CL na Copa: A primeira Copa do Mundo do Panamá

A ALEGRIA DE ESTAR EM UMA COPA DO MUNDO

Por Samir Leão, TO

No Mundial deste ano, na Rússia, não teremos a participação da Itália, tetracampeã do mundo, nem dos holandeses, que já disputaram três finais do torneio. Por outro lado, pela primeira vez na história das Copas o Panamá irá disputar o maior espetáculo de futebol do planeta. A presença inédita dos Canaleros foi garantida por vias dramáticas, o que torna esse feito ainda mais sensacional. A magia que cerca essa competição é tão forte, que para alguns fazer parte dela já é um triunfo de proporções gigantescas. Uma honra que esse país, de pouco mais de quatro milhões de habitantes, localizado na América Central, vai dividir com outras 31 nações.

Os panamenhos disputam as qualificações da Concacaf desde 1978, contudo, só em 2006 eles conseguiram chegar à parte final das Eliminatórias, o chamado hexagonal final. Ficaram muito perto de participar da Copa aqui no Brasil, porém caíram na última rodada diante os Estados Unidos. Naquele jogo, venciam a partida por 2 a 1, até os 47 minutos do segundo tempo e sonhavam com uma vaga na repescagem para a disputa do Mundial. Como o futebol não é uma ciência exata, os americanos acabaram por virar o jogo nos minutos finais e o sonho foi adiado por mais quatro anos.

                     (Torcida dos Canaleros comemora classificação para sua primeira Copa. Foto: Divulgação)

Após esse revés, a comissão técnica foi substituída. O projeto para chegar até à Rússia em 2018, tinha que ser endossado por um treinador com vasta experiência. Assim, quem chegou para comandar a Seleção foi o colombiano Hernán Darío Gómez, El Bolillo. Era o nome ideal para realizar esse sonho, pois, além de não ser uma novidade levar uma nação ao Mundial pela primeira vez, façanha que conseguiu quando comandou o Equador em 2002, Gómez está entre os cinco técnicos que mais disputaram partidas no comando de seleções. Com 62 anos, essa será a terceira Copa de El Bolillo, com passagens também por Colômbia e Guatemala, já são mais de 230 jogos no currículo apenas à frente de nações. A estreia pelo Panamá foi em 14 de maio de 2014, uma partida amistosa contra a Sérvia que terminou empatada.

Hexagonal Final

Logo na chegada, Goméz tratou de exorcizar a decepção de não ir à Copa em 2014, e sob seu comando, os Canaleros passaram sem sustos pelas fases iniciais das Eliminatórias da Concacaf para chegar à Copa da Rússia. No hexagonal final o Panamá teve pela frente: Honduras, Costa Rica, Estados Unidos, México, Trindade e Tobago, todas estas seleções com passagens por Mundiais. Para carimbar o passaporte, os panamenhos deveriam ficar entre os três primeiros colocados, o que garantiria a vaga direta, ou pelo menos na quarta colocação e assim disputar a repescagem contra o quinto colocado das Eliminatórias Asiáticas.  O formato dessa última parte da competição é de pontos corridos, no qual todos se enfrentam em jogos de ida e volta.

A campanha foi árdua. Em 10 jogos: três vitórias, quatro empates e três derrotas. O início não poderia ser melhor, um triunfo diante Honduras fora de casa por 1 a 0. Era o começo perfeito e encheria os torcedores de esperança, contudo, os ventos da vitória mudaram e começar a soprar na direção contrária. Depois desse jogo, a Seleção só voltou a vencer na oitava rodada, derrotaram Trinidad Tobago por 3 a 0. Com apenas mais dois jogos pela frente até a vaga na repescagem estava ameaçada.

Mas ela veio e de forma direta. Mesmo que fosse via repescagem, o Panamá não queria deixar esse sonho morrer mais uma vez, não agora que estavam tão perto e dependia só dele. Empatado com Honduras em números de pontos, os panamenhos ocupavam a quarta colocação no início da última rodada, um posição a mais que os hondurenhos graças ao saldo de gols. A classificação era a seguinte: México 21 pontos, Costa Rica 16, EUA 12, Panamá 10, Honduras 10, Trinidad Tobago 3. Nesse cenário só a vitória diante os costarriquenhos interessava para não correr risco de ficar fora da Copa. Os três jogos que encerraram essas Eliminatórias começaram todos ao mesmo tempo.

                    (Jogadores panamenhos celebram a classificação heroica e inédita para o Mundial da Rússia. Fotp: Divulgação)

O relógio já marcava mais de quarenta minutos do segundo tempo e jogo no estádio Rommel Fernández entre Panamá e Costa Rica seguia empatado em 1 a 1. Nesse momento Honduras vencia o México por 3 a 2 e chegava aos 13 pontos, o que deixava  a seleção panamenha fora até mesmo da repescagem. Mesmo com a derrota dos Estados Unidos para Trinidad Togado, por 2 a 1, o cenário era desolador, pois os americanos mantinham os mesmo 12 pontos do início da rodada. Foi então que aos 43 minutos, o zagueiro Román Torres marcaria o gol mais importante da história do futebol panamenho até aqui.

