CL na Copa: Os Garotos Islandeses querem seguir sonhando

Foto: Haraldur Gudjonsson/AFP.
Por Lucas Silva, AM.

Com apenas 330 mil habitantes e pouca tradição no futebol, a Islândia é o menor país da história a disputar a Copa do Mundo. Pouco badalada, busca surpreender e tentar reeditar o feito na Eurocopa de 2016, quando conquistou a simpatia de muitos torcedores ao eliminar fortes seleções, chegando as quartas de final da competição. Para isso conta com um elenco modesto, mas com alguns nomes que podem ser cruciais para encantar, dessa vez, o mundo.

O futebol no país

Situada por ilhas, a Islândia tem uma população de cerca de 330 mil habitantes e uma área de 101 mil km², o que equivale aproximadamente ao estado de Pernambuco. Devido a sua localização, o intenso frio prejudica a prática desportiva, o que fazia do futebol, até os anos 90, ser apenas um esporte de verão, praticado na maioria das vezes de forma recreativa.

Para a construção de um desenvolvimento mais sólido no esporte, no fim dos anos 90, o país trabalhou em conjunto com a Fifa em um plano de reestruturação do futebol local. Começando com instalações de campos de futebol ao redor da ilha, onde dos diversos construídos, setes são fechados para melhor regulação do clima e possuem as dimensões oficiais da Fifa.

Os garotos islandeses 

Conhecido por jogar com raça e unido com a torcida, o elenco islandês busca repetir o feito da Euro 2016. (Foto: AFP)

Em seis anos, a seleção islandesa pulou da 131ª posição no ranking da Fifa, para a 18ª. O resultado deve-se, principalmente, ao bom desempenho da equipe na competição européia de 2016, o que resultou no apelido carinhoso dado pela torcida aos jogadores. Na edição, a Islândia passou em segundo no grupo F, superando Portugal e Áustria, e ficando atrás da Hungria. Além do empate conquistado com a forte seleção de Portugal, a equipe, na última rodada da fase de grupos, garantiu a classificação com gol aos 49 minutos do segundo tempo.

Na fase seguinte, a Islândia enfrentou a forte seleção inglesa, em jogo válido pelas oitavas de final. Arrancou uma impressionante virada, classificando-se para as quartas de finais da Eurocopa. Nesse momento, a Islândia conquistava a simpatia de milhões de torcedores ao redor do mundo pela sua simplicidade e entrega dentro de campo. Nas quartas, foi goleada por 5×2 ao enfrentar a anfitriã seleção da França, o que não manchou o feito conquistado pela equipe em sua primeira competição de relevância internacional.

A convocação

GOLEIROS

Hannes Þór Halldórsson

Atuando pela seleção desde 2011 e titular absoluto, Halldórsson possui 48 jogos com a camisa nacional, sendo 47 destes na equipe principal. É um dos remanescentes da Eurocopa de 2016, e atua pelo Randers FC, time da primeira divisão dinamarquesa.

Ögmundur Kristinsson

Aos 28 anos, atua pela seleção desde 2014, é jogador do SBV Excelsior, time da primeira divisão do campeonato holandês. Em 2017, figurou entre os titulares em vários jogos, acumulando 15 jogos pela seleção.

Rúnar Alex Rúnarsson

Joga pelo FC Nordsjælland, clube da Dinamarca. Tem 23 anos, tendo sua primeira convocação em 2017, atuou pela seleção apenas em uma partida.

DEFENSORES

Na defesa, a equipe conta com experiência de jogadores que atuam juntos há vários anos pela seleção. Dos quatro jogadores de defesa que foram titulares na fase final das eliminatórias, apenas Björgvin Magnússon não estava presente no time principal da Eurocopa. Ragnar Sigurðsson, Birkir Már Sævarsson e Kári Árnason são titulares pela seleção há mais de dez anos. A média de idade deles é de 31 anos, o que destaca a experiência destes jogadores.

Ragnar Sigurdsson

Jogador do Rubin Kazan, da Rússia. Experiente zagueiro tem 31 anos. Atua pela seleção desde 2007, acumulando 71 partidas.

Birkir Már Sævarsson

Único jogador a atuar no país de origem, Sævarsson joga pelo Valur, equipe islandesa com mais tradição no handebol do que no futebol. Sævarsson tem 33 anos e foi convocado pela primeira vez em 2007, também acumulando 71 partidas com a camisa da Islândia.

Kári Árnason

Um dos mais experientes da equipe, Árnason tem 35 anos e joga pelo Aberdeen FC, da Escócia. É titular do time há muitos anos, tendo também participado da Eurocopa de 2016. Sua primeira convocação aconteceu em 2005. De lá para cá, foram 63 partidas disputadas, sendo 59 como titular.

