Atlético conquista Sul-Americana e consolida bom momento do futebol paranaense

Título do Furacão tem a marca do planejamento e da mescla entre experiência e juventude

É a primeira conquista internacional de um clube paranaense (Foto: Reprodução / Agência AFP / CONMEBOL)
Por Dudu Nobre, PR

O dia amanheceu diferente para o futebol do Estado do Paraná. Não pelo calor digno de Rio de Janeiro que a população vive nesta semana, mas pela conquista do Atlético na última quarta-feira (12). O Rubro-Negro sofreu, esteve a um triz de um “Maracanazo Paranaense”, mas venceu o Junior Barranquilla-COL nos pênaltis e conquistou a Copa Sul-Americana.

Obviamente vários coxas brancas e paranistas não dão o braço a torcer, afinal a rivalidade entre os integrantes do Trio de Ferro está arraigada há gerações. No entanto, o título atleticano é importante para o estado como um todo. É a  primeira vez que um clube paranaense fatura uma competição organizada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), ajudando a quebrar um fantasma presente nos últimos anos: os vices em competições importantes.

Desde a virada do milênio, mesmo com o título nacional em 2001, o Atlético perdeu um Brasileiro, uma Copa do Brasil e uma Libertadores. O Coritiba chegou por dois anos consecutivos em decisões de Copa do Brasil, mas em ambas o Alviverde sofreu o revés em pleno Couto Pereira. Para piorar a situação, o Paraná amargava anos na Série B do Brasileiro e as equipes do interior não demonstravam a força necessária para chegarem as principais divisões nacionais.

A situação do futebol paranaense era mediana, de pouco protagonismo. Porém, aos poucos, uma palavra foi se consolidando dentro dos clubes: planejamento. Dessa forma, as coisas começaram a caminhar, e os resultados chegaram. O Atlético disputou duas edições da Libertadores em três anos (2014 e 2017). O Paraná conseguiu voltar a Série A após uma década afastado. Londrina e Operário saíram da divisão de acesso do estado para figurarem na Série B do Brasileiro em 2019 – conseguindo desbancar os clubes da capital e vencendo o Campeonato Paranaense no meio do caminho.

Claro que nem sempre se ganha, afinal o Paraná acabou rebaixado e o Coritiba não teve um bom 2018. Mas é fato que o futebol paranaense evoluiu, se preparando para dar mais um salto: ultrapassar as fronteiras do Brasil.

Pablo foi o artilheiro da competição ao lado de Benedetti do Deportivo Cali-COL, ambos com cinco gols (Foto: Reprodução / Agência EFE / CONMEBOL)

Uma campanha de afirmação

O Atlético eliminou adversários de peso para chegar a decisão. Newells-ARG, o poderoso Peñarol-URU, Caracas-VEN, um duelo difícil contra o Bahia – com polêmicas em torno do VAR, e nas semifinais o Fluminense. O time de Tiago Nunes teve como marca a organização, mesclando atletas experientes com uma piazada que conhece os caminhos do clube. O Furacão havia sofrido apenas cinco gols em 10 jogos, marcando 19.

Na decisão, porém, o equilíbrio prevaleceu. Empate por 1 a 1 nos dois jogos, uma cansativa prorrogação em que o Rubro Negro teve de superar o cansaço e as lesões, e para completar uma decisão por pênaltis. A tensão era evidente, tanto que o Junior teve algumas chances de matar o jogo, tanto no segundo tempo quanto na prorrogação. No entanto, quando Barrera “Baggiou” e desperdiçou um pênalti – assim como Pérez fez na Colômbia -, o jogo virou emocionalmente e o Atlético ganhou confiança.

Nas penalidades, esse ânimo se concretizou em vitória e título. Conquista de um grupo de nomes qualificados como Léo Pereira, Renan Lodi, Lucho González, Raphael Veiga e – principalmente – Pablo. Mas, primeiramente, um grupo que representa um momento de mudanças no clube. Um novo escudo vem por aí. O Atlético será Athletico. Entre prós e contras, o fato é que todos estão de olho em Curitiba, não só pela “nova marca”, mas também porque o Furacão conquistou a América do Sul.

Que seja o primeiro de outros títulos internacionais. Que o Trio de Ferro volte a ser um só na Série A, que o interior possa mostrar que a força do estado vai além da região metropolitana da capital. Que os piás e gurias que vivem neste chão possam erguer a cabeça e ver um horizonte mais dourado a partir desta taça.

Fontes: CONMEBOL

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