Cruzeiro na Copa do Brasil: Para o lado azul de Belo Horizonte, o sonho do hexa persiste em 2018

RAPOSA EM BUSCA DO SEGUNDO TÍTULO CONSECUTIVO DA COPA DO BRASIL

(Foto: Divulgação CBF)
Por Gabriel Ferreira – MG

De Nonato a Thiago Neves, muita coisa mudou. Em 1993, o ainda antigo Mineirão assistiu ao time de Nonato vencer sua primeira edição de Copa do Brasil contra o Grêmio do endiabrado Dener. Em 2017, o Gigante da Pampulha estava de cara nova após a reforma para a Copa do Mundo de três anos antes e o Cruzeiro já detinha quatro títulos da competição, mas um fator se mantinha intacto: o brilho de campeão.

Nem mesmo o escorregão de Thiago “decisivo” Neves impediu o gol da vitória celeste nos pênaltis após o histórico Fábio frustrar o incrivelmente ineficaz Diego na terceira cobrança flamenguista. A torcida “louca da cabeça” já festejava a conquista enquanto o goleiro ‘Muralha’ reclamava — sem razão — de dois toques na penalidade cobrada pelo camisa 30. Há quem diga que o céu era azul mesmo sendo noite naquele dia 27 de setembro.

Thiago Neves e Fábio foram cruciais na decisão de 2017 (Foto: Cristiane Mattos/Light Press)

Agora, faltam quatro partidas para o sexto título cruzeirense. O adversário da semifinal é o multimilionário Palmeiras, em confronto que remete à caminhada do penta. A primeira batalha ocorre na quarta-feira, dia 12, no Allianz Parque, às 21h45; e a volta acontece exatamente duas semanas depois, dia 26, no mesmo horário, no Mineirão.

A temporada

O ano tem sido de diferentes sentimentos para a “China Azul”. Ao melhor estilo do comandante Mano Menezes, o Cruzeiro é um time oscilante, mas que aparece nas decisões. Assim foi desde a primeira competição disputada, o Campeonato Mineiro.

Empolgante durante quase todo o estadual, ensaiando um futebol ofensivo e envolvente, o título foi conquistado só após um susto na partida de ida da final contra o arquirrival Atlético-MG. Derrotado por 3×1 na primeira partida (vendo o adversário abrir três gols de vantagem), o trio Arrascaeta, Thiago Neves e Robinho apareceu no primeiro momento crucial da temporada: a grande decisão da competição que abriu 2018. A vitória por 2×0 teve gols do uruguaio e do camisa 30, com participação decisiva de Robinho no segundo tento, que decretou o 38º título mineiro cruzeirense. Minas Gerais voltava a ser celeste depois de quatro anos, e aquela final era uma prévia do que viria a acontecer nos campeonatos posteriores.

Arrascaeta foi destaque no título do Campeonato Mineiro (Foto: Vinnicius Silva)

Hesitante nos pontos corridos, letal nas partidas de vida ou morte. Se no Campeonato Brasileiro e no início da Copa Libertadores o Cruzeiro se mostrou aquém do esperado, nos confrontos decisivos o time celeste foi astuto como uma legítima raposa e não falhou: Vasco, Universidad de Chile, Racing, Flamengo, Atlético-PR e Santos foram as vítimas, sendo os dois últimos já pela Copa do Brasil.

Quando requisitados, Robinho, TN30 e Arrascaeta não decepcionam e resolvem as partidas no ataque. No extremo oposto, o selecionável Dedé faz valer os elogios de Tite antes e após a Copa do Mundo. Não bastando a proteção do Mito, Fábio mostra que os 37 anos de idade o tornaram ainda melhor – os santistas Bruno Henrique, Rodrygo e Jean Mota não deixam mentir.

Fábio decidiu contra o Santos: três defesas impressionantes na disputa de pênaltis (Foto: Reprodução Mineirão)

Velho conhecido, novo momento

Agora os olhos se voltam para o Palmeiras, enquanto a mente do fanático celeste paira sobre uma página heróica e imortal: Henrique avança pelo meio atraindo a marcação e desmarcando Alisson pela ponta esquerda ofensiva cruzeirense. O relógio já beliscava os 40 minutos e a eliminação parecia decretada quando o jovem meia lançou a bola para o herói improvável Diogo Barbosa aparecer na área e, com um cabeceio de lateral-centroavante, fazer o Mineirão balançar. Pela televisão, quase não foi possível escutar o grito de gol do narrador, tamanho o volume que alcançara a vibração dos quase 40 mil esperançosos cruzeirenses que ali estavam. Naquele momento, o título ainda estava distante no horizonte celeste. Mas, para a China Azul, já foi difícil conseguir dormir naquela noite e tirar a imagem de Diogo em prantos, parecendo não acreditar no quanto havia sido iluminado.

A emoção de Diogo Barbosa no gol decisivo contra o Palmeiras em 2017 (Foto: Washington Alves/Cruzeiro)

Uma verdadeira força-tarefa foi planejada para disponibilizar o zagueiro Dedé para a primeira partida, após estar um compromisso com a seleção brasileira no dia anterior. Caso não seja possível ter seu pilar defensivo, o torcedor cruzeirense terá na dupla de zaga campeã na edição anterior, Léo e Murilo, a expectativa por segurar o ímpeto do Verdão na metade inicial do confronto de 180 minutos. No ataque, a dúvida reside entre a juventude e a experiência: Raniel ou Barcos? Atualmente o baiano tem a preferência da torcida, mas Mano Menezes tem optado por apostar na malícia do argentino nos momentos decisivos.

Com ou sem Dedé, a camisa “enverga varal” do Cruzeiro estará em campo a partir de quarta-feira, em ambiente alviverde, e promete balançar os corações celestes. Seja em 1993 ou em 2017, exemplos não faltam para que a Raposa olhe para o céu e pense em tornar a noite azul novamente. Para o adversário, a torcida estrelada deixa um recado: 2018 ainda é ano de hexa.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*