Björgvin Magnússon

Jogador do Bristol City, time da segunda divisão da Inglaterra, Magnússon tem 25 anos e atua pela seleção desde 2014.

Ari Freyr Skúlason

Atua pela equipe belga KSC Lokeren. Tem 30 anos e joga pela seleção desde 2009, com 54 partidas acumuladas.

Sverrir Ingi Ingason

Jogador mais jovem da equipe, Ingason atua pelo do Rostov FC, time da Rússia. Tem 24 anos e joga pela seleção principal desde 2014, tendo também feito parte do time Sub-21. São 28 partidas pela Islândia, sendo 19 atuando pela seleção principal.

 

Jón Gudni Fjóluson

Joga no futebol sueco, atuando pelo IFK Norrkoping. Tendo 29 anos e convocado pela primeira vez em 2010, Fjóluson acumula 24 partidas pela seleção.

Hólmar Örn Eyjólfsson

Jogando pelo Levski Sofia, time localizado na Bulgária, Eyjólfsson tem 27 anos e foi convocado pela primeira vez em 2012 para jogar pela seleção.

 

MEIO-CAMPISTAS

Aron Einar Gunnarsson

Destaque pelo seu espírito de liderança dentro e fora de campo, o capitão Gunnarsson é recordista de partidas pela Islândia. (Foto: GettyImages)

Capitão da equipe, Gunnarsson tem 29 anos e atua pelo Cardiff City, da Inglaterra. Foi convocado pela primeira vez em 2008, acumulando 76 partidas – 69 como titular. Possui dois gols pela equipe principal. Destaca-se pela sua liderança, sempre puxando a torcida para jogar junto com a equipe.

Birkir Bjarnason

Um dos principais nomes da equipe, Bjarnason é também um dos artilheiros, com nove gols pelo time principal. Atua pelo Aston Villa, e é frequentemente convocado desde 2007.

Jóhann Berg Gudmundsson

Outro jogador atuando pelo futebol inglês, mais precisamente pelo Burnley, Guðmundsson é mais um nome importante no meio de campo islandês. Tem 27 anos e, desde 2007, é convocado para a seleção. Acumula 64 partidas e sete gols pela equipe.

Emil Hallfredsson

Mais um jogador experiente, Hallfreðsson tem 33 anos e joga pela Udinese. Desde 2005 atua pela seleção principal, tendo também feito parte da equipe que surpreendeu na Eurocopa.

Rúrik Gíslason

Meia-atacante importante da seleção, Gíslason atua pela Islândia desde 2009, acumulando sete gols em 51 partidas. Tem 30 anos e joga pelo SV Sandhausen, da Alemanha.

Ólafur Ingi Skúlason

É o jogador mais antigo a atuar pela seleção, tendo sua primeira convocação acontecida em 2003. Apesar disso, não possui tantas partidas quantos outros jogadores – acumula 31, sendo 15 como titular. Tem 35 anos e atualmente joga pelo Kardemir Karabükspor, da Turquia.

Arnór Ingvi Traustason

Considerado uma promessa islandesa, o meio-campista Traustason atua pela seleção desde as categorias de base. Tem 25 anos, e também esteve presente no time da Eurocopa. Em apenas 10 jogos pela equipe principal, Traustason já acumula 5 gols. Atua pelo Malmö FF, da Suécia.

Gylfi Sigurdsson

Principal jogador da Islândia, Sigurdsson é quem deve ditar o ritmo da equipe. (Foto: goal.com)

Tem 28 anos e é, de longe, o melhor jogador islandês. Sigurdsson é o craque da equipe na Copa. Atua no time desde 2010, acumulando 61 jogos – sendo 60 destes titular. Já fez 21 gols pela seleção e foi peça fundamental na Eurocopa. Sigurdsson é também um dos jogadores mais importantes do Everton, que joga a primeira divisão da Inglaterra. Recentemente, jogando pelo clube inglês, sofreu uma lesão, mas não deve ser preocupação para a Copa do Mundo. É onde o protagonismo da seleção se concentra, com a torcida apostando todas as suas fichas neste jogador.

ATACANTES

Kolbeinn Sigthórsson

Após dois anos parado por lesão, o artilheiro islandês é a grande expectativa da torcida para o sucesso da equipe. (Foto: Catherine Ivill – AMA/Getty Images)

Um dos jogadores mais queridos pela torcida. Sofreu por sérios problemas de lesão que o deixaram afastado desde 2016, voltou a ser convocado na última lista antes da convocação final. Além de ser o artilheiro da equipe, com 26 gols em 54 jogos, foi um dos responsáveis pela incrível campanha da Eurocopa, tendo marcado cinco gols na edição. É grande a expectativa do torcedor islandês para revê-lo em campo. Tem 28 anos e atua pelo Nantes, da França. Caso demonstre o futebol já apresentado pela seleção, deve ser a fonte de gols do time.