O futebol prega suas peças e se um dia o Panamá ficou fora de uma Copa graças aos Estados Unidos, dessa vez a história foi invertida.  Depois desse gol, que garantiu a vitória dos caribenhos por 2 a 1, os resultados não foram alterados nas demais partidas. A combinação dos placares da última rodada levou os panamenhos à terceira colocação no hexagonal final. Honduras ficou em quarto e disputou a repescagem. México e Costa Rica já estavam garantidos. Trinidad Togado e Estados Unidos ficaram de fora do Mundial.

A Seleção

O feito dessa Seleção foi tão expressivo que o presidente do país, Juan Carlos Varela, decretou feriado nacional no dia seguinte à classificação.  É nesse embalo de um heroico acesso que o Panamá chega para a disputa do Mundial. Sem nenhum jogador em atuação nas grandes ligas da Europa, o time aposta na experiência do grupo para não fazer feio durante a sua primeira participação em Copas do Mundo. Essa será a primeira e provavelmente a última Copa de muitos jogadores que defendem as cores panamenhas. Com uma média de idade na casa dos 30 anos, a base do time é formada por veteranos como: o goleiro Jaime Penedo, 36, os zagueiros Felipe Baloy, 36, e Román Torres, 32, o meia Gabriel Gómez, 33, e os atacantes Blás Pérez, 36, e Luis Tejada, 35.

O destaque

Mesmo não sendo ele o autor do gol que garantiu o acesso ao Mundial e no auge dos seus 36 anos, Blás Pérez é o nome que mais empolga na equipe panamenha. Com mais de 120 partidas disputadas pela Seleção, desde sua primeira convocação 2003, o camisa sete é o segundo maior artilheiro da história do país com 41, atrás apenas do seu reserva Luis Tajada que tem 42.

           (Blás Pérez, 36 anos, esperança de gols da seleção panamenha no Mundial da Rússia. Fonte: Divulgação)

O Grupo G

Bélgica, Inglaterra e Tunísia são os adversárias do Panamá no Grupo G da Copa do Mundo. Quem chegou até aqui não pode esperar vida fácil. A base da equipe será a cidade de Saransk. O primeiro jogo é contra a Bélgica no dia 18 de junho, no estádio Olímpico de Sochi, ao meio dia, horário de Brasília. Na segunda rodada, dia 24 de junho, outra pedreira, é a vez de encarar os ingleses em Nizhny Novgorod, a partir das 09 horas da manhã. O último encontro dos panamenhos na primeira fase é contra a Tunísia, adversária mais nivelada que irá enfrentar. O jogo será dia 28 de junho, às 15 horas, no estádio de Saransk.

Esta é a primeira lista com 35 nomes divulgada pelo técnico Hernán Gómez, apenas no dia 04 de junho a comissão técnica deve divulgar quais são os 23 jogadores que irão disputar pela primeira vez a Copa do Mundo pelo país.

Goleiros:

Jaime Penedo (Dinamo Bucarest, ROM)
José Calderón (Chorrillo FC, PAN)
Alex Rodríguez (San Francisco FC, PAN)

Defensores:

Adolfo Machado (Houston Dynamo, EUA)

Michael Amir Murillo (New York Red Bulls, EUA)

Fidel Escobar (New York Red Bulls, EUA)

Román Torres (Seattle Sounders, EUA)

Felipe Baloy (CSD Municipal, GUA)

Harold Cummings (San Jose Earthquakes, EUA)

Éric Davis (DAC Dunajská Streda, SVK)

Luis Ovalle (Olimpia, HON)

Richard Peralta (Alianza, PAN)

Azmahar Ariano (Patriotas FC, COL)

Francisco Palacios (San Francisco FC, EUA)

Meias:

Valentín Pimentel (CD Plaza Amador, PAN)
Aníbal Godoy (San Jose Earthquakes, EUA)
Gabriel Gómez (Atlético Bucaramanga, COL)
Ricardo Ávila (KAA Gent, BEL)
Édgar Bárcenas (Cafetaleros de Tapachula, MEX)
Alberto Quintero (Universitario, PER)
Armando Cooper (Universidad de Chile, CHI)
Miguel Camargo (Univ. San Martín de Porres, PER)

Ricardo Buitrago (CDS Municipal, GUA)

Adalberto Carrasquilla (Tauro FC. PAN)

José González (Unión Comercio, PER)

Cristian Martínez (Columbus Crew, EUA)

José Luis Rodríguez (KAA Gent, BEL).

Atacantes:

Abdiel Arroyo (Liga Deportiva Alajuelense, CRC)

Blas Pérez (CSD Municipal, GUA)

Luis Tejada (Sport Boys, PER)

Gabriel Torres (Huachipato, CHI)

Roberto Nurse (Mineros de Zacatecas, MEX)

Rolando Blackburn (Chorrillo FC, PAN)

Ismael Díaz (Deportivo La Coruña, ESP)

José Fajardo (CA Independiente, PAN)

Fonte: ESPN; TRIVELA; GLOBOESPORTE; RPP; ESTADÃO; VEJA; VAVEL

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