Cruzeiro é campeão da Copa do Brasil

Cruzeiro vence Corinthians e se torna o maior campeão da Copa do Brasil com a sexta conquista

Por: Léo Leal, RJ

Geralmente, os chamados “times de mata-mata” brilham, encantam, empolgam. Às vezes pelo futebol jogado, outras pela vontade ou superação. Surgem lembranças de momentos chaves, gols históricos e xodós. O Cruzeiro teve de tudo um pouco na campanha em busca de sua sexta conquista.

Alguns sofrem com a injustiça da bola e deixam de ser lembrados por causa de segundos nos quais algo deu errado. Outros gravam nesses segundos suas lembrancas.

Esse Cruzeiro é diferente. Ele controla, segura até onde pode com naturalidade. Quando alguém consegue se recuperar, lá está o Fábio pra pegar três pênaltis e acabar com a brincadeira. É chato, principalmente para quem o enfrenta.

É um time de pontos de corridos que acabou dando certo em mata-mata. Não intimida com o terror de véspera. Escreve seu roteiro de suspense até celebrar o final feliz de seu romance. Sempre com bilheterias lotadas.

Foram quatro jogos fora de casa e quatro vitórias. Atlético-PR, Santos, Palmeiras e Corinthians, nenhuma moleza. Em casa, só um triunfo, justamente quando o jogo de ida foi no Mineirão. Sempre com a vantagem, como aqueles Cruzeiros que vimos levar o Brasileirão liderando desde o começo, garantindo virtualmente o título já no primeiro turno.

Matando por envenenamento, sem tiro, sem grito, sem fazer barulho. Não se suja com sangue, nem lama, sequer desfaz o penteado. Cheio de vaidade o rapaz.

Esse Cruzeiro não empolga e nem ostenta superioridade como o de 2013, mas também escreve história, detalhe por detalhe. As páginas heroicas e imortais são as que ficam. Essa, nos gramados de Minas Gerais e também de São Paulo.

Ao contrário daquele, este não tem o favoritismo inicial, às vezes é até subestimado. Assim como aquele, não precisa mostrar na marra ou na camisa que está ali. Quando abrem os olhos, lá está ele com mais um caneco para a coleção.

Simpático e traiçoeiro. Cínico, irritante, estrategista.

Não tem o Alex metendo uma letra, nem o Marcelo Ramos guardando seu nome pra sempre. Cruzeiro de Arrascaeta, Thiago Neves, Fábio, Dede, Mano, mas acima de tudo e até das outras vezes, Cruzeiro.

A parte inesquecível fica pela taça sendo erguida. Chato pra quem vê de fora, Cruzeiro pra quem mais uma vez a levanta.

Existe um grande clube na cidade, seja a natal ou a dos outros. Ele não vai arrombar sua porta, nem lhe ameaçar. Só tenha cuidado com o cavalo que ele traz junto consigo.

Escureceu, já é noite. Mas em Itaquera, teve fuso horário. Ainda há um azul celeste a brilhar.

O infinito daquele céu está mais apertado. Surge mais uma estrela.

Pela primeira vez na história, alguém trouxe duas seguidas.

 

Confira os melhores momentos da partida que deu o título ao Cruzeiro:

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