Ceará: da desconfiança ao acesso

A saga alvinegra para finalmente voltar à Série A

Ceará comemora o acesso à Primeira Divisão após empate diante do Criciúma / Foto: Bruno Aragão/CearaSC.com
Por: Victor Portto, CE.

O início da Série B do Campeonato Brasileiro de 2017 foi cercado de desconfiança da torcida do Ceará. Mesmo com o  título estadual conquistado antes de começar o Campeonato Nacional, era de consenso geral a impressão de que a equipe sofreria bastante se não se reforçasse para a disputa da Segunda Divisão. O futebol ruim apresentado no início do ano, a falta de criatividade da equipe nas ações ofensivas e uma desorganização tática contribuíam bastante para a falta de apoio vinda das arquibancadas no início da caminhada. Apesar da impaciência da torcida no início, há de se destacar que os públicos não eram ruins.

O Vovô começou o ano com Gilmar dal Pozzo (sendo este o responsável pela elaboração do elenco de uma maneira geral), depois contratou Givanildo de Oliveira e terminou o ano com Marcelo Chamusca à frente da área técnica. Este cenário demonstra bem o quanto o Ceará não teve uma proposta de jogo comum planejada pela diretoria (visto que os estilos de jogo dos treinadores eram bem diferentes uns dos outros) e como o sucesso desta empreitada ao final do ano ocorreu muito mais com o acerto da revisão das peças do time do que pelo mérito da direção do clube no planejamento inicial da temporada. Apesar de já há algum tempo o Alvinegro quase sempre figurar na parte de cima da tabela da Série B e brigar pelo acesso (tirando 2015), este parecia ser o ano no qual o time cearense apenas brigaria pelo meio da tabela, já que Chamusca assumiu a equipe no 12º lugar – posição que era bem condizente com a realidade alvinegra na competição.

Podemos afirmar que o trunfo para o acesso do Ceará este ano foi a defesa da equipe. O único setor do time que permaneceu praticamente o mesmo desde o início do ano e que se provou essencial na campanha, principalmente pelos pontos conquistados fora de casa. Éverson, Tiago Cametá (afastado na reta final e substituído por Pio), Rafael Pereira, Luiz Otávio e Romário foram presenças constantes e destaques do time, juntamente com Richardson. Eles trouxeram a solidez defensiva para que a partir da contratação de Marcelo Chamusca (com os ajustes ofensivos) o time começasse a fazer uma boa campanha até engrenar na busca pelo acesso. No setor de criação e de ataque o torcedor não gosta nem de lembrar, mas o Ceará iniciou a Série B com o seguinte quarteto ofensivo: Felipe Menezes, Alex Amado, Roberto e Wallace Pernambucano. No decorrer da competição, os seguintes atletas viraram titulares: Pedro Ken, Ricardinho, Lima, Leandro Carvalho e Elton – dando substancialmente mais poder de fogo ao ataque do Vovô.

Torcida faz a festa após o acesso para Série A
Torcida faz a festa após o acesso para Série A do Campeonato Brasileiro-2018. Foto: Bruno Aragão/CearáSC.com

A irregularidade alvinegra foi um dos maiores pontos para o torcedor muitas vezes duvidar do acesso do Ceará. Sempre ficava aquela sensação do quase, pois quando havia a possibilidade de se aproximar do G-4 a equipe derrapava. Não foram poucos os momentos que o torcedor alvinegro quase jogou a toalha e achou que seria impossível voltar a viver o doce sabor de retornar à Série A. Foram precisos nove jogos invictos para que a torcida decidisse abraçar de verdade a ideia de que era possível voltar à elite nacional. Apesar da queda de rendimento na parte final da competição, os pontos conquistados anteriormente se tornaram quase que suficientes para conseguir o sucesso.

Essa caminhada marcou a trajetória de alguns jogadores no elenco do clube, como Richardson e Éverson que chegaram juntos em 2015 e lutaram pra evitar o rebaixamento do Ceará no período e podem sorrir agora levando o time à  Primeira Divisão. De Ricardinho (um dos grandes ídolos recentes do torcedor alvinegro) que chegou em 2013, saiu no ano passado e voltou nesta temporada para ajudar a dar estabilidade ao meio de campo alvinegro. E, por último, Magno Alves (entre idas e vindas ao clube, presente no Ceará desde 2011) que desta vez foi fundamental nos bastidores por toda a sua experiência e espírito de equipe e como um bom reserva ajudando bastante sempre que entrava. O time teve alguns destaques, mas por toda a identificação que construíram com o torcedor do Vovô estes atletas são os que mais serão lembrados pela torcida.

O Ceará consegue um grande feito por tudo o que viveu no início do ano, mas agora além de comemorar o acesso tem que pensar bem na montagem do seu elenco e fazer um planejamento que realmente seja organizado. Alguns jogadores devem sair, mas talvez a ausência mais sentida seja a do garoto Lima (emprestado pela equipe do Grêmio e que virou destaque técnico do time) no ano que vem. O torcedor deve e pode comemorar, mas tem que entender que o clube brigará para não cair no retorno a Série A e, se conseguir sucesso nesta luta na próxima temporada, nos próximos anos quem sabe não almeje algo mais dentro da competição. O Vovô sobe de maneira mais organizada financeiramente do que em 2009 e talvez esse seja o grande trunfo para conseguir montar uma boa equipe e que consiga a manutenção na elite nacional.

Fontes: Globoesporte.com; Trivela.com.

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