“Ah, é Lisca doido…”

Lisca e a loucura em ser autêntico no futebol atual

Lisca festejando mais uma vitória com a torcida do Ceará (Mauro Jefferson/cearasc.com)
Por: Victor Silva, CE.

Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o Lisca Doido, é talvez hoje um dos maiores personagens à beira das áreas técnicas no país. Treinador de declarações polêmicas, dancinhas inusitadas para provocar os adversários, comemorações extravasadas nos alambrados junto às torcidas dos times que comanda e uma série de momentos e desavenças que o tornaram conhecido no meio futebolístico como “o Doido”.

Lisca treinou algumas equipes nas categorias de base a partir dos anos 1990 (Internacional, São Paulo, Fluminense e Grêmio). A primeira chance em um elenco principal foi com o Ulbra-RS, em meados de 2001, ainda retornando aos juniores em alguns momentos posteriores. Se estabeleceu de vez na categoria profissional em 2007 quando começou a dirigir o Brasil de Pelotas. O primeiro momento de destaque e o nascimento da alcunha de doido viriam dirigindo o Juventude no seu retorno a Série C. Em comemoração regada a espumante e muita descontração com os seus jogadores após a conquista do acesso, “O doido” subiria na mesa da entrevista coletiva junto aos atletas e acabaria quebrando a bancada com pulos e aos gritos de “Lisca doido”.

No trabalho seguinte, no Naútico, veio o momento de consolidação do personagem. No jogo mais tenso até aquele momento da temporada — a quebra do tabu de 10 anos sem vitória sobre o Sport —, Lisca fez questão de comemorar a vitória alvirrubra subindo no alambrado junto aos torcedores. Protagonizou um dos momentos mais emblemáticos de suas brincadeiras ao dançar para provocar Neto Baiano (jogador do Sport naquele período) imitando sua dancinha de comemoração característica após uma vitória sobre o Criciúma na Série B. Seu jeito explosivo nunca deixou tudo ser um mar de rosas em seu trajeto nos clubes. Alimentou momentos de grande identificação com as torcidas das equipes por onde passou, mas também nutriu opiniões ruins de algumas diretorias.

Talvez o momento de maior loucura tenha ocorrido quando desembarcou em Fortaleza para aceitar o que parecia ser uma “barca furada”. Em setembro de 2015, o Ceará encontrava-se em situação delicadíssima na Série B do Campeonato Brasileiro e tudo parecia encaminhar-se para um inédito rebaixamento à terceira divisão. Eis que numa última cartada para tentar salvar a temporada, Lisca é contratado para assumir uma equipe completamente desacreditada e dada como rebaixada. O desfecho todos sabem, uma recuperação absurda no torneio, com um elenco limitadíssimo e o início de uma arrancada que culminaria em imediata identificação da torcida com o “professor”. No auge do êxtase pela conquista do objetivo de não cair para a Série C, o treinador tomou a cabeça do mascote do clube (o Vovô) e saiu em disparada rumo à torcida, uma cena para a história do time e do personagem em questão.

“Saiu do hospício, tem que respeitar, Lisca doido é Ceará” viraria quase um mantra em sua passagem pelo Alvinegro naquele período e no retorno do treinador neste ano.

O êxtase ao salvar o Vovô do rebaixamento. (Foto: Reprodução/GaúchaZH)

Entre trabalhos pouco expressivos e passagens quase sem expressão nos anos seguintes, Lisca retornou ao Ceará neste ano de 2018 para tentar o que parecia impossível no início do campeonato: salvar o Vovô do rebaixamento à Série B. Hoje faltam apenas quatro pontos para sair da zona de descenso, porém a luz no fim do túnel parece mais próxima . Tratando-se de um treinador acostumado a milagres e mestre em motivar seus comandados em momentos assim, quem ousa duvidar do louco?

Lisca é a expressão de carisma e alegria que faz falta ao futebol atual, personagem sensacional acima de tudo e um sujeito que é a cara daquilo que mais gostamos no esporte…a loucura e descontração de um contexto cada vez mais comedido, Lisca é muito CL.

 

Fontes: GaúchaZH, TerceiroTempo e Revista Veja.

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