/Instagram)
Fontes: GloboEsporte.com

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