Campeão do 1º turno, São Paulo pensa no futuro revisitando as glórias do passado

Elenco ajustado dá título do 1º turno do Brasileirão para o São Paulo (Foto: Gazeta Esportiva)

Carlos Garcia | SP

Já diz o hino do São Paulo: “as suas glórias vêm do passado”. Mas em muitos momentos o presente foi glorioso também, afinal a soma destes momentos fantásticos na história do campeão do 1º turno do Campeonato Brasileiro não se deram por acaso. Os mais marcantes na memória do torcedor tricolor são o bicampeonato de Libertadores e Mundial em 1992 e 1993 e também a sequência de 2005 a 2008, onde o São Paulo venceu Libertadores, Mundial e três vezes seguidas o Brasileirão.

Mas após este último rico período na história do São Paulo o clube que sempre serviu de exemplo para todos os outros no país andou para trás. A soberba e o uso do termo “soberano” fizeram a diretoria acreditar que nada poderia tirar do tricolor o posto de maior clube do Brasil. Assim o competente Juvenal Juvêncio, ao se sentir dono do clube, deu um passo ao amadorismo tentando se perpetuar na presidência, Carlos Miguel Aidar deu aula de incompetência e Leco também começou falhando na missão. Isso para focar apenas nos 3 últimos presidentes do clube, porque se estendermos o show de horrores a ações da diretoria precisaremos de espaço vitalício aqui na CL.

Em 2017 Carlos Augusto Barros e Silva, o popular Leco, atual presidente do São Paulo bem que tentou planejar bem a temporada após renúncia de Aidar. Contratou Rogério Ceni com boa antecedência ao início do trabalho, trouxe os nomes que o grande ídolo da torcida pediu, deu abertura para os jovens e liberdade para trabalhar. Mas não adianta um bom planejamento se a execução não for boa. Jogadores importantes para o elenco eram vendidos praticamente a cada duas semanas e o treinador foi jogado aos leões. A demissão se tornou inevitável e o mau momento do clube fora das quatro linhas arranhou até mesmo a imagem do maior ídolo tricolor.

Mas o que mudou?

Lugano, Ricardo Rocha e Raí são os grandes comandantes do São Paulo fora das 4 linhas (Foto: Divulgação SPFC)

Após brigar contra o rebaixamento novamente em 2017 o São Paulo precisava mudar ou voltaria a sofrer do mesmo drama. Nomes importantes da diretoria foram desligados, a base se aproximou do profissional e o futebol ganhou mais soberania, onde a grande aposta foi trazer para o comando do setor pessoas que gostam do clube, trabalham com seriedade e o principal: venceram muito no Tricolor e sabem o que é conquistar títulos com essa camisa. Raí, Ricardo Rocha e Lugano eram a injeção de ânimo que o SPFC precisava. Três ex-jogadores que sabem o que é vencer no Morumbi e como as coisas funcionam lá dentro. Pouca gente lembra deles, o que é ótimo sinal, afinal os holofotes devem estar apontados para dentro do campo, mas a mão dos três tem peso grande neste bom momento.

Raí dispensa apresentações. Está na galeria dos maiores jogadores da história do clube, foi campeão da Libertadores em 92 e 93, Mundial em 92, tricampeão paulista, campeão brasileiro de 1991 e foi maestro de um elenco comandado por Telê Santana. No mesmo elenco do Brasileirão de 1991 ainda estava Ricardo Rocha, outro exemplo de jogador vitorioso por onde passou e que no São Paulo venceu também dois Paulistas. Raí ainda escolheu o São Paulo quando voltou a Europa em 1998 e ganhou o Campeonato Paulista de 1998 em cima do grande rival Corinthians.

Diego Lugano, conhecido pelo torcedor por Deus da Raça, é outro contratado para reforçar o time de bons dirigentes do futebol Tricolor. Ele representa outro período de muitas conquistas do clube, onde conquistou o Paulista, a Libertadores e o Mundial de Clubes da FIFA em 2005 e também o Brasileirão de 2006, antes de rumar para a Europa. Mesmo longe do Morumbi nunca escondeu a vontade de voltar ao clube e sua paixão pelo São Paulo, lembrada em muitos momentos durante sua carreira. Voltou para o clube em 2016 ciente de que seria reserva e disposto a ajudar dentro de campo, situação que lhe rendeu o cargo de dirigente e uma espécie de embaixador do clube, servindo como uma das pontes de apoio ao treinador Diego Aguirre.

Qual é o efeito disso?

“Eu venci neste clube, no meu tempo as coisas funcionavam dessa forma”. Com esta frase Raí, Ricardo Rocha e Lugano podem resumir a qualquer jogador do clube o que eles precisam fazer para se dar bem no São Paulo, como conquistar a torcida e fazê-los ter noção do tamanho do clube e também acreditar que é possível vencer lá dentro. Foi assim que, apenas na base da conversa, recuperaram a confiança de um grande jogador como Diego Souza, que começou mal sua trajetória no Morumbi. Já Cueva não parecia disposto a fazer o mesmo, então foi afastado e na sequência ainda rendeu alguns bons dólares aos cofres. Ambos os casos foram resolvidos por Raí e Ricardo Rocha, enquanto Lugano atuou na contratação do atacante Gonzalo Carneiro e é bom parceiro do compatriota Diego Aguirre. E com base nisso vale notar que há muito tempo o presidente Leco sequer aparece na mídia. Sinal de que as coisas vão bem.

Apoiado por Raí, Diego Souza é um dos nomes fortes do elenco (Foto: divulgação SPFC)

O São Paulo vai vencer o Brasileirão? Ninguém sabe. Mas mais do que a liderança, o título simbólico devolve ao São Paulo o que lhe é de direito, que é um espaço digno entre os grandes na tabela de qualquer campeonato que dispute. O Tricolor do Morumbi foi pioneiro em muita coisa no futebol brasileiro, em especial na forma de administrar bem o as coisas fora das quatro linhas, similar aos grandes da Europa. Após ficar para para trás nos últimos anos, vivendo alguns de seus piores anos da história, tenta agora se recuperar. Ainda são 10 anos sem uma grande conquista – ou seis se contarmos a Sulamericana de 2012 – mas aos poucos as coisas parecem se ajeitar. A simbologia do título do 1º turno do Campeonato Brasileiro pode ter um significado maior para o gigante que parece ter acordado.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*