Jón Dadi Bodvarsson

Mais uma promessa islandesa, Böðvarsson tem 25 anos e joga pelo Reading, da Inglaterra. Teve sua primeira convocação para a seleção em 2011, para o time sub-19. No ano seguinte, já integrou a seleção principal. Desde lá, Böðvarsson acumula 51 partidas com a seleção, tendo feito quatro gols.

Vidar Örn Kjartansson

Jogador do Maccabi Tel-Aviv, do Israel, Kjartansson figura em algumas convocações desde 2014. Tem 28 anos e acumula 18 partidas pela seleção, tendo feito dois gols.

Kjartan Henry Finnbogason

Forte atacante de área, Finnbogason teve sua primeira convocação em 2012, mas passou anos sem ser lembrado. Em 2016 voltou a ser chamado e não saiu desde então. Possui dois gols em 11 partidas, e atua pelo Horsens, da Dinamarca.

Treinador

Heimir Hallgrímsson, de 50 anos, foi assistente técnico da seleção até a Eurocopa de 2016, quando o sueco Lars Lagerbäck saiu do comando. Após isto, Hallgrímsson assumiu a equipe. Foi jogador de alguns times islandeses, tendo interrompido sua carreira em 1998 para atuar como técnico no futebol feminino. Voltou para encerrar a carreira em 2007, atuando pelo KFS.

Hallgrímsson concilia seu trabalho de técnico da seleção com o de dentista, atendendo em seu próprio consultório no país. (Foto: Reprodução)

Com anos de carreira, como jogador e técnico de futebol – masculino e feminino – o fato mais curioso de seu currículo não é nada disso. Hallgrímsson é, além de técnico da seleção, dentista em seu país, possuindo seu consultório e atendendo pacientes até hoje. A explicação deve-se ao fato de que, o futebol no país ainda não tem suporte o suficiente para manter os profissionais com dedicação exclusiva. Vários jogadores profissionais do país também atuam em outras profissões, e Halgrímsson não foge a regra.

No comando da seleção, Halgrímsson tem um aproveitamento de 63%, com 10 vitórias, dois empates, e sete derrotas. Não possui nenhum título, tendo seu maior feito como auxiliar na Eurocopa de 2016, onde ajudou a levar a seleção para as quartas de final.

O caminho na Copa 

Pelo Grupo I, a Islândia se classificou em primeiro, superando Croácia, Ucrânia, Turquia e Kosovo. Com sete vitórias em dez jogos, obteve um bom desempenho, carimbando a vaga com uma rodada de antecedência. Foi o melhor ataque do grupo, com 16 gols. Seu melhor resultado foi contra a Turquia, onde venceu na casa do adversário por 3×0.

Apesar de o grupo ser considerado tecnicamente fraco, o fato de a Islândia ter superado a Croácia mostra que a seleção pode brigar com algumas seleções medianas. A raça demonstrada pela equipe na Euro deixou uma mística para a torcida, que vê o time com força de superação o suficiente para impressionar na Copa, indo além de suas limitações técnicas.

Na Copa do Mundo o grupo é mais complicado. Pelo grupo D, a Islândia enfrenta, novamente, a Croácia, além de Nigéria e Argentina. Para buscar surpreender novamente e passar para as oitavas, a Islândia precisa repetir o resultado do jogo de volta das eliminatórias contra a Croácia, onde venceu por 1×0. Superando a Croácia, o foco seria vencer a Nigéria.

Conquistar os seis pontos aproximaria a Islândia da classificação, tendo em vista o favoritismo da Argentina. Entretanto, a fraca atuação dos hermanos durante as eliminatórias faz com que seja possível, para os torcedores islandeses, sonhar também com um bom resultado contra eles. Arrancar pontos da Argentina, que é o primeiro jogo da equipe, pode dar uma injeção de ânimo para o restante das partidas.

A seleção da Islândia vive na linha tênue entre surpreender e ir longe – como a Costa Rica em 2014 – ou ser apenas mais uma figurante na competição. Para se sair bem, o segredo é o mesmo que conquistou milhões de torcedores pelo mundo: a raça. A superação e o espírito de equipe serão fundamentais para boas partidas, e, aliado a isso, o bom desempenho de jogadores chaves como Gylfi Sigurdsson e Kolbeinn Sigthórsson.

Fonte: Soccer Way, Uol, Goal.com, Wikipedia.

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